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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Um amigo do Kosovo (5) - conclusão

Manifesta-se o Espírito Orientador da reunião:

Espírito Orientador:
“Boa noite meus amigos.
Que a Paz do Senhor fique convosco.
Deveis admirar-vos de vos encontrardes com um amigo vindo de terras tão distantes, mas deveis compreender que as condições de trabalho são muito difíceis naquela área. Muitos auxiliares se lá encontram em tarefas importantíssimas de auxílio aos mais carenciados na subsistência e também no sarar das feridas que se prolongarão por mais tempo do que julgais e do que os vossos olhos podem ver. Nunca sabereis as histórias de cada família, de cada ser humano, nem a História contará a verdade histórica daquele povo, daquelas cidades, daquelas aldeias, em que a fraternidade, se não existia, pelo menos a prática diária incentivava ao convívio e às boas relações entre vizinhos, que de um dia para o outro, sem bem saberem porquê se viram entregues ao ódio, à violência e à vingança gratuita, em nome de uma religião, de uma falsa religião, em nome de uma raça, como se o sangue do homem não fosse igual em toda a parte e como se Deus não chamasse a todos seus filhos.
Essa a lição a tirar e que um dia todos esses povos a terão de aprender. Ser-lhes-á muito difícil. Terão ainda muito que limar. Muitas reencarnações por fazer, de um e de outro lado, até compreenderem que nada de importante os separa a não ser uma cultura, provisória, porque é terrena, e que o céu dos muçulmanos é o céu dos cristãos, é o céu dos budistas, é o céu dos hinduístas, é o céu dos taoístas, é o céu de todos nós. Uns conquistam uns, porque mais talentosos, porque mais perto da perfeição. Outros ficam um pouco mais retardados, mas lá chegarão também a outros locais semelhantes onde encontrarão tarefas úteis a realizar segundo os seus aprendizados, e felicidade e a harmonia que a cada um pertencer. Este nosso amigo vai conduzido para um local intermédio situado mais ou menos por cima, digamos assim por nos faltar o vocabulário, da sua zona, do seu país que tanto ama. Ficará internado. Passará algumas feridas mais superficiais, essas as mais fáceis de curar. Irá à Escola aprender o Corão profundamente para conseguir um dia... (a médium tosse)
…. Perdoai, mas a médium ainda se encontra muito sensível.
.... Um dia esse amigo encontrará nas páginas douradas da sua religião a verdade que o salvará e encontrará as suas filhas que o esperam ansiosamente porque todas elas já perdoaram.”
Que a Paz fique convosco, meus amigos, agora e sempre...

Doutrinador – Obrigado, querido amigo, mas a crermos pelas notícias que ouvimos os ódios continuam...
Espírito Orientador - “Por séculos... E têm raízes que vêm desde há séculos. Deveis terminar a reunião para que a médium seja socorrida.”
Doutrinador – Obrigado, querido amigo.


[O doutrinador faz uma oração de encerramento, agradecendo a Deus as bênçãos recebidas.]

Extraído do Livro de Eduardo Guerreiro: "Encaminhamento Espiritual - Doutrinações", ainda não publicado.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Na escuridão


Na reunião da noite de 4 de Janeiro de 2010, tal como em muitas outras ocasiões, manifesta-se uma entidade em sofrimento, desconhecendo totalmente a sua situação. Não está só. Muitos outros Espíritos estão sendo auxiliados. Contudo, por decisão dos Amigos Espirituais, apenas este companheiro veio trazido ao choque anímico no corpo da médium. Todo o grupo se mantém em oração.

O doutrinador solicita à entidade que preste bastante atenção pois estão Espíritos Amigos que a querem auxiliar em nome de Jesus. A entidade apenas se queixa do estômago e diz que nada vê. Após a oração e vibrações emitidas pelos elementos do grupo este companheiro percebe a presença de Espíritos Amigos que o auxiliam. Manifesta-se, no final, o Espírito orientador dos trabalhos: “A porta estreita é o verdadeiro caminho para vencermos esses escolhos (egoísmo) e nos tornarmos mais felizes”.

Espírito: Não vejo nada. Hã, bateram-me no ombro. Há tanto tempo que ninguém me tocava. Sim, eu não sei de nada, tenho vivido assim sozinho, junto com as minhas dores. Não tenho visto nada nem ninguém. Agora estou a ver uma pessoa que diz que me quer ajudar. Isto é milagre, é milagre. Ou será que estou a sonhar. Ah, será que eu posso contar?

Eu preciso de tanto descanso. Preciso de descansar. Este amigo aqui diz que eu vou descansar. Vou recuperar. Ah, não acredito. É milagre. E vou ser tratado. Há um sítio próprio para isso onde há outros como eu. Eu não posso acreditar. Isto é milagre. É milagre. Eu vou, sim. Eu vou. Eu quase não posso andar.... Dizem-me para eu fazer um esforço para ir até à saída. Dizem-me que eu sou capaz.

