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sábado, 8 de abril de 2017

A limpeza da casa


Um casal de meia-idade contactou-nos, pois achava que o ambiente em casa estava pesado. Recomendámos que fizessem o Evangelho no Lar regularmente, uma vez por semana. Indagaram-nos se era possível a nossa presença e nós não dissemos que não.
Lá fomos, durante várias semanas, participar na realização do Evangelho. O filho e a filha do casal, adolescentes de 18 e 19 anos, não participavam. Talvez se recusassem. Ou talvez os pais não os motivassem o suficiente, explicando-lhes a importância e a necessidade de realização do mesmo.
Como a situação não se alterava e o ambiente continuava pesado, segundo informação que nos era prestada, pedimos auxílio a um Centro Espírita, indagando se era possível uma reunião mediúnica nessa casa, com a presença de médiuns ostensivos, isto é, de pessoas através das quais os Espíritos eventualmente presentes se pudessem manifestar e dialogar com nós outros.
A resposta foi positiva e agendámos o dia para a realização dessa reunião.

Compareceram alguns elementos do Centro, a que nos juntámos nós três, os participantes nas reuniões do Evangelho no Lar inicialmente contactados pelos donos da casa.
Durante a reunião manifestaram-se entidades que confessaram estar ali porque tinham sido chamadas. Ficámos intrigados. Contudo, as entidades foram encaminhadas e o ambiente ficou mais leve, segundo informação posteriormente prestada.

Nós, os três participantes nas reuniões do Evangelho no Lar, encontrámo-nos naquele sábado com o objectivo de nos deslocarmos ao referido Centro Espírita que se situava numa cidade a dezenas de quilómetros da nossa residência habitual.

Durante o trajecto fomos conversando sobre assuntos variados, nomeadamente, sobre a situação espiritual daquele lar que tanto nos intrigava. Em determinada altura diz um dos ocupantes da viatura em que nos deslocávamos: Sabem… ultimamente tenho tido sonhos muito esquisitos, envolvendo sexo. Não consigo explicar a razão de ser desses sonhos. Nós outros, que até então não tínhamos feito quaisquer referências às nossas vivências pessoais, confirmámos, igualmente, que nos últimos tempos tínhamos tido também sonhos do mesmo género.

Concluímos que não se tratava de coincidência e que estariam, eventualmente, ligados a trabalhos espirituais nos quais estivéssemos participando. Mas quais? Não sabíamos dar resposta.

A explicação surgiu mais tarde, precisamente através do dono da casa onde havíamos realizado as reuniões do Evangelho no Lar, bem como a reunião de desobsessão.

Contou-nos ele que apanhou o filho e a filha a assistirem a filmes pornográficos, com os respectivos namorada e namorado, trancados no quarto. Ficou sabendo, igualmente, que o faziam com regularidade.
Ao fazê-lo, atraíam entidades afins, viciadas no sexo, que causavam tantas perturbações na casa, tanto mais que o senhor, o pai, era possuidor de uma mediunidade descontrolada.

Explicava-se, deste modo, a razão de ser dos nossos sonhos, envolvendo cenas de sexo libertino, confirmando-se, assim, que estavam, de facto, relacionados com os trabalhos espirituais que haviam sido executados.


Moral da história


Somos nós que escolhemos as companhias espirituais de que nos fazemos rodear, bem como aquelas que frequentam a nossa casa. Por outras palavras – somos nós que as convidamos. E tanto podem ser boas como más, consoante os nossos pensamentos, palavras e acções. Numa família onde haja harmonia e equilíbrio e onde regularmente se pratique o Evangelho no Lar, podemos assegurar que as presenças serão sempre boas e o ambiente nunca será pesado, para usarmos a expressão daquele casal amigo.

Extraído do livro: "Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos", de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mundos Superiores e Inferiores



Mundos de Expiações e de Provas

13. Que vos direi, que já não conheceis, dos mundos de expiações, pois que basta considerar a Terra que habitais?

A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encamação de Espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral.

Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem suas faltas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo mais feliz.


14. Não obstante, não são todos os Espíritos encarnados na Terra que se encontram em expiação.

As raças que chamais selvagens constituem-se de Espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contacto de Espíritos mais avançados.

Vêm a seguir as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos Espíritos em progresso. Essas são, de algum modo, as raças indígenas da Terra, que se desenvolveram pouco a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos.

Os Espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir, como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação no mal, que os tomava causa de perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, entre os Espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos.

É por isso que os Espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também as que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuirem maior sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso mo­ral é mais obtuso.

15. A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por carácter comum servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus.

Nesses mundos, os Espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, na sua bondade, toma o próprio castigo proveitoso para o progresso do Espírito.


Santo Agostinho Paris, 1862
O Evangelho Segundo o Espiritismo* CAPíTULO III

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Luiz Sérgio III

(continuação): O “Santo Luiz Sérgio”

Aproximou-se da senhora e ela disse:

- Ah! Meu querido. Você chegou! Sabe que tem alguém aqui querendo tomar o seu lugar? Senti vontade de não dar mais nada para você, de guardar o seu retrato, e até acabar com esse lugar de adoração.

O irmão que chegara esbaldava-se de rir. Sempre procurara fazer a irmã pedir mais e mais e, notem, às vezes, ela era atendida.

Tive pena daquele irmão. Não era um espírito ruim, mas gostava, sim, de brincar. Não conhecia a evangelização.
Ocay prendeu-o em uma faixa vibratória e ele parou, preocupado.

- Aqui tem coisa! Não estou compreendendo. Também, essa maluca vem chamando tudo que é espírito. Vai ver que alguém entrou aqui.

E procurava... procurava...

Já é do conhecimento de todos que conforme o estado vibratório do espírito ele não nos pode enxergar quando estamos em trabalho.
Continuava Ocay a ajudá-lo. Logo depois pelos nossos guardas, trabalhadores da Seara do Mestre, foi levado carinhosamente para uma agremiação espírita, um pouco assustado e curioso, pois sentia-se como se levado pelos ventos.

- Breve ele será um dos nossos, Sérgio, disse Ocay. É bom rapaz, só que um espírito sem rumo.
"Ora essa", pensei, "como pode um espírito viver sem rumo?” Peguei o meu caderno de perguntas e assinalei mais esta.


Moral da história:


1º - Não idolatremos ninguém: nem encarnados, nem desencarnados (ver histórias anteriores). O nosso Mestre é Jesus. Nós somos irmãos menores. Crianças espirituais ainda.

2º - Solicitar da espiritualidade auxílio para a resolução e/ou descoberta de questões materiais ou futilidades significa arriscarmo-nos a nos tornarmos presa de espíritos obsessores e mistificadores.
Mário

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Luiz Sérgio II

(continuação-1): O “Santo Luiz Sérgio”


[...] Não havia ninguém na sala. Fomos ao quarto. Divisei, de imediato, uma fotografia minha recortada do livro "O Mundo Que eu Encontrei", com flores e velas.
A jovem senhora estava orando. Pedia para todos, pois junto ao meu retrato haviam outros de espíritos de grande hierarquia, sendo eu um dos menores. Coloquei a mão na testa e disse para mim mesmo:

"O que vou fazer aqui? Sai dessa, Luiz Sérgio!"
Voltei-me para a porta e vi os dois orientais fazendo guarda. O Ocay orava e ondulações vibratórias inundavam todo o ambiente. Acerquei-me da irmã que tanto me queria e percebi que o seu desejo era a compra de um imóvel. Orava pedindo a todos e a mim com mais devoção. Fiz uma prece. Ela sentiu um arrepio e disse:

-Virgem Maria! Hoje a vibração está pesada; parece que alguém quer se passar por Luiz Sérgio. Pensa que me engana. Como já conheço este garoto... ele adora este recanto. Fica comigo e me ajuda em tudo o que desejo.

