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domingo, 22 de janeiro de 2017

Caridade invisível

Na reunião do dia 17 de janeiro de 2006, foi auxiliada uma entidade em grande sofrimento que foi trazida ao corpo da médium para um choque anímico. O estado de inconsciência em que a entidade se encontrava não lhe permitiu qualquer manifestação.

Comunicou-se, em seguida, o Espírito Orientador que nos esclareceu sobre o sucedido. Pediu-nos para transmitir à médium, após a reunião, que as sensações desagradáveis que ainda sente foram devidas a “um choque fluídico muito forte, como se de um soco lhe fosse dirigido à barriga a cem quilómetros por hora. Nada que a impeça de melhorar rapidamente pois Deus é Grande meus queridos irmãos”.


Espírito Orientador:
Acabámos. É natural que estranheis. Acabámos de retirar uma nossa irmã muito sofredora, inconsciente de tudo o que independente dela existe, debruçada somente sobre seus problemas chamando a si grandes sofrimentos, redobrados porque sentidos e também mentalizados. A médium encontra-se um pouco combalida devido ao choque violento e repentino sobre ela exercido. Fizemos, com a ajuda de Deus, de Jesus, nosso Santo Amigo, o melhor que sabemos. Apenas sentirá os efeitos desse ataque durante umas horas em que deverá repousar seu corpo físico e erguer os olhos ao Alto pedindo o amparo de Jesus que a todos nós nunca falta.

O auxílio aqui prestado esta noite a todos os nossos queridos irmãos que aqui acorrem confiantes e esperançosos na Ajuda Divina foi executado dentro do esperado, com o auxílio de Jesus.
Tivemos que acorrer a vários locais. Nossos trabalhadores se colocaram nos pontos-chave, como protecção àqueles que aqui se encontravam e que ainda se encontram. As trevas não são superiores à Luz.

Confiemos na assistência de todos os que lutam pelo bem da Humanidade, de todos os que, esquecendo-se de si se entregam ao próximo. Façamo-nos merecedores do respeito e do Amor de todos aqueles que alcançaram os estratos mais elevados no caminho da perfeição, mostrando nossa humildade, nosso desejo sincero de também nos erguermos na sua direcção.

Sabemos que é difícil, supomos que nos levará uns bons séculos até ultrapassarmos todas as imperfeições que nos dominam, até eliminarmos do nosso ser material o egoísmo, o nosso super-ego que em tantos sarilhos nos envolve.

Cada um de vós, meus queridos irmãos, irá orar e vigiar, não os seus irmãos, mas a si próprio, seus pensamentos mais íntimos, suas palavras e seus actos, pois é a forma mais eficaz de combate àqueles que apenas visam a destruição. A amizade e a entrega sem nada pedir em troca, a quem nem sequer conhecemos e por isso despidos de qualquer interesse, é a nossa melhor defesa, é o nosso retrato, aquele documento de identidade que podemos mostrar sem palavras dizendo aquilo que somos.

A Luz, meus queridos irmãos, sempre vencerá as trevas. Deveis cultivar, também antes de vossa reunião semanal conversas elevadas, lendo até se preciso for uma página de nosso santo Evangelho para poderdes comentá-la, analisar suas frases, dizer o que representam para cada um de vós. Isso impedirá que as projecções mentais de seres menos felizes vos atinjam com tanta facilidade.

Por enquanto deveis manter o mesmo dia para as vossas reuniões e os nossos trabalhos que prosseguem o seu curso. Confiai em vós, em nós e sobretudo em Deus, mantendo a vossa tranquilidade e a vossa fé. Se necessário for alteraremos o dia dedicado a este encontro, confiando sempre na ajuda divina mas trabalhando para facilitar todos os trabalhos de auxílio aos nossos irmãos.

Cuidai da médium para que não julgue encontrar-se doente. Dizei-lhe tratar-se de um choque fluídico muito forte, como se de um soco lhe fosse dirigido à barriga a cem quilómetros por hora. Nada que a impeça de melhorar rapidamente pois Deus é Grande meus queridos irmãos.

Doutrinador: Obrigado, amigo: nós manteremos as 3ªs feiras a esta hora, não é verdade?

Espírito Orientador: Há amigos muito carentes em recuperação que não devem esperar por nós nem serem perturbados nos seus horários.

Doutrinador: Significa que o nosso encontro deverá ser às 3ªs feiras.

Espírito Orientador: Até receberdes ordens em contrário, ou melhor dizendo um pedido, pois todos nós dependemos uns dos outros...

Doutrinador: Com certeza, amigo. Seguiremos as instruções e procuraremos na nossa pequenez dar o nosso pequeno contributo que for válido e necessário. Não sei se tendes mais alguma coisa para dizer...

Espírito Orientador: O fundamental foi dito para que não vos preocupeis porque aparentemente não fizestes Caridade, pois nós homens quando encarnados queremos sempre ver para crer e tudo se passou do lado espiritual protegendo todo o ambiente minimizando algumas perturbações e tratando com a vossa ajuda de alguns doentes necessitados, ainda, dos vossos fluidos salutares para a sua inteira recuperação. Ficai, pois, em paz, queridos irmãos, orando a Jesus, pedindo-lhe a Sua protecção e a Sua compreensão para todos nós e para os nossos erros.

Doutrinador: Obrigado. Nós então vamos elevar nosso pensamento Nosso Pai e vamos agradecer.


Extraído do livro de Eduardo Guerreiro "Falando com os Espíritos", Chiado Editora (ainda não publicado)


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Dois amigos católicos


No início de março de 2005 um casal amigo que, sabendo que nós realizávamos reuniões mediúnicas em tarefas de auxílio solicitou-nos ajuda para diversos problemas que, achavam ser espirituais. Embora não acreditassem muito “nisso dos Espíritos” nada custava pedir apoio.

Colocado o problema ao Guia Espiritual dos trabalhos, no dia 11 de Março de 2005 ele manifestou-se como segue:

“Nós temos o tempo para podermos ajudar quem de nós necessita embora as tarefas nunca tenham fim pois o Espírito não dorme. Somos todos irmãos e todos precisamos de auxílio. Todos usamos os nossos hábitos, as nossas crenças, as nossas religiões, que nos conduzem pelo mundo, uns mais envolvidos, outros mais recuados ou recolhidos de Fé, mas nós de todos os recursos jogamos mãos para vos ajudar no caminho de Jesus.