O doutrinador agradece a Deus nosso Pai pela ajuda concedida a este irmão e pede por ele e por todos os sofredores presentes.

Manifesta-se o Espírito Orientador dos trabalhos:
Boa noite meus irmãos: Que a Paz do Senhor esteja com todos nós.

Inicia-se no calendário humano um novo ano cheio de esperanças, a renovação de projectos, concretização de sonhos e esperamos, que de conquistas. Conquistas em prol do bem comum, conquistas a favor da Humanidade, conquistas em prol da Paz e do Progresso. Que o Homem, cheio de erros, possa largar algumas dessas vestes e envergar outras veste no caminho do Bem, no caminho para Jesus, seguindo-lhe o exemplo a caminho da glória, aproximando-se um pouco mais de Deus. Que esse sonho possa concretizar-se neste Novo Ano.

Que Deus nos proteja e nos ilumine os passos em sua direcção, na conquista da felicidade interior, daquela que todos desejamos ainda que inconscientes, tantas vezes olhemos para o lado e escolhamos a estrada larga, aquela que nos parece cheia de prazeres, esquecendo que por cada luta contra nós mesmos, contra o egoísmo que nos mantém agarrados ao passado. A porta estreita é o verdadeiro caminho para vencermos esses escolhos e nos tornarmos mais felizes.
Que a Paz fique convosco, meus amigos, meus irmãos.
João

Extraído do livro: "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)


sexta-feira, 31 de março de 2017

Companheiro em fuga (4) - Conclusão

Manifesta-se o Espírito Orientador dos trabalhos:


“Meus irmãos: aqui nos encontramos hoje reunidos neste espaço agradabilíssimo rodeados de toda esta luminosidade que emana directamente do coração de Jesus.

Obrigado, Senhor por tanta benevolência, obrigado Senhor porque um dia vieste recordar-nos que Deus é Nosso Pai, sempre de braços abertos à espera de nosso regresso. Obrigada, Jesus porque Te ofereceste em sacrifício a um acto ignominioso cometido por toda a Humanidade e ofereceste em dádiva absoluta dizendo aos homens: “vós Me negais, vós Me crucificais, mas Eu vos amo meus irmãos”.

Somos todos irmãos de Jesus, todos irmãos do mesmo elo, no Amor de Deus, Nosso Pai Eterno.
Façamo-nos todos os dias um pouco mais merecedores de toda essa dádiva infinita, de todo esse amor incansável por todos nós seus irmãos caídos e que Ele sempre protege e a quem lança a mão, ainda que O recusemos.

Estamos aqui hoje reunidos para meditarmos em conjunto, independentemente das nossas raças, das nossas religiões, das nossas convicções, das nossas aquisições ou das nossas quedas, na responsabilidade que assumimos quando O reconhecemos e quando nas nossas orações nocturnas Lhe pedimos auxílio. O auxílio chega, sempre chega, independente de nossos erros, mas chega também a nossa responsabilidade por nossos actos diários, por nossos pensamentos, pela defesa da honra e da justiça, pela manutenção da ordem, sim, mas não pela manutenção da injustiça, da agressão ao outro, porque onde há alguém que comanda sem esse Amor no coração, há alguém que é comandado, que é humilhado, que é espezinhado quantas vezes, sendo conduzido à loucura, ao suicídio que tantos males acarreta e tem acarretado à Humanidade.

Meditemos, todos nós, nas consequências daquilo que escolhemos fazer em prol do meio em que nos foi dado viver, do lugar onde escolhemos desempenhar nossas profissões, desenvolvendo nossos talentos, doando-nos para o progresso e o bem-estar de todos.

Meditemos nas opções que fazemos e nas suas consequências, mas meditemos também, hoje, num aspecto muito pouco abordado em todas as igrejas terrenas: na permissão que todos nós, mas todos sem excepção, concedemos a essa mesma injustiça que grassa na Terra, usando argumentos, optando pelo mais fácil, não nos comprometendo com nada nem ninguém e nas mesmas consequências gravosas que essa nossa atitude, pela não atitude, traz também a toda a Humanidade.

Se uma pedra rola da montanha, por mais pequenina que ela seja, só pelo facto de rolar altera a estrutura da rocha onde se encontrava que não mais será a mesma, para não falar no caminho que essa pedrinha que mal se vê, desenvolve, dos obstáculos que percorre, das alterações mínimas que vai causando na crosta terrestre. Se ela não se mover nenhuma alteração se dará. É verdade que é pequenina, é verdade que é tão ínfima que ninguém dá por ela, mas o que fizermos num local, por mais distante que seja do Planeta, podemos ter a certeza que terá consequências do lado exactamente oposto pois tudo se encontra em movimento, nada é estático, meditai bem nisso.

Se o bem fosse estático então a nossa atitude correcta deveria ser o cruzarmos os braços perante aquilo que observamos, perante aquilo que nos é dado observar e optar. Somos todos responsáveis, meus irmãos, não duvideis disso.