Olhou as outras estampas e sorrindo como se conversasse com elas, falou:

- Eu amo a todos, mas ele é mais meu amigo.

Tive muita pena daquela irmã. Lembrei-me da minha ficha de trabalho e li:
"Fazer a irmã encontrar o caminho de Jesus para aproximá-la do Pai".

Não posso descrever o que mais havia naquele quarto. Afaguei os seus cabelos, e que me perdoe Ocay, ela se arrepiou toda. Orava pedindo por ela. Sentei-me no chão fitando aquela criatura pedindo para o meu espírito ajudá-la e me senti muito estranho. Será que eu podia ajudá-la? Pensei:
"Eu posso, sim. Por que não o fazer?"

- Vamos olhar depois no nosso "tanngee" o que vai acontecer se nós dermos o que ela deseja, observou Ocay.

Estava ficando nervoso. Fiz uma oração que aprendi quando desencarnei. Uma amiga que me ajudou muito me ensinou:

"Jesus, aqui estou, com esperança de evoluir para chegar ao Pai.
Ajuda-me, Senhor, meu amigo, a ter coragem para deixar e esquecer as coisas da Terra, encontrar na espiritualidade o meu novo lar e dentro dele lutar para a paz em todos os lares.
Assim seja. "

Pedi a Ocay para passar o dia com ela, pois que o tinha livre para aquele serviço. Ele respondeu:

- Luiz Sérgio, não tenha pressa. Muitas vezes viremos aqui.

Este é um trabalho demorado. O semeador escolhe a semente, procura boa terra, trata-a limpando-a, adubando-a e, em época certa, faz o plantio. Depois, com calma, espera germinar e dar sinal de vida. Assim faz o bom semeador.

- Meu jovem amigo, os irmãos da guarda vão deixar alguém entrar. Vamos orar.

Alguns minutos depois, vimos entrar um espírito alegre, mas cheio de pontos escuros.
(Continua)
Mário

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Luiz Sérgio


5ª história : O “Santo Luiz Sérgio”



Não se passou directamente connosco.


Luiz Sérgio era estudante de engenharia electrónica na Universidade Nacional de Brasília, tinha 23 anos, quando, em acidente de automóvel, desencarnou. Isto passou-se em 1973. Mais exactamente no dia 12 de Fevereiro.


Passados cerca de 3 anos o espírito de Luís Sérgio começa a comunicar-se psicograficamente através da médium Alayde de Assunção e Silva, sua prima em segundo grau e espírita militante em São Bernardo do Campo.


Suas mensagens dirigiam-se, primeiramente aos seus pais. Mas depois verificou-se que o conteúdo era tão rico que essas mesmas mensagens acabaram por ser agrupadas em livro que foi publicado com o título “O mundo que eu encontrei”. Neste livro vem, logo a seguir ao prefácio feito pelos pais, uma fotografia de Luiz Sérgio.

Muitas mais mensagens e muitas mais informações sobre as realidades espirituais foram transmitidas por este espírito e coligidas em livros. Pessoalmente, ao todo possuo dez. Todos muito interessantes, com grande soma de informações sobre o mundo espiritual e relações com o mundo físico.

Serve isto para dizer que me chamou particularmente a atenção um capítulo do 4º livro deste conjunto, intitulado “Na esperança de uma nova vida”. Eu designo este conjunto de livros por “colecção Luís Sérgio”, à semelhança dos 16 livros da “colecção André Luiz”.

O capítulo a que me refiro é o 18º e tem o título ‘Equívocos alimentados pela idolatria’

Conta-nos Luiz Sérgio que, ao olhar para a sua ficha de serviço pôde ler:


Ir à Terra dar apoio moral a uma senhora que chama por você. Fazê-la encontrar Jesus, o único caminho, fazendo-a sentir que os espíritos não são divindades. Não deixar os encarnados tratá-lo como santo”.