Vim hoje aqui com o propósito de orientar dois amigos católicos muito crentes como eu fui em tempos da Santa Igreja. Estejamos onde estivermos seja qual for a nossa escolha, se o caminho for de Jesus, todos podemos cumprir a nossa missão. Eu cumpri a minha da forma que o meu espírito escolheu.

Esses dois amigos, que gostam muito de colocar velas, devem colocar três velas, uma cada dia, a Santa Catarina. Uma, rosa, no primeiro dia, uma branca, no segundo dia e uma, azul, no terceiro dia. Rezarão um Pai Nosso, uma Ave-Maria e a Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, segundo as normas da Santa Madre Igreja. Receberão grande ajuda. Grande paz e tranquilidade são necessárias naquele lar, pois muitas turbulências lá coabitam. Nós só nos defendemos na Terra segundo as nossas próprias convicções e não segundo aquilo que nos chega, de fora.

Recomendai-lhes, pois, que se protejam e peçam a esta Santa, tão amada, ajuda. Não é a forma como pedimos, é a fé que depositamos nos nossos pedidos. Só a fé nos permite que recebamos auxílio. Só a fé faz chegar os nossos pedidos a quem nos pode auxiliar, não vos esqueçais disso. Não são as religiões que contam, é o Amor por Jesus, é a Fé no Salvador. Ficai em paz. Chamai Jesus. Mentalizai-O com todas as forças da vossa alma para poder chegar a vós alguém que precisa de vos dar algumas instruções.”
Joanna de Ângelis


domingo, 8 de janeiro de 2017

Evitar manifestações anímicas

Evitar manifestações anímicas

Na nossa reunião do dia 6 de abril de 2006, um Espírito Orientador sugeriu medidas a tomar na condução dos trabalhos mediúnicos por forma a evitar manifestações anímicas.

Eis a comunicação:

“Só uma pequena recomendação. Na condução de vossos trabalhos: como sabeis é importante não a forma, mas o conteúdo, para que possamos levar a cabo, todos em conjunto, as nossas tarefas.
Um de vós deverá manter a vigilância do início ao fim da reunião para que se mantenham as condições de relaxamento, de aprofundamento, do corpo físico e da mente para a necessária incorporação na médium, evitando assim as manifestações anímicas pela pouca concentração.


Devemos ouvir atentamente a oração do nosso querido Evangelho com todos os nossos cinco sentidos, sem nos deixar cair em dormências desnecessárias e, após o término dessa oração, depois da compreensão da lição das palavras do Mestre se interiorizarem em nosso coração, então sim, devemos relaxar, conservar nossas mentes em silêncio de forma a manter o ambiente organizado, estruturado e aberto à espiritualidade, mas será sempre necessário que um de vós se mantenha vigilante”.

Extraído do livro de Eduardo Guerreiro "Lições de Vida Após a Morte", Chiado Editora (a ser colocado à venda no próximo mês)

sábado, 31 de dezembro de 2016

Irradiação mental



Neste último dia de 2016 desejamos a todos imensos progressos espirituais para o ano que se avizinha, lembrando a frase de Jesus, através do Espírito da Verdade: “Os que carregam seus fardos e assistem seus irmãos são os meus bem-amados”.

Cada um de nós carrega o seu fardo, mas cada um de nós pode ser sempre útil ao seu semelhante. Quer individual, quer colectivamente.

Há quem pense que uma reunião mediúnica exige médiuns ostensivos. Que o auxílio a companheiros em sofrimento ou em desequilíbrio só se dá quando existem manifestações de entidades. Nada mais errado. Um grupo abnegado, disciplinado, constituído por pessoas com fé, boa vontade em seguir as directrizes do Mestre e cujo único intuito é o de auxiliar sem nada pedir em troca, rapidamente granjeia a simpatia dos Bons Espíritos, que lhe passam a dar assistência. A situação que se segue constitui disso um exemplo.

No dia 14 de Outubro de 2007, manifestou-se um Espírito Benfeitor que transmitiu a seguinte mensagem:

“Boa noite, meus amigos.
Nada vou dizer para que deveis gravar. Apenas que mentalizeis um foco de luz sobre todos estes amigos sofredores, erguendo vossa mente para o auxílio divino, para que Jesus se enterneça e eles possam ser conduzidos a locais onde reinem a piedade por todos os erros e desatinos praticados. Concentrai vossas mentes. Uni-as às nossas numa oração ao Mestre, Jesus”.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Generosidade, empenho e desprendimento em grupos mediúnicos sérios


Quem pensa integrar um grupo de auxílio a companheiros desencarnados sem participar com a sua dose de sofrimento, desengane-se. Lembremos a informação que nos é dada por Camilo Castelo Branco no livro “Memórias de um suicida” psicografado por Ivonne Pereira.

Diz-nos o autor espiritual (Camilo Castelo Branco) que, com o objectivo de auxiliar um grupo de suicidas desencarnados, após sondagem feita em Portugal, Espanha e países da América Latina, foram convidados vinte médiuns de ambos os sexos. Dentre estes, porém, “apenas quatro senhoras, humildes, bondosas, deixando desprender do envoltório astral estrigas luminosas à altura do coração, ofereceram incondicional e abnegadamente seus préstimos aos emissários da Luz, prontas ao generoso desempenho. Dos representantes masculinos apenas dois aquiesceram, sem rasgos de legítima abnegação, é certo, mas fiéis aos compromissos de que se investiram, assemelhando-se ao funcionário assíduo à repartição por ser esse o dever do subordinado. Os restantes, conquanto honestos, sinceros no ideal esposado por amor de Jesus, desencorajaram-se de um compromisso formal”.

Resumindo: de entre os médiuns, exercendo actividade nos países atrás referidos, só vinte foram selecionados. Destes, só seis acederam. E destes seis, só quatro o fizeram incondicionalmente.

