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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Andou como um macaco e ladrou como um cão


A mediunidade é, em si, neutra. É uma faculdade orgânica que todos nós possuímos em maior ou menor grau. Contudo, apenas designamos de médiuns aquelas pessoas que apresentam essa faculdade de forma mais ou menos ostensiva. A mediunidade, tal como vulgarmente a entendemos, é uma bênção se colocada ao serviço do próximo de forma honesta e dedicada.

O médium sofre, por vezes, a incompreensão dos que o rodeiam. Umas vezes é desprezado ou mesmo caluniado; outras é adulado. Sofre quando é assediado por Espíritos inferiores e sofredores, mas tem, também, as suas alegrias pelo ânimo e incentivo que lhe é transmitido pelos companheiros da espiritualidade que trabalham no exercício da Caridade com Jesus, seja no Centro Espírita, no Terreiro de Umbanda, nos círculos católicos ou outros quaisquer, pois nem os médiuns nem a Caridade, por definição desinteressada, é exclusiva deste ou daquele grupo.

Temos, contudo, que reconhecer que a actividade mediúnica bem orientada (que exige estudo continuado) só pode ser exercida num Centro Espírita bem orientado, recorrendo às obras da Codificação de Allan Kardec e outras obras complementares vindas, quer da Espiritualidade através da psicografia de médiuns de reconhecida credibilidade, quer de companheiros encarnados que estudaram seriamente o assunto.

Decorre, do que temos vindo a referir, que a mediunidade é, pela sua própria natureza, gratuita. Dar de graça o que de graça se recebeu. Este o lema.

Serve esta introdução para relatarmos um facto que ocorreu em meados da década de 80 numa cidade de Portugal.
Nesta cidade funcionava, então, um centro de Umbanda bastante evangelizado, voltado para o exercício da Caridade e atendendo pessoas que colocavam problemas da mais diversa ordem: desde problemas de saúde, a problemas de natureza espiritual e mesmo a problemas puramente materiais.
De todos os que tivemos oportunidade de presenciar, as entidades que se manifestavam ouviam, pacientemente, quem as procurava, dando conselhos, mesmo que muitas das solicitações feitas nos parecessem frívolas ou absurdas.

Para nós, espírita e estudioso da Codificação de Allan Kardec, muitas das questões que algumas pessoas colocavam, por vezes, às entidades (Espíritos incorporados) que se manifestavam, pareciam-nos um abuso da boa-vontade das mesmas. Contudo, nunca vimos qualquer atitude ríspida por parte delas. Eram o que se poderia chamar de Espíritos Bons. Muito terra-a-terra, mas bons. O que, aliás não era de admirar, pois as pessoas que integravam esse centro de Umbanda eram, genuinamente, boas pessoas. Pessoas simples, sem estudos, sem graus académicos, mas humildes e com ‘bom fundo’.

O mesmo não se pode dizer de alguns e algumas consulentes que lá apareciam. Um caso houve, do qual nunca mais nos esquecemos.

Uma senhora, que era vendedora no mercado da cidade, oferecia os seus préstimos às clientes para resolução de problemas que estas lhe apresentavam. Para cada cliente que lhe apresentasse um problema, ela ia dizendo que não podia dar a resposta de imediato, mas que, na semana seguinte, lhe diria alguma coisa. E assim era.

No sábado à noite ela ia ao centro de Umbanda, colocava as questões das suas clientes às entidades manifestantes e, na semana seguinte, dava essas respostas, que havia recebido no centro, às clientes que lho haviam solicitado anteriormente. E com este procedimento ia fazendo o seu negócio.

A situação foi perdurando no tempo até que os trabalhadores encarnados do Centro vieram a descobrir o tráfico.

E colocaram a questão a uma entidade que se manifestava como preto velho.

- Nós sabemos, minha filha, nós sabemos. Mas deixe estar que essa filha vai ter a lição que merece. – respondeu a entidade espiritual.

No sábado seguinte lá compareceu essa infeliz irmã com intenções pouco honestas. Mas, oh surpresa! Foi tomada de convulsões. Dobrou-se. Colocou-se de joelhos, apoiando as mãos no chão e foi gatinhando para a saída.

Segundo um dos trabalhadores do centro, nosso amigo, essa irmã: andou como um macaco e ladrou como um cão.

Moral da história

1. Podemos esconder as nossas intenções, palavras e actos perante os homens, mas não o poderemos fazer perante os Espíritos e, muito menos, perante Deus.

2. Os Espíritos são pessoas desencarnadas. Com as mesmas qualidades e defeitos, mas com uma outra visão, mais alargada que aquela que nós outros possuímos.