O que se passava, então?
Passo a palavra a Luiz Sérgio:

(Continua)

Mário

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Destino ou Fatalidade


Ouvimos muitas vezes dizer, (mesmo entre alguns daqueles que integram ou simpatizam com a Doutrina Espírita) que temos de nos resignar e aceitar a vontade de Deus, pois certos acontecimentos já estavam programados antecipadamente, antes da reencarnação.
Nada acontece por acaso, tudo tem uma razão de ser. Nada a fazer, portanto. Seguindo este raciocínio, encontramos subjacente a esta tese, o pensamento de que a vida se concretiza num dado cenário, em que nós, actores, nos limitamos a representar o papel que nos foi atribuído, cumprindo à risca o nosso destino. Será?

Como aprendizes que somos todos, devemos emitir opinião, mas sempre baseada na reflexão cuidada e apoiada em bases sólidas, no estudo das obras da Codificação. Ainda que a nossa intenção seja a melhor: a de consolar e, sobretudo, por essa mesma razão, já que só a compreensão das razões da existência humana nos pode trazer a real e duradoura aceitação das provas com as quais somos confrontados nas várias etapas da vida.

Sabemos que o espírito, quando atinge determinado estágio evolutivo, está autorizado a proceder a certas escolhas do tipo de caminho que irá percorrer ao longo da reencarnação que se aproxima. Dentro dos planos estabelecidos por conselheiros espirituais, por compreensão das falhas que ainda carrega, após acurado estudo no mundo espiritual e reafirmação da sua vontade em se ultrapassar, esse espírito tem alguma liberdade de decisão.
Kardec, na questão 258 de “O Livro dos Espíritos” afirma que o espírito reencarnante tem a possibilidade de escolher “o género de prova que deseja sofrer”. pág. 161 (trad. de José Herculano Pires)

Todavia, quantas vezes, não fracassamos nas nossas melhores intenções de mudança de comportamentos, no decorrer da vida terrena?!
Que dizer então, quanto às decisões tomadas ainda no mundo espiritual, em que a nossa consciência se encontra desperta e a alma sofre as agruras do arrependimento pelo tempo perdido e as oportunidades desperdiçadas?!
Podemos imaginar que tudo prometemos e que, na pressa de reafirmar a nossa mudança interior, possamos até desejar passar pelas provas mais difíceis para assim alcançarmos rapidamente a felicidade tão almejada.
Daí que cada reencarnação seja sempre objecto de uma cuidadosa planificação, de acordo com as nossas reais capacidades de as vencermos, ao mergulhar na carne, com o esquecimento natural das nossas intenções e promessas. Pois o espírito detém sempre o livre-arbítrio e é responsável por cada um dos actos que decide praticar, face ao tipo de obstáculo que cada vida terrena lhe apresenta.

Que sentido fará pensar que alguém que assassina outrem já vinha “programado” para matar e que a espiritualidade apenas se limitou a aproveitar a sua má índole, afim de que outro possa passar por essa prova: ser assassinado?!

Pode o espírito ser colocado num determinado ambiente, propício ao crime, mas cabe-lhe a ele a responsabilidade de decidir entre o Bem ou o Mal.
Quantos indivíduos, nascidos em famílias desestruturadas, ausentes de valores educativos que lhes segurem os instintos, vivenciando maus-tratos e carentes de afecto e protecção, não saiem vitoriosos, lançando-se noutros trilhos distantes do berço em que lhes foi dado viver? E outros tantos, beneficiados pelo amor e pela fortuna, não caem nos enredos do vício e da ingratidão, tornando-se nos carrascos daqueles a quem tudo devem?!
Onde encontramos, nos casos que observamos diariamente, exemplos da fatalidade e do destino a que tantos se referem? Se pode existir alguma verdade no facto de necessitarmos de passar por algum género de prova, não devemos ver isso como algo inevitável e onde nada nos é permitido fazer para alterar a situação.