O Espírito comunicante elucida-nos sobre o porquê desta recusa dos médiuns:

“Os quadros expostos, mostrando-lhes o precário estado dos pacientes (Espíritos de suicidas) que deveriam socorrer, seu martirológio de além-túmulo, infundiram-lhes tais pavores e impressões que acharam por bem retrair impulsos assistenciais”.
“Os médiuns deveriam contribuir com grandes parcelas de suas próprias energias para alívio dos desgraçados que lhes bateriam à porta. Esgotar-se-iam, provavelmente, no caridoso afã de lhes estancar as lágrimas. Seria até mesmo possível que, durante o tempo em que estivessem em contacto com eles, impressões de indefiníveis amarguras, mal-estar inquietante, perda de apetite, insónia, diminuição até mesmo do peso natural do corpo físico viessem surpreendê-los e afligi-los.

Todavia, a direcção do Instituto Maria de Nazaré (Organização Espiritual de auxílio a desencarnados – nota do autor) oferecia garantia: - suprimento das forças consumidas, quer orgânicas, mentais ou magnéticas, imediatamente após a cessação do compromisso, ao passo que a Legião dos Servos de Maria (Departamento daquela Organização destinado ao socorro a suicidas – nota do autor), a partir daquela data, jamais os deixaria sem a sua fraterna e agradecida observação.

“Se se arriscavam à solicitação de tão vultoso concurso era porque entendiam que os médiuns educados à luz da áurea moral cristã são iniciados modernos, e, por isso, devem saber que os postos que ocupam, no seio da Escola a que pertencem, fatalmente terão de obedecer a dois princípios essenciais e sagrados da Iniciação Cristã heroicamente exemplificados pelo Mestre Insigne que a legou: - Amor e Abnegação!”


Note-se que, como atrás foi referido, apesar destas garantias, foram muito poucos os médiuns que aceitaram. É que a verdadeira CARIDADE exige, conforme já fizemos referência, uma enorme dose de sacrifício pessoal. Em especial a que se destina ao auxílio a Espíritos em grande desequilíbrio, como é o caso dos suicidas.

Extraído do livro de Eduardo Guerreiro: "Lições de Vida Após a Morte", Chiado Editora (a ser lançado em breve)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Abusaram do poder


No dia 2 de Março de 2006 manifestaram-se, em nosso grupo mediúnico, diversos Espíritos que relataram suas experiências falhadas na última existência. Detiveram posições de poder que usaram apenas em benefício próprio. Chegados ao mundo espiritual, constataram que haviam desperdiçado a oportunidade que lhes tinha sido concedida ao lhes serem atribuídos talentos que deveriam ter sido postos a serviço da comunidade. Infelizmente, não ficou registada a gravação desses relatos que, para os Espíritos comunicantes, funcionou como um desabafo emocionado de algo que eles tinham necessidade de narrar para alívio de suas consciências e lição para os presentes (encarnados e desencarnados).

No final manifestou-se o Espírito Orientador, esclarecendo sobre a natureza dos trabalhos. O doutrinador ficou, igualmente, elucidado sobre a causa das perturbações físicas e espirituais sofridas nos dias precedentes.

Espírito Orientador – “(...) dos trabalhos que decorreram e do porquê do testemunho aqui deixado esta noite onde as histórias se desenrolaram perante nossos olhos. Derramadas lágrimas de perfume dos seus corações por muitos dos presentes que aqui vieram relatar suas amargas experiências, cada um à sua maneira, cada um contribuindo com uma lição de vida, de aprendizado que serve a encarnados, que neste momento detêm o poder, que triunfam nas mais diversas áreas e tão necessários são ao progresso da Humanidade caso empreguem bem as suas fortunas, levando ao bem-estar e à comodidade do Homem.

Mas quantas vezes é o contrário que fazemos, já que o orgulho e a vaidade e a adulação dos ignorantes da Terra lhes não permite enxergar mais longe.

Este amigo que acabou aqui de deixar através da médium a sua história comovente, fê-lo como prova de humildade e arrependimento pelos erros cometidos e para que os trabalhadores encarnados aqui reunidos pudessem também tomar parte da sua própria história e conhecimento desses mesmos erros. Oremos, assim a Deus por todos estes irmãos e por todos nós, anjos caídos em erros constantes e repetidos.

Doutrinador - Obrigado, querido amigo. Podemos colocar apenas uma questão?

Espírito Orientador – Dizei.

Doutrinador - As sensações que temos vindo a sentir durante esta tarde e esta noite são de natureza física ou espiritual?

Espírito Orientador – O Homem gosta de separar estas duas vertentes e elas são inseparáveis. Lembrai-vos de tudo o que aprendeste até hoje e que atraímos os nossos afins, os nossos adversários e, quando o nosso organismo não se encontra bem defendido e a nossa mente alimenta pensamentos instigados, todos nós, mente, espírito e corpo físico nos ressentimos. Também não deveis esquecer que muito tempo antes, com o vosso consentimento, alguns amigos em sofrimento, mas em condições de serem auxiliados, vos são conduzidos para que uma maior empatia se realize.

Doutrinador - Quereis dizer que esses amigos foram agora auxiliados...

Espírito OrientadorA ajuda sempre vem quando um grupo, mesmo pequeno, se reúne com o desejo de auxiliar o próximo. Que a vossa vontade não esmoreça, que o vosso ânimo se fortaleça, pois o auxílio a estes irmãos é muito importante. Eles serão agradecidos e, se o não forem, estais a contribuir para a vossa própria evolução.


[O doutrinador ora, agradecendo ao Pai].

Extraído do livro de Eduardo Guerreiro: "Lições de Vida Após a Morte" (a ser lançado em breve)

sábado, 3 de dezembro de 2016

Sofrimento e revolta


 No dia 7 de Janeiro de 1995 manifestou-se uma entidade em situação de grande desespero e desorientação. Dir-se-ia que, pelas suas palavras, o sofrimento e a revolta formam um círculo vicioso que o envolve, atormentando-o e do qual não consegue sair. O orgulho e a recusa de um ser Criador impede-o de ser auxiliado. Referindo-se a Deus, diz: “Recuso-O, não O quero, porque não O inventei. Não necessito d’Ele. Aborreço-O porque me criou!” Manifesta-se, posteriormente, o Espírito Orientador que esclarece a situação.