Oremos sempre, pedindo nas nossas orações tudo o que pedimos habitualmente pelos nossos amigos, pelos nossos familiares, pelos nossos entes mais queridos deste ou do outro lado da vida mas incluamos nessas orações o pedido mais urgente para a Humanidade em turbação.


Orienta-me Jesus, orienta-me nas minhas acções diárias, nas minhas reflexões antes que nas minhas acções, para que elas representem, reflictam essas mesmas reflexões quando tiver que desempenhar a minha tarefa e que nessas reflexões eu Te não negue Jesus porque ao te negar um irmão ao meu lado, em sofrimento, eu estou negando toda a minha aquisição, todo o meu património adquirido em todas as vidas que já vivi e em todas Te encontrei, Jesus. Permite Jesus que eu não Te negue que eu possa defender Teu nome no meu lar, no meu emprego, na sociedade em que me foi dado viver. Não me deixeis seguir o exemplo de Judas para que não sofra os seus remorsos. Oh, que dor insofismável esse nosso irmão sentiu quando naquele momento capital em que lhe era pedido apenas que olhasse para Jesus e que O reconhecesse no seu coração, ele optou por aquilo que todos nós optamos: pelo comodismo, pelo favorecimento imediato que tantas consequências, meus irmãos, lhe trouxe durante tanto e tanto tempo. Não nos cabe aqui hoje analisar a história de Judas, apenas a mencionamos para que possamos, todos nós, evoluir um pouco mais cada dia e se for preciso duas orações, três orações, que possamos parar em vários momentos do nosso dia, no meio de nossos afazeres, por mais importantes que eles sejam para pedir a ajuda que nunca é negada.

Ajuda-nos Jesus, ajuda-nos para que possamos dizer bem alto: o meu irmão está aqui ao meu lado e eu estou a vê-lo; ele necessita de mim e eu dar-lhe-ei a mão, mas Tu, Jesus, estás aí na minha frente e eu amo-Te Jesus e digo bem alto a todos os que se encontram à minha volta: eu amo meu irmão necessitado, mas eu amo-Te Jesus.”

Extraído do livro "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

sábado, 25 de março de 2017

Companheiro em fuga (3)


Espírito: Temos que defender os nossos interesses, também. Se nós nos opusermos ao chefe não somos beneficiados. Ele vinga-se em nós.
Doutrinador: Isso é o ponto de vista egoísta. Mas deixemos agora isso para trás. Vamos ver outro ponto de vista. Tu foste funcionário público e agora estás no mundo espiritual. Tens a consciência de que estás no mundo espiritual, mas continuas agarrado à crosta terrestre e em sofrimento.
Espírito: Eu? Não.
Doutrinador: Olha, amigo, quem depois de desencarnar de encontra agarrado à crosta terrestre ou o ignora, ou se encontra em sofrimento e não o admite. Se tu queres, de facto, seguir Jesus, então tens que te elevar para poderes ser auxiliado em uma das muitas colónias espirituais e realizares um aprendizado...
Espírito:Ai, mas que sono me deu de repente(bocejos).
Doutrinador:... Para praticares a Caridade.
Espírito: Não, porque eu aqui sou muito útil.
Doutrinador: Mas poderás ser muito mais útil se antes receberes instrução. E tu necessitas dessa instrução.
Espírito: Eu não tenho tempo. Trabalho muito, não tenho tempo.
Doutrinador: Tens tempo, sim senhor. Para poderes ser útil tens que ter discernimento
Espírito:Está-me a dar um sono que já não consigo mais.
Doutrinador: Tu dizes que devemos orar e nós vamos orar.

[O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’ e pede por este nosso companheiro. Os elementos do grupo continuam em concentração enviando muita Luz sobre este amigo que é levado adormecido para um local de refazimento; o doutrinador agradece a oportunidade dada e a ajuda recebida. Passados alguns minutos manifesta-se o Espírito Orientador destes trabalhos.]


Nota: O diálogo atrás poderia continuar indefinidamente. A entidade, no fundo, pressentia que não podia continuar a adiar o inevitável – o caminho da Evolução. Nunca ficámos sabendo o que a impedia de se enfrentar a si própria, mas, certamente, trata-se um Espírito muito endividado que antevê o sofrimento que sempre acompanha o resgate de débitos anteriormente contraídos e dos quais está consciente.

(Continua)

Retirado do Livro: "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Companheiro em fuga (2)