258-a - “Se um perigo vos ameaça, não fostes vós que o criastes, mas Deus; tivestes, porém, a vontade de vos expordes a ele, porque o considerastes um meio de adiantamento; e Deus o permitiu.” pág. 161 (trad. de José Herculano Pires)

Na questão 861, podemos ler que “não há ninguém predestinado ao crime e que todo o crime, como todo e qualquer acto, é sempre resultado da vontade e do livre arbítrio.” pág. 340, O Livro dos Espíritos (trad. de José Herculano Pires)

Também há os que defendem a tese da “Pena de Talião” mais conducente com o Antigo Testamento: se alguém sofre uma violação, é porque numa vida anterior foi objecto desse mesmo escândalo.
Jesus não veio ensinar o Perdão, afirmando que “o Amor cobre uma multidão de pecados”?
Caso o homem se dedique ao próximo, contribuindo para o progresso da sua colectividade, tornando-se útil à sociedade, precisará ainda passar por determinada prova (mesmo que esta tenha sido anteriormente planeada na erraticidade), conquistando fatalmente pelo sofrimento, o que já provou ter adquirido, através do amor ao seu semelhante?


Há, de facto, acontecimentos que nos ultrapassam e que, provavelmente, nos estavam “destinados”, tendo sido anteriormente escolhidos pelos espíritos que necessitavam desse tipo de prova para a sua própria evolução. Pensamos, por exemplo, nas tragédias colectivas, ocorridas ao longo dos tempos.
Diz-nos Kardec:
- “De resto, confundis sempre duas coisas bem distintas: os acontecimentos materiais da vida e os actos da vida moral. Se, algumas vezes, há fatalidade, é nos acontecimentos materiais cuja causa está fora de vós, e que são independentes da vossa vontade. Quanto aos actos da vida moral, eles emanam sempre do próprio homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha; para esses actos, pois, jamais há fatalidade.” pág. 340, O Livro dos Espíritos (trad. de José Herculano Pires)

Todavia, nem sempre podemos separar totalmente essas duas situações (de origem material e de origem moral), pois são cada vez mais frequentes os desastres que ocorrem no planeta, trazendo o sofrimento a milhares de seres que ficam na miséria mais extrema ou que desencarnam compulsivamente.
Ainda aqui, vemos nitidamente a mão do Homem, responsável não só pela sua evolução, como pelas escolhas que faz na preservação da vida na terra e na melhoria das condições humanas.
Na questão 573 , Kardec interroga a espiritualidade:

-“Em que consiste a missão dos espíritos encarnados?”

- “Instruir os homens, ajudá-los a avançar, melhorar as suas instituições por meios directos e materiais. Mas as missões são mais ou menos gerais e importantes. Aquele que cultiva a terra cumpre uma missão, como aquele que governa ou aquele que instrui. (…)” pág. 248

Esta a prova irrefutável de que não existe fatalidade ou destino a que não se pode fugir, pois a Doutrina Espírita é clara neste ponto, incentivando-nos os Espíritos Superiores, através de Kardec, ao progresso individual e colectivo, responsabilizando-se cada um de nós, dentro das nossas possibilidades, pela parte que nos cabe na procura do bem comum e do nosso percurso evolutivo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

EVANGELHO NO LAR

"Onde quer que se encontrem duas ou três pessoas reunidas em meu nome, eu com elas estarei"
Jesus (Mateus, 18:20)

Há muito que nos habituámos a entregar a tarefa da oração aos condutores das nossas igrejas, descuidando a protecção do lar que só beneficiaria se cultivássemos o hábito de silenciar a
nossa mente por uns momentos e meditar nas lições do Evangelho, agradecendo ao Criador as bênçãos recebidas durante o dia.