Espírito:

“Sinto-me muito mal. Não são palavras de que preciso. São actos. Quem me tira este peso enorme que se abate sobre mim?! Que me acontece para estar assim? Quem é Deus, que não me ajuda? Somos todos doidos? Não temos leme, apenas palavras e enganos para sobrevivermos? E para quê? Quem escolhe? Como continuarmos? Quem somos? Porque viemos? Donde viemos e para onde vamos? Que fazemos com a Vida? Para quê dormir? Para quê acordar? Devemos dormir para sempre? Pode-se dormir para sempre? Quero descansar a minha mente, quero deixar de pensar, de estar, de ser! Por favor, que a minha voz se cale para sempre! Que o meu cérebro se perca no infinito! Quero o não ser, que a minha pessoa se desfaça no espaço sideral, que eu me transforme em pó, que me confunda com o Universo! Quem me ajuda?!

Sou o sem nome, pois não quero ser, apenas descontar aos poucos para me reduzir a Nada. O Nada é o Absoluto! E se não for? Para onde vamos? Por que temos de ir a algum lado? Quem é tão cruel que nos tenha programado para não parar nunca? Que tortura maior nunca deixar de ser. Ser forçado a seguir em frente sem saber onde aportar. Sem poder decidir não continuar! Simplesmente deixar de ser! Simplesmente morrer!

Sou materialista, não acredito e não quero acreditar! Não vejo necessidade de perpetuar um sofrimento insuportável! Tenho o direito de acabar! Quero decidir sobre a minha pessoa! Ninguém tem o direito moral de pensar por mim! Nem um possível Criador! Quem Lhe pediu que me inventasse? Quem O autorizou a colocar em mim uma mola que me obriga a ser, quando não quero ser um dia. Que tudo se apague, que eu possa, enfim, descansar! Recuso-O, não O quero, porque não O inventei. Não necessito d’Ele. Aborreço-O porque me criou!


Espírito Orientador:

Este nosso irmão peregrina nas trevas do sofrimento e da revolta, que cada vez mais agravam esse sofrimento e essa mesma revolta. Grande desespero lhe invade a alma e quando tentamos erguê-lo e auxiliá-lo a sua recusa é sistemática e a sua luta avassaladora. Recusa o Senhor, sempre se julgou dono do seu próprio Destino e não suporta a existência de um ser superior a si próprio. O orgulho cega as almas que não compreendem a beleza da Vida Eterna porque nunca lhe sentiram os efeitos. Apenas o sofrimento e o desânimo lhes constituem a estrutura espiritual e o seu perispírito se desequilibra e se deforma à medida que aumenta a revolta. Com o tempo conseguirão estes irmãos “apagar-se” temporariamente, dando lugar a formas ovoides (1), que dormitam “eternamente” recusando a luta que salva.

milénios de reencarnações sucessivas permitirão armar estes irmãos de forças suficientes e de renúncia bastante para enfrentarem o Pai, alguém que lhe é Superior, sim, mas também Aquele que os Ama, que os pretende perfeitos e que anseia tê-los junto de Si. Grande sofrimento o destes irmãos. Muita oração se faz necessária para que raios benfazejos de luz possam um dia penetrar nas suas formas distorcidas e alterar a pouco e pouco a sua organização perispíritica.

Não possuímos ouro, mas atentemos no óbolo da viúva. Mais agradável a Deus é uma prece, do que todo o supérfluo da nossa existência. Todos não somos muitos. Que nas nossas preces diárias nos lembremos sempre de incluir estes nossos irmãos revoltados que as religiões tradicionais remeteram aos Infernos. Simbolicamente, essas Esferas de Sofrimento e dor incomensuráveis nada mais são do que nós próprios. Maior sacrifício exige de nós de que se de verdadeiros antros de pavor se tratassem. Sendo exteriores, mais fácil se tornaria a Libertação. Estando cristalizadas no nosso íntimo necessário se faz arrancá-las com as nossas próprias mãos, mudando toda uma estrutura de pensamento e de acção. Tarefa tantas vezes julgada impossível! Daí tanta revolta contra aquele que nos criou porque nos “obriga a evoluir”.

Oremos com Fé e com muito Amor!

As nossas preces formarão cordões que, interligando-se, construirão a melhor arma para estes infelizes lutarem. Dêmos-lhes a ferramenta com que erguerão as suas forças tão debilitadas!

João da Cruz
(1)    Sobre os ‘ovoides’ ver "Evolução em Dois Mundos," cap.XII, André Luiz/Chico Xavier/Waldo Vieira, FEB (Federação Espírita Brasileira).


Extraído do livro “Falando com os Espíritos”, de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

domingo, 20 de novembro de 2016

Um católico cumpridor

No dia 16 de julho de 2007 manifestou-se um amigo sofredor que enquanto encarnado foi um católico cumpridor de todos os rituais: “Sempre fui virtuoso. Ia à missa, rezava, comungava, confessava os meus pecados ao senhor padre. É para isso que ele lá está. E Deus perdoava-me.” Acabou sendo encaminhado pelo padre em quem ele confiava.
Em seguida manifesta-se o Espírito Orientador dos trabalhos que meditou sobre a importância da vida física e, entre outras coisas disse: “Muitos se refugiam em conventos, tentando atingi-Lo, dedicando-Lhe toda a sua vida terrena, esquecendo que ela é tão limitada que muitas vidas serão necessárias e que por muito que Nele pensemos temos que prová-lo no mundo em que vivemos, pois é na experiência, é nas provas que o mundo nos aporta, nos contactos com aqueles a quem ferimos noutras vidas, que o nosso entendimento se alarga e que o nosso coração é testado mais uma vez, sendo convidado ao perdão, ao esquecimento e finalmente ao amor dos adversários.”