Doutrinador: Sabes que estás no plano espiritual?
Espírito: Sei. E venho falar em nome de Jesus.
Doutrinador: E o que é que tens a dizer em nome de Jesus, querido amigo?
Espírito: Tenho a dizer que se tem que praticar o Bem.
Doutrinador: E a Caridade, não é verdade?
Espírito: E a Caridade. E temos que ser todos, todos, todos unidos. E respeitar as leis. E respeitar o chefe.
Doutrinador: Quem é o chefe?
Espírito: Em qualquer emprego tem que se respeitar o chefe e obedecer.
Doutrinador: Obedecer ao chefe... muito bem. Obedecer cegamente?!
Espírito: Obedecer à lei.
Doutrinador: Sim senhor... Quer dizer então que as pessoas não podem discordar do chefe?!
Espírito: Podem discordar, mas depois sofrem as consequências. O melhor é não se envolverem muito.
Doutrinador: Segundo eu posso entender o que tu defendes é a ditadura. A ditadura do chefe, claro está.
Espírito: Não. Não deturpes as minhas palavras.
Doutrinador: O que eu entendi pelas tuas palavras é que se deve sempre obedecer ao chefe...
Espírito: Se existe uma lei temos que a cumprir, é claro.
Doutrinador: E era o que tu fazias enquanto foste funcionário público, não é verdade?
Espírito: Temos que cumprir se quisermos manter esse emprego e se não quisermos conflitos com ninguém!
Doutrinador: Tu foste funcionário público no tempo de Salazar... Sabes que as pessoas que pertenciam à PIDE (polícia política) também eram funcionários públicos e torturavam pessoas. Achas que eles procediam bem?
Espírito: Eu não estou aqui para emitir juízos de valor sobre ninguém. Não devemos julgar ninguém. Quem somos nós para julgar alguém? Não devemos julgar ninguém.
Doutrinador: Isso não é bem assim. Depende da forma como se faz o julgamento. Claro que todos nós temos opinião acerca de alguém. Não se trata de incriminar, de condenar... Trata-se de avaliar. E todos nós temos a nossa capacidade de avaliação. Não somos seres autómatos, não é verdade? Um funcionário público...
Espírito: Tem que obedecer!
Doutrinador:... por ser funcionário público não tem que ser um autómato.
Espírito: Obedece e não se envolve em confusões.
Doutrinador: Obedecer significa para ti ser autómato, sem capacidade de julgar o que está certo e o que está errado.
Espírito: Não: significa cumprir.
Doutrinador: Não se envolver em confusões significa consentir tudo. E consentir o que está mal - e aqui discordamos de ti, querido amigo - é errado. Portanto nós devemos ter a nossa opinião própria para podermos discordar do que está errado.
Espírito: Do que é que serve discordar? Isso discorda-se no café, com os amigos.
Doutrinador: Tu dizes que segues Jesus. Mas se Jesus não discordasse do modo de vida do tempo d’Ele, se não tivesse dado o exemplo do Amor e da Caridade nós não teríamos o património que temos hoje. E Jesus teve que discordar. Jesus discordou dos fariseus e chamou-os, inclusivamente, de hipócritas. Discordou deles porque não estava de acordo com eles. Por isso foi crucificado.
Espírito: Mas nós não somos Jesus.
Doutrinador: Não somos Jesus, mas queremos seguir Jesus. Não seremos hoje crucificados no sentido em que Jesus foi. Mas podemos sê-lo de outra forma. Devemos defender a Justiça. Aliás o Mestre disse ‘Bem aventurados aqueles que padecem por amor à Justiça’. E nós lutamos por aquilo que achamos justo, que está de acordo com as leis de Deus, do Amor e da Caridade. Foi isso o que Jesus fez. No meio daquela turbulência em que Ele vivia o Mestre soube destacar-se das massas e dar o exemplo. Deixou um pequeno grupo de seguidores.
Espírito: São sempre poucos. Falam, falam, falam, mas são sempre poucos.
Doutrinador: Deixa estar, não te preocupes.
Espírito: Esses que arriscam são sempre poucos. Nós temos família.
Doutrinador: Não te preocupes.
Espírito: Nós temos deveres para cumprir.
Doutrinador: Também os discípulos de Jesus tinham família, não é verdade? Nos séculos que se seguiram muitos e muitos discípulos de Jesus tinham família e lá por isso não deixaram de seguir Jesus.
Espírito: Mas nós podemos praticar a Caridade de outra forma: fazendo orações.
Doutrinador: Sim, isso é, digamos uma forma passiva. Mas há formas activas. A Caridade não se resume à oração.
Espírito: A oração resolve tudo.
Doutrinador: Não, a oração não resolve tudo, amigo. Ajuda-nos a resolver.
Espírito: A oração resolve tudo. Resolve tudo.
Doutrinador: A oração ajuda, amigo. Com a oração atraímos os Bons Espíritos que nos dão as boas intuições. Mas somos nós que temos que realizar. Nós temos o nosso livre-arbítrio. Mas não podemos ficar parados. A oração é uma poderosa alavanca.
Espírito: Então, se eu tiver que passar, passo.
Doutrinador: Se tivermos que passar por determinada provação, passamos, isso não há dúvida. Tens razão. Mas deixemos agora isso que poderíamos estar aqui a debater durante horas e vamos lá a ti, em particular.
Espírito: Eu não quero falar de mim. Eu só vim aqui dizer para o aceitarem, para o ouvirem.
Doutrinador: Nós ouvimo-lo, mas isso não quer dizer que estejamos de acordo.
Espírito: Mas isso causa mal-estar.
Doutrinador: O que estás a querer dizer é que nós temos que obedecer a ele e isso, caro amigo...
Espírito: Temos que concordar uns com os outros.