Retirado do livro “Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos”, de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

sábado, 8 de abril de 2017

A limpeza da casa


Um casal de meia-idade contactou-nos, pois achava que o ambiente em casa estava pesado. Recomendámos que fizessem o Evangelho no Lar regularmente, uma vez por semana. Indagaram-nos se era possível a nossa presença e nós não dissemos que não.
Lá fomos, durante várias semanas, participar na realização do Evangelho. O filho e a filha do casal, adolescentes de 18 e 19 anos, não participavam. Talvez se recusassem. Ou talvez os pais não os motivassem o suficiente, explicando-lhes a importância e a necessidade de realização do mesmo.
Como a situação não se alterava e o ambiente continuava pesado, segundo informação que nos era prestada, pedimos auxílio a um Centro Espírita, indagando se era possível uma reunião mediúnica nessa casa, com a presença de médiuns ostensivos, isto é, de pessoas através das quais os Espíritos eventualmente presentes se pudessem manifestar e dialogar com nós outros.
A resposta foi positiva e agendámos o dia para a realização dessa reunião.

Compareceram alguns elementos do Centro, a que nos juntámos nós três, os participantes nas reuniões do Evangelho no Lar inicialmente contactados pelos donos da casa.
Durante a reunião manifestaram-se entidades que confessaram estar ali porque tinham sido chamadas. Ficámos intrigados. Contudo, as entidades foram encaminhadas e o ambiente ficou mais leve, segundo informação posteriormente prestada.

Nós, os três participantes nas reuniões do Evangelho no Lar, encontrámo-nos naquele sábado com o objectivo de nos deslocarmos ao referido Centro Espírita que se situava numa cidade a dezenas de quilómetros da nossa residência habitual.

Durante o trajecto fomos conversando sobre assuntos variados, nomeadamente, sobre a situação espiritual daquele lar que tanto nos intrigava. Em determinada altura diz um dos ocupantes da viatura em que nos deslocávamos: Sabem… ultimamente tenho tido sonhos muito esquisitos, envolvendo sexo. Não consigo explicar a razão de ser desses sonhos. Nós outros, que até então não tínhamos feito quaisquer referências às nossas vivências pessoais, confirmámos, igualmente, que nos últimos tempos tínhamos tido também sonhos do mesmo género.

Concluímos que não se tratava de coincidência e que estariam, eventualmente, ligados a trabalhos espirituais nos quais estivéssemos participando. Mas quais? Não sabíamos dar resposta.

A explicação surgiu mais tarde, precisamente através do dono da casa onde havíamos realizado as reuniões do Evangelho no Lar, bem como a reunião de desobsessão.

Contou-nos ele que apanhou o filho e a filha a assistirem a filmes pornográficos, com os respectivos namorada e namorado, trancados no quarto. Ficou sabendo, igualmente, que o faziam com regularidade.
Ao fazê-lo, atraíam entidades afins, viciadas no sexo, que causavam tantas perturbações na casa, tanto mais que o senhor, o pai, era possuidor de uma mediunidade descontrolada.

Explicava-se, deste modo, a razão de ser dos nossos sonhos, envolvendo cenas de sexo libertino, confirmando-se, assim, que estavam, de facto, relacionados com os trabalhos espirituais que haviam sido executados.


Moral da história


Somos nós que escolhemos as companhias espirituais de que nos fazemos rodear, bem como aquelas que frequentam a nossa casa. Por outras palavras – somos nós que as convidamos. E tanto podem ser boas como más, consoante os nossos pensamentos, palavras e acções. Numa família onde haja harmonia e equilíbrio e onde regularmente se pratique o Evangelho no Lar, podemos assegurar que as presenças serão sempre boas e o ambiente nunca será pesado, para usarmos a expressão daquele casal amigo.

Extraído do livro: "Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos", de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Livros Espíritas já publicados

Dois livros espíritas têm chamado a atenção dos companheiros de Ideal:





Podem ser adquiridos junto do autor, da Editora ou de livrarias on-line.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Espíritos assustadores


Era colaborador num Centro Espírita. Sensitivo. Mas tinha um tique muito peculiar. Sempre que sentia alguma aproximação espiritual, dava um salto, como se fora impulsionado por uma mola, estendia os braços com as mãos espalmadas para diante e esbugalhava os olhos para um ponto distante no infinito.

Quem não conhecesse este seu modo de actuar, sendo apanhado desprevenido, ficava no mínimo surpreendido, para não dizer assustado.