(...)
Doutrinador: Diz, meu amigo.
Espírito: O Senhor padre é que tem que dizer.
Doutrinador: Eu não sou padre, amigo.
Espírito: Então eu não estou na missa?
Doutrinador: Não. Estamos num local onde fazemos oração, onde oramos a Jesus, a Deus Nosso Pai e lemos lições do Evangelho. Não é necessário estar na missa.
Espírito: Ah, mas eu sempre ouvi na missa.
Doutrinador: Mas agora ouves aqui connosco. É um local particular onde nós nos reunimos, oramos, pedimos ajuda a Deus para irmãos que estejam em sofrimento, já no mundo espiritual, como é o teu caso...
Espírito: Eu fui virtuoso.
Doutrinador: Graças a Deus, meu amigo.
Espírito: Graças a Deus. Não faltava a uma missa.
Doutrinador: Bem... e eras bom para com os teus semelhantes?
Espírito: Ninguém é perfeito.
Doutrinador: Praticavas a Caridade?
Espírito: O que é isso?
Doutrinador: A Caridade é ajudar o próximo.
Espírito: Ajudava a minha família. O próximo?! O que é o próximo? Ajudava a minha família. Sempre trabalhei para a minha família.
Doutrinador: O próximo são os necessitados...
Espírito: Ah, isso ninguém consegue salvar o mundo.
Doutrinador: Não se trata de salvar o mundo. Mas se visses alguém em dificuldades...
Espírito: Eu dava a minha contribuição na igreja.
Doutrinador: Mas nunca encontraste alguém com dificuldades que se aproximasse de ti?
Espírito: Pois por haver muita gente é que não podemos ajudar a todos.
Doutrinador: Sim, mas quando podias e sempre que podias criavas à tua volta um ambiente alegre, optimista?
Espírito: Que perguntas tão difíceis.
Doutrinador: No teu trabalho, por exemplo?
Espírito: Sempre fui virtuoso. Ia à missa, rezava, comungava, confessava os meus pecados ao senhor padre. É para isso que ele lá está. E Deus perdoava-me.
Doutrinador: Cumprias todas essas obrigações para com a Igreja Católica, não é verdade?
Espírito: E Deus perdoava-me.
Doutrinador: Também os fariseus cumpriam as obrigações deles...
Espírito: Eu não sou fariseu. Calma aí! Calma aí!
Doutrinador: Eu não estava a acusar.
Espírito: Tu não és padre mas acusas.
Doutrinador: Não estou nada a acusar.
Espírito: Não sei quem és.
Doutrinador: Sou um amigo. Sou teu amigo.
Espírito: Então vai lá vestir a batina para conversares assim comigo. Eu só aceito conselhos do padre. Esse é que me manda rezar não sei quantos ‘pai-nossos’ e não sei quantas ‘ave-marias’ e eu rezo. Mas isso é porque ele é padre. Tu, não.
Doutrinador: Resolveu-te alguma coisa na vida?
Espírito: Fiquei com a consciência mais tranquila.
Doutrinador: Diz-me uma coisa: o que é que tu fazias, se não é indiscrição. Qual era o teu trabalho?
Espírito: (Bocejos) Trabalhava com contas.
Doutrinador: Eras contabilista?
Espírito: Podes dizer isso.
Doutrinador: E eras empregado?
Espírito: Era e não era.
Doutrinador: Tinhas a tua própria casa de contabilidade?
Espírito: Não!
Doutrinador: Então eras empregado de alguém...
Espírito: E mandava noutros.
Doutrinador: E criavas bom ambiente no teu local de trabalho?
Espírito: Mas isto é algum inquérito? Já te disse que tu não és padre. Vais-me dar a comunhão a seguir?
Doutrinador: De modo algum. Aqui não se dá a comunhão.
Espírito: Devias dar porque já há muito tempo que não a tomo.
Doutrinador: Sabes... Há uma questão que é muito importante. Não são as obrigações que a Igreja Católica te exigia que fazem de ti uma pessoa melhor ou pior.
Espírito: Mas era cumpridor. Então não ganhamos o céu?
Doutrinador: Pois aí é que te enganas, querido amigo. Neste momento achas que estás no céu?
Espírito: Não era bem aquilo que eu esperava. Julgava que o céu era melhor que a Terra.
Doutrinador: Se calhar ainda te encontras na Terra.
Espírito: A bem dizer não. Ando por aqui. Ando por aqui perto.
Doutrinador: Aqui nesta cidade?
Espírito: Por onde calha. É bom porque não precisamos de automóvel. Já percebi como é que hei-de ir parar a um sítio. Não sei como é que vim aqui parar. Mas isto é porque ainda estou pouco treinado.
Doutrinador: Mas ainda bem que vieste aqui. Com a graça de Deus.
Espírito: Isso não sei. Tu és muito esquisito.
Doutrinador: Porque dizes isso?
Espírito: Porque tens fala de padre mas não és padre.
Doutrinador: Mas, ouve lá: é preciso estar vestido de batina para ser padre?
Espírito: Ah... o padre às vezes falava sem batina. Na igreja é que a gente se confessava.
Doutrinador: Nunca falaste com o padre fora da igreja?
Espírito: Mas não eram estas coisas. Ele não falava destas coisas. Está bem... às vezes pedia-se um conselho, mas pedia-se na missa. Eu ia todos os dias à missa, todos os dias falava, todos os dias ouvia falar... todos os dias não, uma vez por semana ia comungar e ouvia sermão.
Doutrinador: E gostavas do sermão...
Espírito: Lá gostar não gostava, não é, mas... pronto!
Doutrinador: Diz-me uma coisa, meu amigo: neste momento achas que te encontras bem?
Espírito: (Bocejos) Bem, não. Nunca estive bem.
Doutrinador: Provavelmente estás em sofrimento, não é verdade? Estás em sofrimento e necessitas, certamente, de te curar e de seres auxiliado.
Espírito: Ah, isso não dizia que não. Devo-me ter enganado no rumo.
Doutrinador: Ora bem: essa dor que tu sentes, esse mau estar que tu sentes, tudo isso, amigo, precisa de ser tratado.
Espírito: Ai, não queiras saber! Não queiras saber... Mas, afinal quem és tu?

(continua)

Extraído do livro "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro  (não publicado ainda)




sábado, 5 de novembro de 2016

A católica “morta”-viva


As convicções que, de modo irracional, criámos ao longo da vida, tomando-as como verdades absolutas, sem nos interrogarmos ou as colocar em causa, continuam connosco, após a morte do corpo físico, tal como quando ainda nos encontrávamos entre os chamados ‘vivos’.
O que ocorreu na reunião mediúnica de 7 de Junho de 2005 mostra até que ponto, por um lado a persistência dessas crenças, por outro lado a ignorância dos assuntos respeitantes à vida após a “morte” nos pode reter estacionados durante algum tempo junto à crosta terrestre. O diálogo entre o Espírito que aqui se manifestou e o doutrinador é a este respeito bem elucidativo.
A entidade acabou por receber um esclarecimento prévio prestado por um ‘sacerdote’ do mundo espiritual e ficou satisfeita pelo facto de lá (no Mundo Espiritual) também existirem missas, comprovando assim que “Há muitas moradas na casa de Meu Pai”.
Passemos ao diálogo entre o Espírito manifestante e o doutrinador, a que se segue, no final, uma comunicação do Espírito Orientador desta reunião.


