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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Casos Exemplares - Separação do Espírito e do Corpo Físico III

(continuação)

Também aqueles que durante a época romana tudo enfrentaram, afim de dedicarem a sua vida a Jesus, desafiando os poderes instituídos, viram a sua coragem e fé triunfantes, recompensadas pela recepção gloriosa que lhes foi dispensada ao aportarem ao Mundo espiritual, logo após encontrarem a morte nas garras dos animais selvagens do circo romano.
Disso nos dá conta, o espírito Emmanuel, em relatos emocionantes nos livros “Há dois mil anos” e “50 Anos Depois”, psicografados por Francisco Cândido Xavier.

DESENLACE DE LIVIA NO CIRCO


"Ingressando na arena, Lívia ajoelhara-se defronte do grande e suntuoso pavilhão do Imperador, onde buscou lobrigar o vulto do esposo, pela derradeira vez, a fim de guardar no fundo da alma a dolorosa expressão daquele último quadro, junto da imagem íntima de Jesus Crucificado, que inundava de emoções serenas o seu pobre coração dilacerado no minuto supremo.

Pareceu-lhe divisar, confusamente, na doce claridade do crepúsculo, a figura ereta do senador coroado de rosas, como os triunfadores e, quando seus lábios se entreabriram numa última prece misturada de lágrimas ardentes que lhe borbulhavam dos olhos, viu-se repentinamente envolvida pelas patas selvagens de um monstro.

Não sentira, porém, qualquer comoção violenta e rude, que assinala comumente o minuto obscuro da morte. Figurou-selhe haver experimentado ligeiro choque, sentindo-se agora embalada nuns braços de névoa translúcida, que ela contemplou altamente surpreendida.

Buscou certificar-se da sua posição, dentro do circo, e reconheceu, a seu lado, a nobre figura de Simeão, que lhe sorria divinamente, dando-lhe a silenciosa e doce certeza de haver transposto o limiar da Eternidade." - Há 2000 anos - Emanuel


DESENLACE DE NESTÓRIO E DO FILHO NO CIRCO


"Com o peito crivado de setas que lhe exauriam o coração, e contemplando o cadáver do filho que expirara antes dele, dada a sua fraqueza orgânica, Nestório sentiu que um turbilhão de lembranças indefiníveis lhe afloravam ao pensamento já vacilante, confuso, nas vascas da agonia.

Com os olhos sem brilho pelas ânsias da morte arrebatando-lhe as forças, percebeu a multidão que os apupava, escutando-lhe ainda os alaridos animalescos...

Fitou a tribuna imperial, onde, certo, estariam quantos lhe haviam merecido afeição pura e sincera, mas, dentro de emoções intraduzíveis, viu-se também, nas suas recordações confusas, na tribuna de honra, com a toga de senador, enfeitado de púrpura, coroado de rosas (1) aplaudia, também ele, a matança de cristãos que, sem os postes do suplício nem flechas envenenadas a lhes traspassarem o peito, eram devorados por feras hediondas e insaciáveis...

Desejou andar, mover-se, porém, ao mesmo tempo sentia-se ajoelhado junto de um lago extenso, diante de Jesus Nazareno, cujo olhar doce e profundo lhe penetrava os recônditos do coração... Genuflexo, estendia as mãos para o Mestre Divino, implorando amparo e misericórdia... Lágrimas ardentes queimavam-lhe as faces descarnadas e tristes.


Aos seus olhos moribundos, as turbas furiosas do circo haviam desaparecido. Foi quando um vulto de anjo ou de mulher (2) caminhou para ele, estendendo-lhe as mãos carinhosas e translúcidas... O mensageiro do céu ajoelhara-se junto do corpo ensangüentado e afagou-lhe os cabelos, beijando-o suavemente. O antigo escravo experimentou a carícia daquele ósculo divino e seu espírito cansado e enfraquecido adormeceu de leve, como se fôra uma criança.


Em toda a arena vibraram radiações invisíveis, dos mais elevados planos da espiritualidade... Seres abnegados e resplandecentes estendiam fraternalmente os braços para os companheiros que abandonavam o invólucro perecível, nos testemunhos da fé, pela injúria e pelo sofrimento."


(1) Nestório era a reencarnação do orgulhoso senador Públio Lêntulus Cornélio. (Vide "Há Dois Mil Anos").


(2) Lívia. (Vide "Há Dois Mil Anos") — Notas de Emmanuel.


In “50 ANOS DEPOIS” – Emanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier

(continua)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Casos Exemplares - Separação do Espírito e do Corpo Físico II

(continuação)
Geralmente, o Espírito após o desencarne passa por um período mais ou menos longo de perturbação, como um convalescente que retoma a pouco e pouco a consciência do local onde se encontra ou do que acaba de lhe suceder. Todavia, nem sempre assim acontece com aqueles que se prepararam para o acontecimento, “vivendo bem para bem morrer”. Nos próximos posts apresentaremos alguns casos exemplares:

Adelaide

Encontramos Adelaide em conversação amena com o seu amigo espiritual, Bezerra de Menezes. Desencarnando em circunstâncias excepcionais, pelas qualidades morais de que era detentora, Adelaide apenas se preocupava com o facto de dar muito trabalho no minuto final aos seus benfeitores espirituais.

Ora, Adelaide – considerou o apóstolo da caridade -, morrer é muito mais fácil que nascer. Em ocasiões como esta, a resolução é quase tudo. Ajude a você mesma, libertando a mente dos elos que a imantam a pessoas, acontecimentos, coisas e situações da vida terrena. Não se detenha. Quando for chamada, não olhe para trás.in "Obreiros da Vida Eterna", Cap. XIX – A Serva Fiel - Pág.286

Adelaide, cheia de coragem e optimismo, solicitou aos amigos espirituais que a deixassem experimentar sozinha o desligamento dos laços mais fortes, pelo que, Jerônimo só teve de intervir no último minuto para “desatar o apêndice prateado”.

André Luiz, perplexo pelo facto disto poder acontecer, solicitou esclarecimentos, ao que o instrutor respondeu:

“- A cooperação de nosso plano é indispensável ao ato conclusivo de liberação; todavia, o serviço preliminar do desenlace, no plexo solar e mesmo no coração, pode, em vários casos, ser levado a efeito pelo próprio interessado, quando este haja adquirido, durante a experiência terrestre, o preciso treinamento com a vida espiritual mais elevada…Tudo depende de preparo adequado no campo da realização.” Cap. XIX – A Serva Fiel - Pág. 297

Deste modo, Adelaide ficou completamente livre e consciente, ainda antes do velório. Adiou a partida imediata, afim de acompanhar a inumação do corpo físico, consolando amigos e recebendo consolações.” In “Obreiros da Vida Eterna”, Cap. XIX – A Serva Fiel - pág. 297
(continua)