Tal como Jesus prometeu, a Sua presença se faz sentir, nos momentos em que a família se reúne no culto do Evangelho, a todos inundando de tranquilidade e harmonia.
  • Praticando o culto do Evangelho no lar, num dia e hora determinados, atrairemos os Espíritos Superiores que comparecem com prazer para nos auxiliarem e isolarão o lar de outras influências negativas que nele possam permanecer.
  • Estudando os ensinamentos de Jesus, aprofundamos conhecimentos e aumentamos a nossa compreensão e tolerância no ambiente doméstico, através das reflexões que fazemos em conjunto, acerca dos nossos pensamentos e actos diários.
  • Conhecendo o processo da reencarnação, meditando nas suas leis, causas e efeitos, compreenderemos melhor os nossos desafectos, aceitando as diferenças e atenuando os desequilíbrios que sempre surgem na convivência, pelo choque dos temperamentos e preferências de cada um.
  • Orientaremos os mais pequenos, no respeito por si mesmos e pelo próximo, e se más tendências se manifestarem desde cedo, mais necessidade terão de crescer no entendimento das leis divinas e da importância da sua tarefa na terra para a própria evolução. Se nos preocupamos com a sua higiene diária, alimentação e educação, cabe-nos reflectir na responsabilidade de lhes proporcionar um lar tranquilo e saudável, cultivando-lhes o espírito, através dos ensinamentos cristãos.

Como fazer o Evangelho no lar?
  • Escolha um dia e uma hora que seja conveniente para os membros da família e, uma vez por semana, reúnam-se à mesa, (20 a 30 minutos) num local escolhido para o efeito;
  • Coloque um copo de água para cada um dos elementos presentes na mesa;
  • Faça (ou convide um dos familiares) uma prece, com palavras simples, que não precisam de ser decoradas;
  • Abra o Evangelho Segundo o Espiritismo “ao acaso” e leia uma página. Verá que geralmente a lição vem de encontro a um problema ou vivência recente: é a orientação dos amigos espirituais que nos lêem no íntimo e nos apresentam a solução em que não tínhamos pensado antes, levando-nos muitas vezes a mudar a perspectiva com que encaramos a dificuldade e a alterar as nossas intenções de acção;
  • Comente com os familiares a lição do dia, observando as ligações que ela estabelece com os acontecimentos da semana;
  • Termine a reunião, agradecendo a presença dos orientadores espirituais, a Jesus e a Deus o auxílio enviado.
  • Cada um dos presentes bebe a água que se encontra agora magnetizada, pelos amigos espirituais, com fluidos curadores.

Notas: A constância das reuniões e a pontualidade devem ser mantidas para que possamos contar com a assistência espiritual, pois os guias têm outras tarefas a desempenhar na espiritualidade e não podem estar à nossa disposição.
  • Com crianças presentes, dever-se-á adequar a linguagem ao seu entendimento.Se preferir, poderá, numa reunião à parte, ler-lhes o Evangelho Segundo o Espiritismo para crianças, fácil de adquirir pela Internet ou outro livro do género, destinado a elas.
  • Se o ambiente familiar não for propício à prática do Evangelho no Lar, não desista e faça-o a sós; (sempre em voz alta para que todos os espíritos presentes possam beneficiar) talvez os seus familiares se disponham mais tarde a participar, vendo a sua persistência e convicção.
  • Tenha a certeza que estará lutando pela tranquilidade do seu lar e pela obtenção do auxílio necessário para a superação das dificuldades materiais e espirituais, conforme a recomendação de Jesus: " Orai e Vigiai ".

terça-feira, 19 de junho de 2007

Léon Denis

Acabo de ler uma obra rara de Léon Denis "Giovana". De grande qualidade literária, esta novela relata-nos o reencontro de duas almas afins e explica-nos claramente as razões das provas pelas quais temos de passar individualmente, até nos podermos reunir aos entes queridos. Não percam. Encontra-se aqui para download:

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Leon%20Denis%20Livros/Giovana/Livros%20Espiritas%20Gratis.htm