Doutrinador: Diz lá, meu amigo, ou minha amiga. Diz-me o que sentes.
Espírito: Eu julgava que tu eras padre.
Doutrinador: Não sou padre, apenas gosto de orar.
Espírito: Ah, mas falas nessa coisa de espiritismo.
Doutrinador: Os padres católicos não falam de espiritismo.
Espírito: Não!... Isso são coisas de Satanás.
Doutrinador: Achas?
Espírito: Pelo menos foi o que eu aprendi.
Doutrinador: Diz-me uma coisa: tu és Espírito?
Espírito: Ai a minha cabeça! Eu sofro muito.
Doutrinador: Tens sofrido bastante, não é verdade?
Espírito: Ai, nem queiras saber.
Doutrinador: És uma amiga?
Espírito: Eu não sei se sou amiga.
Doutrinador: És uma senhora?
Espírito: Eu sou uma senhora, então não se vê logo?
Doutrinador: Ora bem...
Espírito: Mas essas palavras estão certas. Agora eu estava a pensar: missa à noite não é todos os dias. Só na missa do galo. Estava a pensar que eram protestantes ou uma coisa dessas que eu não conheço. Têm lido ali uns livros estranhos, ah isso têm.
Doutrinador: E tu tens acompanhado?
Espírito: Alguma coisa, mas acho que não são livros muito recomendáveis.
Doutrinador: Tu condenas esses livros?
Espírito: Não são grande coisa. Não nos devemos meter em coisas que não nos dizem respeito.
Doutrinador: Muito bem...
Espírito: O que vale é que ela (um dos elementos do grupo) ultimamente não tem feito nada. Já largou, já largou, que aquilo era... (transitoriamente, devido ao trabalho profissional)
Doutrinador: Era demais...
Espírito: Era. Coisas assim estranhas. Eu não lia mas às vezes dava uma espreitadela. Ai, mas as minhas dores de cabeça.
Doutrinador: Ora bem, isso é que é importante para nós.
Espírito: Olha, não sabia que o Espiritismo dizia coisas certas. Mas não te metas com os mortos que isso não são boas coisas. Não devemos chamar os mortos. Os mortos estão lá para cima, a gente não deve chamá-los.
Doutrinador: O que interessa agora é a tua dor de cabeça e o teu estado físico...
Espírito: Ai, eu sofro muito...
Doutrinador: E necessitas mesmo ser tratada, não é verdade, querida amiga?
Espírito: Isto já é crónico.
Doutrinador: Não é nada crónico.
Espírito: Eu estou sempre em depressão, em grande sofrimento, não tenho forças para nada, só quero é dormir mas não consigo porque as minhas dores de cabeça são muito grandes...
Doutrinador: Permite-me que eu peça a médicos de Jesus...
Espírito: A vida não tem sentido...
Doutrinador: Mas vais encontrar sentido para a vida, vais ver.
Espírito: Não me apetece fazer nada. Nunca gostei de fazer nada.
Doutrinador: Agora que estás aqui, vamos pedir a Jesus que te cure. Não ouviste falar nos milagres de Jesus?
Espírito: Então quem é que não ouviu?! Tens cada conversa!
Doutrinador: Acreditas que Jesus está aqui presente entre nós?
Espírito: Eu não sei. Se fosse na igreja acreditava. Aqui não sei.
Doutrinador: Não ouviste dizer que onde duas ou mais pessoas estiverem reunidas em nome de Jesus, Jesus está entre elas?
Espírito: Mas para isso é que existem as igrejas.
Doutrinador: Sim mas as pessoas podem estar reunidas até em casa.
Espírito: Sim, onde eu estava acendiam umas velas.
Doutrinador: E nós aqui vamos acender outro tipo de velas.
Espírito: Mas estas coisas são crónicas. Eu não tenho vontade para nada.
Doutrinador: Permites-me que eu peça a Jesus para te auxiliar, Jesus que é o médico das almas?
Espírito: Tu és capaz de pedir e Ele ouve-te?
Doutrinador: Ouve, sim. Vou dizer o ‘Pai Nosso’.

[O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’ e pede, com muita fé, por esta nossa querida amiga e irmã. De repente solta um grito de pavor.]