Doutrinador: Não é bem assim. Podemos concordar ou não, depois de um debate. Depois de analisarmos os prós e contras. O que estás a dizer é que temos que obedecer e aí, caro amigo, podemos obedecer ou não, depende da finalidade.

(CONTINUA)

Extraído do livro "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

quarta-feira, 15 de março de 2017

Companheiro em fuga (1)


Na reunião do dia 8 de dezembro de 2005 manifestou-se um companheiro que se declarava amigo de um dos componentes do grupo, reclamando que não lhe davam o devido valor no local de trabalho e defendendo que era necessário ‘obedecer ao chefe’. Após extenso diálogo, argumentou que tudo se resolvia com a oração.
Quando o doutrinador o solicitou que falasse sobre si próprio, recusou-se. Perante a insistência, caiu em sono profundo, em espectacular processo de fuga. Foi transportado para um posto de socorro da espiritualidade.
Seguiu-se a intervenção do Espírito Orientador dos trabalhos que, de acordo com as suas palavras nos “encontramos hoje reunidos neste espaço agradabilíssimo rodeados de toda esta luminosidade que emana directamente do coração de Jesus”. Sua intervenção é, simultaneamente, uma prece.

(...)
Doutrinador: Tens razão.
Espírito: Eu estou aqui por bem.
Doutrinador: Ainda bem, querido amigo.
Espírito: E venho em defesa do nosso amigo R (elemento do grupo).
Doutrinador: Ainda bem, amigo. Então diz lá.
Espírito: Ele é muito, muito, muito boa pessoa e muito dedicado. É muito bom pai. É muito responsável. Não deve de maneira nenhuma ser agredido. Os amigos têm que ter muito cuidado.
Doutrinador: Com certeza, amigo. Ninguém quer agredir quem quer que seja. Tu achas que ele foi agredido?
Espírito: Acho que o andam a combater.
Doutrinador: E quem é que o combate, amigo.
Espírito: Vejo, vejo e ele é muito valioso.
Doutrinador: Tu tens acompanhado o amigo R.?
Espírito: Eu acompanho-o por todo o lado.
Doutrinador: És amigo dele não é verdade?
Espírito: Podes dizer assim.
Doutrinador: Ninguém te enviou para junto dele ou foste tu que tomaste a iniciativa?
Espírito: Isso são pormenores dispensáveis.
Doutrinador: E tu achas que alguém o agrediu?
Espírito: Ele é muito útil.
Doutrinador: É muito útil em que tarefas?
Espírito: Naquelas que são importantes.
Doutrinador: E, na tua opinião quais são as importantes?
Espírito: Isso...
Doutrinador: São tarefas em nome de Jesus?
Espírito: Jesus é o nosso Guia. E temos que evoluir.
Doutrinador: Dou-te razão, amigo: temos todos que evoluir. Mas quem é que anda a combater o amigo R.?... isso desperta a nossa curiosidade...
Espírito: Quem o contraria. Quem o quer desviar de determinados caminhos.
Doutrinador: Dos caminhos de Jesus não é verdade? Uma vez que Jesus é o nosso Guia, os caminhos a seguir são os caminhos de Jesus.
Espírito: Ele é bom. Não faz mal a ninguém.
Doutrinador: Ninguém diz o contrário, querido amigo.
Espírito: Devem dar-lhe mais valor.
Doutrinador: Achas que nós o desvalorizamos?
Espírito: Não lhe dão o valor que ele merece.
Doutrinador: Na tua opinião o que é que seria dar-lhe mais valor?
Espírito: Ouvi-lo. Concordar mais com ele...
Doutrinador: Mas se a pessoa discordar é obrigada a concordar?
Espírito: Não devem discordar. Não faz mal a ninguém.
Doutrinador: Mas, ouve: nem todos têm a mesma opinião. E se há uma outra pessoa que não tem a opinião que ele tem é natural que discorde. Porque as pessoas não podem estar submetidas a uma única opinião, não é verdade?
Espírito: Ele é de muita valia.
Doutrinador: Ninguém está a dizer o contrário.
Espírito: Está a ser muito útil.
Doutrinador: Está a ser muito útil a quem?
Espírito: A quem é importante.
Doutrinador: E quem é que é importante, na tua opinião?
Espírito: As pessoas que querem transformar aquele (local de trabalho).
Doutrinador: E quem são as pessoas que querem transformar aquele (local de trabalho)?
Espírito: As que dirigem, pois quem havia de ser mais?
Doutrinador: Ele é muito útil para quem dirige (nome do local de trabalho), não é verdade?
Espírito: Claro.
Doutrinador: Pois, muito bem. E tu vieste em nome dessas pessoas...
Espírito: Eu vim em meu nome.
Doutrinador: Em nome pessoal?!
Espírito: Também me interessa que aquele (local de trabalho) mude.
Doutrinador: Mas mude em que sentido?
Espírito: Que haja mais disciplina.
Doutrinador: Diz-me uma coisa: o que é que te move em ter assim tanto interesse pela disciplina daquele (local de trabalho)?
Espírito: O bem de todos.
Doutrinador: Muito bem. O bem de todos é o bem da sociedade, na tua opinião?
Espírito: Temos que cumprir a lei. As leis fizeram-se para ser cumpridas.
Doutrinador: Mesmo as leis que estão mal feitas...
Espírito: São leis. Temos que as cumprir.
Doutrinador: Oh, querido amigo: se vivesses no tempo do nazismo defenderias as leis nazis...
Espírito: Não venhamos com suposições.
Doutrinador: É que nem toda a lei humana é justa.
Espírito: Mas nós somos funcionários públicos. Temos que as cumprir.
Doutrinador: Está bem. E tu és funcionário público?
Espírito: Já fui.