Muitas foram as vezes que os seus companheiros o advertiram, sem sucesso, para se controlar. O hábito de saltar, estender os braços com as mãos espalmadas e olhos arregalados, como se quisesse parar algo invisível, continuou. Os trabalhadores do Centro desistiram de o fazer mudar de comportamento.

As reuniões públicas nesse Centro começavam, invariavelmente, à mesma hora, em determinado dia da semana. A sala era relativamente pequena. Após estarem acomodados os participantes, pontualmente e antes da oração inicial, a porta era encerrada e ninguém mais entrava.

Naquele dia, alguém que não conhecia as regras da casa, chegou atrasado. Encontrando a porta da rua fechada, bateu. A ordem era para não abrir. Mas, perante a insistência e o transtorno que estava causando, os responsáveis da Casa Espírita resolveram, excepcionalmente, abrir a porta ao visitante inoportuno.

O confrade, que vimos citando, ofereceu-se para o fazer.

O visitante era, afinal, uma senhora. Vinha ao Centro pela primeira vez. Mas deveria vir acompanhada por entidades espirituais, a julgar pela habitual reacção desse irmão que, assim que a encarou, deu um salto, colocou os braços esticados com as palmas das mãos abertas e esbugalhou os olhos.

A senhora, que desconhecia totalmente o que era o Espiritismo, fugiu, de imediato, esbaforida, rua abaixo.

Sendo o Espiritismo, à época (anos 80 do século passado), confundido com bruxedo, feitiçaria, adivinhação e outras actividades mais ou menos ocultas e misteriosas, próprias de gente que não funcionaria muito bem da cabeça, não é difícil presumir o que teria, então, passado pela mente dessa senhora.

Podemos imaginar as conversas havidas, posteriormente, com as suas vizinhas e amigas e os relatos coloridos da ocorrência à porta do Centro Espírita.

De facto, na povoação, começou a correr o rumor de que naquela casa (Centro Espírita) deveriam existir espíritos assustadores.


Moral da história:

1. Todo o médium deverá aprender a controlar-se e estudar a Doutrina Espírita. As reuniões de educação mediúnica têm este objectivo.

2. A grande maioria das pessoas que procura o Centro Espírita, fá-lo em busca de auxílio. Desconhecem o que é a Doutrina Espírita. Desconhecem quais são as finalidades de um Centro Espírita, possuindo, muitas vezes, ideias preconceituosas em relação a tudo quanto se relacione com o intercâmbio entre os dois planos – físico e espiritual.

Cabe, a quem está informado, esclarecer, estabelecendo a distinção clara entre mediunismo e espiritismo, informando que a mediunidade é, em si mesma, neutra e que existem médiuns que são espíritas, como também aqueles que o não são. E explicar, de forma simples e clara, em que consiste a Doutrina Espírita ou Espiritismo.



Retirado do livro de Eduardo Guerreiro “Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos”, Chiado Editora

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Uma excelente pessoa


Esta história foi contada por Divaldo Franco e reproduzida, algures, num jornal ou revista espírita.

Diz-nos ele, que no centro ao qual pertencia em Salvador da Bahia, no Brasil, resolveram em determinada altura fazer uma espécie de inquérito a antigos trabalhadores do Centro, já desencarnados, que se manifestavam em reuniões mediúnicas. O inquérito consistia, essencialmente, em duas perguntas: o que mais lhes tinha agradado e o que mais lhes tinha desgostado depois de terem chegado à Pátria Espiritual.

Um desses companheiros, por todos considerado uma excelente pessoa, enquanto na vida física, manifestou que o que mais o tinha alegrado ao chegar ao mundo espiritual foi ter reencontrado a sua alma gémea que já não via há séculos.

Contudo, disse ele, foi acometido de uma angústia inexplicável que, constantemente, o perseguia e não o deixava em paz. Queria saber a razão de ser dessa angústia, já que na última existência terrena tinha cumprido exemplarmente a missão a que se tinha proposto.

Dirigindo-se ao Dr. Bezerra de Menezes expôs-lhe a questão. Foi então que Bezerra o conduziu a um vale espiritual onde imensas entidades sofredoras gritavam e vociferavam, de forma tresloucada contra ele, emitindo vibrações de ódio e desejo de vingança, inconscientes da situação em que se encontravam.

Aqui estava a razão de ser de tanta angústia que acompanha sempre a consciência culpada, sendo que, no mundo espiritual, ela brota livremente, sem a bênção do esquecimento temporário e a protecção que o corpo físico confere a essas vibrações deletérias com que ele, agora, estava sendo atingido.

Bezerra explicou-lhe, então, a razão de ser da situação. É que ele, outrora, fora comandante de um exército e a fim de evitar que os inimigos o perseguissem, quando os apanhava, furava-lhes os olhos com um bidente, deixando-os a morrer lenta e dolorosamente.