Espírito: Ai que eu estou vendo um Espírito!!! O que é isto?!!! Tirem-me daqui!!!
Doutrinador: Um momento, querida amiga.
Espírito: Eu estou vendo. Tu não estás vendo?!
Doutrinador: Sim, mas são médicos que te vêm auxiliar.
Espírito: Qual médicos?! Aquilo é um Espírito! Aquilo é um fantasma! Ai, que medo! Tira-me daqui!
Doutrinador: Tem calma.
Espírito: Eu estou vendo. Qual tem calma?! Não vês que é um Espírito? Vade retro, vade retro, vade retro! Ai, onde me meteram! É por isso que eu digo, o Espiritismo é coisa de Satanás. Tira-me daqui!
Doutrinador: Permites-me que eu fale com ele?
Espírito: Mas porque é que chamam Espíritos?
Doutrinador: Permites-me que eu fale com este nosso amigo?
Espírito: Fala lá tu com ele. Ele que saia daqui do pé de mim que eu não quero nada.
Doutrinador: Vou falar.
Espírito: Ai, que medo! Ai mãe, ai mãe, que medo! (respira fundo)
Doutrinador: Querido amigo: esta nossa irmã que está aqui presente está com uma grande dor de cabeça e tem vivido em sofrimento durante os últimos tempos. Sabemos que vens em nome de Jesus pois que, pelas vestes brancas e pela luz que irradias vens em nome de Jesus. Pedimos-te, em nome de Jesus que auxilies esta nossa querida amiga que não sabe nada da vida espiritual e que desconhece que já se encontra no mundo espiritual sendo ela própria um Espírito...
Espírito: Ah, eu?!
Doutrinador:... cujo corpo físico já ficou debaixo da terra há muito tempo...
Espírito: Olha! (espanto e admiração com as palavras do doutrinador)
Doutrinador: Ela desconhece essa situação.
Espírito: Não. Eu estou viva.
Doutrinador: Estás viva, sim, minha irmã.
Espírito: Toco-me e sinto-me. Então não falo?! Então os mortos falam? Olha que tu não estás a dizer coisa com coisa.
Doutrinador: Esse corpo não é teu.
Espírito: Ai não?!...
Doutrinador: Não.
Espírito: É emprestado...
Doutrinador: É ‘emprestado’, sim. Estás a falar através do corpo de uma médium.
Espírito: Ai... vejo espírito e oiço um maluco! Isto são coisas de doido!
Doutrinador: Olha, minha querida amiga, como te chamas?
Espírito: Sabes uma coisa (risos) com essa conversa até me está passando a dor de cabeça.
Doutrinador: Graças a Deus.
Espírito: Já não me dói assim muito. Tu és engraçado. Há anos que isto me anda a perseguir e agora...
Doutrinador: Estás a ver...
Espírito: Parece que está aliviada. Alguma coisa ganhei.
Doutrinador: Já não é mau. Diz-me agora uma coisa: já experimentaste falar com este nosso amigo que está aqui presente?
Espírito: Eu?! Até estou virada de lado para não o ver.
Doutrinador: Não faças isso.
Espírito: Ai, tenho medo.
Doutrinador: É um mensageiro de Jesus e mais hão-de vir.
Espírito: Ai, mas eu nunca vi Espíritos, nunca vi nada.
Doutrinador: Mas estás vendo agora.
Espírito: Ai, mãe, mas eu tenho medo. Olha ele ali! Ai, mãe. É que eu abro os olhos e vejo-o e mesmo de olhos fechados o vejo! Ai que desassossego.
Doutrinador: Mas eu ia informar-te de uma coisa: tu és um Espírito. Todos nós somos Espíritos imortais.
Espírito: Pois somos, mas deixa lá estar ele sossegado, que já morreu. Quero lá agora ver?! É quase transparente. Ai que aflição.
Doutrinador: Nunca ouviste dizer que a alma é imortal?
Espírito: Pois é, mas as alminhas são para estar no céu, quietinhas.
Doutrinador: E tu o que és, não és uma alminha?
Espírito: Eu sou quando morrer.
Doutrinador: Olha que o teu corpo físico já morreu há bastante tempo.
Espírito: Não morreu nada.
Doutrinador: Lembras-te onde vivias?
Espírito: Onde eu vivo. Vivo por aí. Olha lá este está-me a dizer que era ao pé da Escola.
Doutrinador: Ao pé da Escola (o doutrinador diz o nome da Escola)?
Espírito: Sim.
Doutrinador: Agora diz-me uma coisa: como é que vieste ter aqui comigo?
Espírito: Ai, eu tenho andado aqui com esta menina (elemento do grupo).
Doutrinador: Tens andado, muito bem. E achas isso natural?
Espírito: Eu estava lá na casa de um casal que é muito simpático (casal muito católico, amigo da irmã anteriormente citada).
Doutrinador: E vieste de lá.
Espírito: Vim com ela, que é muito boazinha.
Doutrinador: Sim senhor... vieste de lá.
Espírito: E quis vir com ela.
Doutrinador: Sim, mas não te lembras do teu nome.
Espírito: Sílvia.
Doutrinador: Dona Sílvia: acha natural andar na casa dos outros?
Espírito: Então, nós temos que estar acompanhados. Ninguém gosta de viver sozinho.
Doutrinador: Então num dia estás na casa de um, no outro dia estás na casa de outro. Se tivesses corpo físico achavas natural viver um dia na casa de um e outro dia na casa de outro?
Espírito: Ah, era o que eu fazia. O que eu faço.
Doutrinador: Achas natural estar agora aqui?
Espírito: Eu vim com ela. Mas sabes porque é que eu estou? É que aquilo na casa dela é um desassossego completo. Já não há privacidade nenhuma. São cães, são gatos, são pessoas. Aquela casa está invadida e... não gosto assim muito deles. Não são pessoas cá das minhas relações. Eu estava melhor com ela. Quando ela estava sozinha gostava mais. Então vim-me embora com ela.
Doutrinador: Então deixa-me dar-te uma informação que já te dei há bocado...
Espírito: Ela ia trabalhar e eu ficava lá sozinha.
Doutrinador: Muito bem, mas ficavas com depressão. Mais do que isso: ficavas com dor de cabeça.
Espírito: Olha, sabes que mais? Eu nem forças tinha para falar e agora até estou muito esperta.
Doutrinador: E tu não sabes porquê.
Espírito: Não.
Doutrinador: Deixas-me eu informar-te porquê?
Espírito: Sim...
Doutrinador: É que neste momento médicos e enfermeiros de Jesus estão aqui à tua volta.
Espírito: Não me grites que eu não sou surda.
Doutrinador: Desculpa, desculpa. Médicos e enfermeiros de Jesus estão aqui à tua volta.
Espírito: Não me digas que ainda há mais Espíritos aqui?!
Doutrinador: Há, sim senhora.
Espírito: Ai Jesus, valha-me Deus! Virgem Santíssima me acuda!
Doutrinador: E tu és um deles.
Espírito: Oh homem eu estou viva. Que mania a tua hã! Agora diz que eu estou morta!
Doutrinador: Tu usavas óculos?
Espírito: Usava, sim senhor. Uso, ai que coisa.
Doutrinador: E tu eras grande ou pequenina?
Espírito: Assim, assim.. Ai mas que perguntas!
Doutrinador: É que eu te informo que neste momento estás a falar através de uma médium.
Espírito: O que é isso?
Doutrinador: É uma pessoa que ‘empresta’ o corpo através da qual um Espírito como tu pode falar com pessoas que estão no mundo físico, como é o meu caso.
Espírito: Ai que confusão tão grande!
Doutrinador: Pois é, não percebes. Mas olha: aquela rapariga com quem tens andado e na casa da qual tens estado...
Espírito: Muito boazinha.
Doutrinador:... Exactamente. É uma pessoa que vive no corpo físico, ainda não morreu. Eu, que estou a falar contigo, tenho ainda corpo físico...
Espírito: E eu também.
Doutrinador: E tu tens corpo espiritual.
Espírito: O que é isso?
Doutrinador: O corpo espiritual é uma cópia exacta do corpo físico só que não é tão denso como o corpo físico, estás a perceber?
Espírito: Ai, tu sabes muito.
Doutrinador: É por isso que tu podes atravessar paredes. É por isso que tu podes atravessar portas.
Espírito: Olha lá que eu nunca tinha pensado nisso. E entro e saio, sem chave nem nada.
Doutrinador: E isso sucede porquê?! Porque já te encontras no mundo espiritual.
Espírito: Eu estou viva.
Doutrinador: Pois claro que estás. Então o espírito não é imortal? Tu és Espírito minha querida amiga.
Espírito: A gente pensa no Espírito assim como uma coisa...
Doutrinador: Como uma coisa do outro mundo, não é verdade? Não é nada do outro mundo, é deste mundo.
Espírito: Ah, sim!...
Doutrinador: Nós estivemos há bocado a ler o Evangelho Segundo o Espiritismo.
Espírito: Ai, lá vens tu outra vez com essa expressão. Se o meu padre te ouvisse! Se o meu padre te ouvisse corria contigo.
Doutrinador: Mas será que o teu padre não está também no mundo espiritual?
Espírito: Não!
Doutrinador: De certeza que ainda está aqui a dar missa, na igreja, aqui em (nome da cidade)?
Espírito: Sim!!!
Doutrinador: Bom, mas há padres que estão no mundo espiritual.
Espírito: Ai há?
Doutrinador: Sim.
Espírito: Hás-de apresentar-me um. Eu não sei. Eu ando aqui na Terra, vou aos sítios onde vai toda a gente...
Doutrinador: Permites-me que eu peça a Jesus que possa um senhor padre vir até aqui falar contigo?
Espírito: Sim.
Doutrinador: Então eu vou pedir.