(continua)


Retirado de "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ignorância total e surpresa assombrosa (IV) - conclusão


[O doutrinador ora a Deus e a Jesus a oportunidade dada, pedindo muita Luz por este amigo e por todos os outros amigos presentes]

Passados alguns minutos, manifesta-se o Guia Espiritual orientador destes trabalhos.

“Boa noite, meus amigos.
Que a Paz nos envolva a todos. Que Deus esteja connosco hoje e sempre.

Vede este pequeno animal (1) que na sua inocência se entrega àquilo que são as suas brincadeiras próprias do seu estado de evolução, comparecendo no local que o atrai por instinto, mas que não lhe permite ainda abarcar na sua imensidão, na sua alta dimensão e muito menos perceber que um dia também ele evoluirá.

Também nós, durante milhares de anos procurámos Deus por instinto, faltando-nos, na nossa inocência dos assuntos espirituais, a necessária compreensão dos fenómenos e de todo o processo evolutivo. Agarrámo-nos a superstições, criámos deuses que nos protegiam dos medos de tudo o que era desconhecido, descobrimos falsas teorias que nos satisfizeram a inteligência de então.

Vede este pequeno amigo puro e inocente na sua ignorância, que apenas se não libertou de alguns efeitos do corpo físico porque até desconhecia até a sua própria condição de ser espiritual. Bastaria que o tivesse percebido para poder erguer sua mente a Deus e receber, assim, o auxílio através da abertura da visão espiritual.

Assim, cegos para a Verdade, ignorantes no conhecimento, preguiçosos para o aprendizado, renitentes no erro, caminhamos todos em direcção da Luz da iluminação e connosco, nosso querido Planeta, que tanto nos tem favorecido nessa caminhada. Somos seus habitantes e ele o local adequado ao nosso estádio intelectual, espiritual, moral, em todas as vertentes do nosso desenvolvimento, incluindo a nossa estrutura física.

Mas todos estamos condenados a essa evolução e um dia chegará em que não mais encontraremos amigos desconhecendo regras das mais básicas, em que não mais encontraremos o mal capeando à solta e sem controlo porque o Homem saberá antecipadamente quais as consequências de cada erro que comete e se autocontrolará, se disciplinará e se reformará no caminho certo em direcção ao outro seu vizinho mas seu irmão, seu colega de trabalho mas seu irmão, seu inimigo, seu opositor, mas seu irmão, mesmo assim.

Quando esse dia chegar, também nosso Planeta mudará.

Aliás fazem-se sentir já algumas alterações porque tudo tende ao equilíbrio e não podemos habitar um planeta dissemelhante de nossa ilusão. Tudo se aproxima. Nós do conhecimento, o científico, o tecnológico, sempre à frente, é verdade, mas também a descoberta das verdadeiras leis da vida. 

Não haverá mais lugar aos trapaceiros, aos charlatães, aos que vendem Jesus no Templo e a felicidade será também deste lado. Trabalhemos, então, meus irmãos, todos em uníssono para que esse dia não chegue amanhã mas chegue hoje porque quando nós mudarmos o nosso Planeta mudará e aprenderemos a viver em Paz e Harmonia, sintonizados com Deus amando ao próximo e lutando para o nosso aperfeiçoamento e para o aperfeiçoamento do mundo onde nos foi dado viver. De um e do outro lado da vida a comunicação far-se-á de forma mais directa muito mais facilmente porque estaremos todos sintonizados com o Bem.

Que a Paz fique com todos, meus irmãos.

Recomendo apenas que cuideis do vosso corpo físico pois ele é um bem que vos foi entregue e que devemos preservar. Precioso auxiliar para a correcção de nossas imperfeições.”


(1)   O Guia Espiritual refere-se a um gatinho jovem que havia entrado no recinto da reunião e estava, naquele momento, a brincar com algo que estava no chão.