[O doutrinador ora a Deus, Nosso Pai e a Jesus, Nosso Mestre, que permita que um amigo espiritual possa vir ensinar e esclarecer esta nossa querida irmã. Todos os elementos do grupo continuam concentrados emitindo vibrações de Amor sobre esta nossa irmã. Decorrem alguns momentos. Uma entidade com as vestes de padre aparece a esta nossa irmã que estabelece de imediato a conversação de que seguidamente reproduzimos o trecho que segue]

Espírito: Ai, graças a Deus! Ai (suspiro) senhor padre: eu estou muito desassossegada. Nem imagina! Eu tenho ouvido coisas esta noite que é de fazer bradar aos céus!... (...) Pois, isso é o que eu oiço sempre. Claro. Jesus está sempre presente. É isso o que eu oiço na missa, senhor padre. Nem imagina, olhe, desde ver fantasmas, a ver gente invadir-nos o nosso espaço, tenho gente de nariz empinado, aquilo é um desassossego. Chego aqui... estava calminha, estava bem... de repente espiritismo para cá, espiritismo para lá. Fantasmas! Agora dizem que eu não estou viva, quando eu estou viva. Até estou mais viva, pois eu não falava quase, estava sem forças para nada e até a minha dor de cabeça já lá vai, que Deus me ajude e que ela não regresse. Ai, senhor padre, eu estou muito baralhada. Tem que me ajudar, por amor de Deus. (...) Então quer dizer que é tudo verdade?! Ah... olha... oh senhor padre: nunca nos ensinaram nada disso. Olhe que nunca faltava! Eu ia todos os sábados e domingos! Eu nunca faltava a nenhum encontro! Nunca ouvi o senhor padre nem ninguém dizer nada disso! Só falam em alminhas, alminhas, alminhas... Isto é tudo novidade para mim! Eu estou muito baralhada. Ai há pessoas que também... Ah, o senhor padre também diz missa e há pessoas que como eu também vão à missa? Ah... eu não sabia. (...) Ai e ouvem-me e falam comigo? Pois eu realmente não falo com ninguém só oiço as conversas. Ai que bom. Ai senhor padre, mas que grandes novidades! Pois... Ah... Ai mãe, olha que uma destas eu não esperava nada. Mas há coisas muito estranhas! É, é verdade, eu não posso perceber tudo num dia, isso é verdade. Missas onde me informam destas coisas todas? Isso é que eu queria. Ai vou, pois claro que vou.
Tenho andado um bocado perdida, sem vontade para nada. Ainda por cima não consigo falar com ninguém, isto é uma tristeza muito grande. (...) Olhe pois é graças a Jesus, isso já percebi. Tenho que agradecer aqui a este amigo que ainda por cima eu não estava a tratar muito bem. Tenho que rezar uns pai-nossos para me penitenciar, que eu não estava a comportar-me muito bem com ele e, se calhar... pois... talvez... talvez estivesse a fazer mal às pessoas.
Eu não queria fazer mal a ninguém, senhor padre, mas se andar na Terra é passar o nosso sofrimento aos outros, pois realmente não devo andar, pois já basta o que eu sofro. Eu não fazia ideia, senhor padre. Eu peço desculpa a todos. E tu, minha querida menina, perdoa-me, pois, eu gostava de estar ao pé de ti, não sabia que te estava a fazer mal. Não acredites no que tens sentido porque isso são cá as minhas coisas, são os meus sofrimentos, o que eu passei e uma consciência que não está assim muito limpa... todos somos pecadores e.… não acredites que isso não és tu, sou eu. Eu é que não sabia. Se eu soubesse não ficava junto de ti. E tu, meu amigo, desculpa-me também porque... olha, afinal pois já pensei um bocadinho, já mudei um bocadinho de opinião olha que o espiritismo tem a sua razão de ser. Mas olha que os senhores padres não querem que a gente saiba nada disto. Aqui este senhor padre está-me a dizer que eles sabem todos mas não dizem. Mas deviam dizer. A verdade deve-se dizer sempre.

Doutrinador: Olha minha querida amiga, nós te agradecemos.
Espírito: Eu é que vos agradeço a todos.
Doutrinador: Nós agora vamos orar por ti.
Espírito: Muito agradecida. E não vos vou esquecer nas minhas orações e nas missas a que agora vou poder assistir.
[O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’, agradecendo a Deus pelas bênçãos recebidas, pela luz recebida por esta nossa querida amiga e todos os sofredores que se encontram presentes]

Retirado do livro: "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro [ainda não publicado]