Retirado do livro de Eduardo Guerreiro: "Falando com os Espíritos" (ainda não publicado)

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Ignorância total e surpresa assombrosa (III)


Espírito : Pois, se eu a estou a ver (tosse) é a bronquite, não me larga nunca. Pois, cá vamos indo, como Deus quer... Hum... ai é assim? ... hum... ai também têm hospitais? Isto aqui é muito organizado, não é como lá no Centro de Saúde onde a gente espera não sei quantos meses para ser atendido... olhe lá que eu nunca pensei. Eu morria, morria, pensava que se ia para o céu, nunca pensei nessas coisas... hã, hã... ai também está o pai? Veja lá você. Há tantos anos... quem havia de dizer que ia ver o pai outra vez. Isto há lá coisas!... Mas não nos contam isto. Se contassem já não éramos tão ignorantes... Pois... eu ainda tenho aqui um bocadinho mas já me sinto um bocadinho melhor... parece que já tenho aqui uma certa sensibilidade... há aqui alguma coisa que está a mudar. Vou, claro que vou... e vou já ao médico, a ver se ele me pode curar. Já estou farto de ter a boca ao lado, de comer só de um lado... isto não é vida. Hum... hum... ai vou ver mais gente? Isto é muito animado, o Céu. Ora o que é que eu fiz tanto tempo?! Se eu soubesse tinha vindo mais cedo... Vou-me já embora. Só tenho que agradecer a Deus? Eu agradeço a Deus já. E aos anjos todos! Porque eles salvaram-me... Afinal há Paraíso... eu é que não sabia. Isso a mãe ensina-me a orar. Então a mãe ensinou-me quando eu era pequenino. Já esqueci essas orações todas. Ensina-me a orar. Olhe, ensine-me como se eu fosse pequenino. Sim, lembro-me... ai.. essa canção! Essa, essa, eu lembro-me, essa que fala de Jesus. Eu escuto, eu escuto até ao fim. Essa lembro-me. Era a canção para eu dormir (Passam alguns minutos; a entidade parece repetir o que sua mãe lhe vai ditando) Agradeço a todos os que me ajudaram. Muito obrigado, amigos. Não vos conhecia mas foram meus amigos. Vou-me embora. Vou viver. Agora é que eu vou viver.


Doutrinador: Tens razão, amigo, agora é que vais viver. Pedimos-te perdão porque alguns dos teus espantos nos provocaram sorrisos. Vamos agora orar a Deus, Nosso Pai.

(Continua)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Ignorância total e surpresa assombrosa (II)


Espírito : Ai!... Pois se a minha mãe já morreu!!! Isto não é boa coisa! Ai!!! Deus! O que é isto?!!! Que ventania se levantou! Então eu agora estou vendo mortos?! O que é que se passa aqui?! Onde é que eu estou???!! Olha que eu já tenho uma certa idade e nunca vi uma coisa assim!!! Oh, mãe vá lá para o sítio onde Deus a tenha! Deus a conserve muitos anos. Agora estou a vê-la depois de tantos anos que morreu?!
Doutrinador: Fala com ela porque ela não está morta, não. Está bem viva.
Espírito : Mas deveria estar lá com Deus!...
Doutrinador: O que morreu foi o seu corpo físico.
Espírito :... Não tem que vir agora para aqui apoquentar os que estão vivos...
Doutrinador: Ouve: ela está viva.
Espírito : Ela já morreu. Grande confusão!
Doutrinador: O que morreu foi o corpo físico, amigo.
Espírito : Chama-lhe o que quiseres. Então eu enterrei a mulher!
Doutrinador: Ouve: tu já reparaste, joga lá a mão à tua cabeça.
Espírito : Eu não sinto metade da cabeça.
Doutrinador: Então joga lá a mão à outra metade.
Espírito : O que é que tem?
Doutrinador: Vê lá: usavas o cabelo comprido?
Espírito : Não. (a entidade passa a mão pelo cabelo da médium). Ai, (espanto) tenho que ir ao barbeiro. Mas que esquecimento. Isto está aqui uma cabeleira! Ai (espanto) mas que grande cabeleira! Ai!... Por todo o lado! Ai, que isto quase parece cabelo de mulher!!! Quem me vê o que é que haverá de pensar!!! Ai valha-me Deus! Isto já é da idade! É da idade! Eu já ando muito esquecido! Não sei porque é que ninguém me disse ainda nada!
Doutrinador: E vê lá se tens a barba comprida.
Espírito : Não, a barba está feitinha. Isso não me esqueci. Está feitinha. Até tenho a cara muito lisinha.
Doutrinador: Se calhar não tens barba?
Espírito : Tenho...Respeito, porque eu já sou um senhor com uma certa idade!
Doutrinador: Sim. Com certeza... Agora experimenta lá a apalpar o peito.
Espírito : O peito? Bem, tenho este lado paralisado... Ai, o que é isto? Agora aumentei o... as mamas? Aiiiiiiii!!!! Ai, que é isto?!!!! Mas o que é que me fizeram???? Eu vejo a minha mãe, tenho mamas, tenho o cabelo grande!!!! Aiiii!!!! Que desgraça!!! Agora depois de velho é que me havia de acontecer uma coisa destas!!!!... Mas eu não estou maluco!!! Então vão-me internar com esta idade!!! O que é que se passa aqui??? O que é que se passa com a minha cabeça? Deixa-me lá ver outra vez... Eu tenho mamas! Ai mãe, Ai mãe! Que vergonha! Que vergonha! O que é que hão-de dizer os meus amigos?! Que vergonha! Eu sempre fui um homem de respeito! Que vergonha! Ai que já não posso sair à rua! Ai, mãe! Foge daqui, foge daqui. Não quero que me olhes assim!
Doutrinador: Olha, amigo...
Espírito : Ai, mãe!...
Doutrinador:... não me leves a mal. Deus está connosco. Essa tua surpresa é natural. Neste momento estás a falar comigo que estou no corpo físico ainda...
Espírito : Eu também, mas este corpo não é meu!
Doutrinador: Ora bem, era isso que eu te queria explicar. Tu estás a falar através do corpo de uma médium...
Espírito : Hã!??
Doutrinador:... que é uma pessoa que permite que pessoas que já estão no mundo espiritual, isto é, cujo corpo físico já morreu, como é o teu caso...
Espírito : Eu???!!
Doutrinador: Sim. Tu é que não tomaste consciência disso.
Espírito : Então eu já morri?
Doutrinador: Tu não morreste. O corpo é que morreu. Neste momento não tens corpo físico. És alma. Tu nunca ouviste dizer que a alma é imortal?
Espírito : Pois dizem isso...
Doutrinador: Ora bem, é por isso que estás aqui, porque és uma alma imortal.
Espírito : Mas eu estou aqui, onde? Eu não estou a entender.
Doutrinador: Olha, nós estamos em reunião...
Espírito : Mas então eu estou vivo ou estou morto?
Doutrinador: Tu estás vivo...
Espírito : Mau, mau...
Doutrinador: Olha, amigo, o corpo é como uma roupa. Quando essa roupa se gasta...
Espírito : Vai para o cemitério...
Doutrinador:... vai para o lixo. Como o corpo. Quando o corpo se gasta...
Espírito : Não me lembro de ter sido enterrado.
Doutrinador: Pois não...
Espírito : Bem, se fui enterrado não me lembro.
Doutrinador:... o corpo foi enterrado. Mas a prova de que estás vivo é que estás aqui a falar connosco.
Espírito : Mas estou vivo ou estou morto?
Doutrinador: Amigo, o corpo está morto. O que é eterno é a alma.
Espírito : Mas eu falo.
Doutrinador: Claro que falas.
Espírito : Então estou vivo.
Doutrinador: Pois estás vivo. O corpo que possuis é um corpo espiritual.
Espírito : Então o corpo espiritual é de mulher?!!! Antes não quero estar!...
Doutrinador: Não é de mulher.
Espírito :... Eu não quero ser mulher! Então a gente chega ao céu e muda de sexo?
Doutrinador: Não é nada disso. Para poderes falar comigo, que ainda estou no corpo físico, tiveste que utilizar o corpo de uma médium, que é mulher.
Espírito : Eu estou dentro do corpo de uma mulher?
Doutrinador: Tu neste momento estás usando as cordas vocais de uma médium que é uma pessoa que permite transmitir as tuas palavras para o mundo daqueles que ainda estão no corpo físico, dos ‘vivos’, digamos assim.
Espírito : Ai esta não sou eu?
Doutrinador: Não és, não és.
Espírito : Ai!!! Já estou mais aliviado!!!
Doutrinador: Não és, não senhor!
Espírito : Ai, que alívio, que alívio!
Doutrinador: Continuas a ser o mesmo.
Espírito : Que alívio! Que alívio!
Doutrinador: Pois é, amigo...
Espírito : Eu destas coisas não percebo nada, mas já percebi que não tenho mamas.
Doutrinador: Podes ter a certeza. E podes fazer outra coisa...
Espírito : Oh minha senhora, desculpe, eu não devia apalpá-la...
Doutrinador:... pergunta à tua mãe...
Espírito :... desculpe, porque eu nunca apalpei ninguém.
Doutrinador: Deixa estar, deixa estar, não te preocupes...
Espírito :... eu não sabia.
Doutrinador:... não te preocupes. Está aqui a tua mãe, que é o mais importante de tudo.
Espírito : Ela está-se a rir! Mas ela sempre foi assim, brincalhona.
Doutrinador: Por causa do teu espanto, sabes? Por causa do teu espanto. Mas uma coisa já sucedeu: já te sentes melhorzinho. Verdade ou mentira?
Espírito : Ai, só de pensar que não sou mulher já me sinto melhor!
Doutrinador: Sim, mas não só. Daquilo que sentias ao princípio já... (a entidade tosse)
Espírito : Ainda tenho cá as minhas bronquites.
Doutrinador: Sim, isso é verdade. Mas agora fala lá com a tua mãe que se está a rir da situação.
Espírito : Bem, eu já não sei se estou morto ou se estou vivo. Para mim os mortos estão no céu. Pelos vistos eu já morri e não dei por nada.
Doutrinador: Fala com ela que ela explica-te.


[Em seguida a entidade dialoga com a mãe...] 

(Continua)