O remédio para este nosso companheiro consistia em, numa primeira fase, trabalhar, com a permissão divina, pela reencarnação dessas entidades, possibilitando, dessa forma, a evolução das mesmas. Numa segunda fase, certamente, conquistar a amizade desses irmãos sofredores, enredados nas teias do ódio. Por outras palavras – transformar os antigos inimigos em amigos.

Este nosso irmão estava, como podemos perceber, empenhado em cumprir a primeira fase do projecto. Levasse o tempo que levasse. Mas, certamente, um projecto para séculos, contados em anos terrenos, já que para a espiritualidade o tempo não é visto como nós o encaramos.

Moral da história:
Só atingiremos a paz da consciência quando nos quitarmos com a Lei. Quantos erros! Quanto crimes! Quantas imperfeições carregamos! Mas uma coisa é certa – a reencarnação dar-nos-á, sempre, oportunidades renovadas para avançar, pois a Lei da Evolução é universal. E um dia alcançaremos a perfeição que todos nós almejamos.


Extraído do livro “Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos”, de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

domingo, 23 de outubro de 2016

Espíritos assustadores

Era colaborador num Centro Espírita. Sensitivo. Mas tinha um tique muito peculiar. Sempre que sentia alguma aproximação espiritual, dava um salto, como se fora impulsionado por uma mola, estendia os braços com as mãos espalmadas para diante e esbugalhava os olhos para um ponto distante no infinito.

Quem não conhecesse este seu modo de actuar, sendo apanhado desprevenido, ficava no mínimo surpreendido, para não dizer assustado.

Muitas foram as vezes que os seus companheiros o advertiram, sem sucesso, para se controlar. O hábito de saltar, estender os braços com as mãos espalmadas e olhos arregalados, como se quisesse parar algo invisível, continuou. Os trabalhadores do Centro desistiram de o fazer mudar de comportamento.

As reuniões públicas nesse Centro começavam, invariavelmente, à mesma hora, em determinado dia da semana. A sala era relativamente pequena. Após estarem acomodados os participantes, pontualmente e antes da oração inicial, a porta era encerrada e ninguém mais entrava.

Naquele dia, alguém que não conhecia as regras da casa, chegou atrasado. Encontrando a porta da rua fechada, bateu. A ordem era para não abrir. Mas, perante a insistência e o transtorno que estava causando, os responsáveis da Casa Espírita resolveram, excepcionalmente, abrir a porta ao visitante inoportuno.

O confrade, que vimos citando, ofereceu-se para o fazer.

O visitante era, afinal, uma senhora. Vinha ao Centro pela primeira vez. Mas deveria vir acompanhada por entidades espirituais, a julgar pela habitual reacção desse irmão que, assim que a encarou, deu um salto, colocou os braços esticados com as palmas das mãos abertas e esbugalhou os olhos.

A senhora, que desconhecia totalmente o que era o Espiritismo, fugiu, de imediato, esbaforida, rua abaixo.

Sendo o Espiritismo, à época (anos 80 do século passado), confundido com bruxedo, feitiçaria, adivinhação e outras actividades mais ou menos ocultas e misteriosas, próprias de gente que não funcionaria muito bem da cabeça, não é difícil presumir o que teria, então, passado pela mente dessa senhora.

Podemos imaginar as conversas havidas, posteriormente, com as suas vizinhas e amigas e os relatos coloridos da ocorrência à porta do Centro Espírita.

De facto, na povoação, começou a correr o rumor de que naquela casa (Centro Espírita) deveriam existir espíritos assustadores.


Moral da história:

1. Todo o médium deverá aprender a controlar-se e estudar a Doutrina Espírita. As reuniões de educação mediúnica têm este objectivo.

2. A grande maioria das pessoas que procura o Centro Espírita, fá-lo em busca de auxílio. Desconhecem o que é a Doutrina Espírita. Desconhecem quais são as finalidades de um Centro Espírita, possuindo, muitas vezes, ideias preconceituosas em relação a tudo quanto se relacione com o intercâmbio entre os dois planos – físico e espiritual.


Cabe, a quem está informado, esclarecer, estabelecendo a distinção clara entre mediunismo e espiritismo, informando que a mediunidade é, em si mesma, neutra e que existem médiuns que são espíritas, como também aqueles que o não são. E explicar, de forma simples e clara, em que consiste a Doutrina Espírita ou Espiritismo.

Eduardo Guerreiro (retirado do livro: Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos)

domingo, 15 de novembro de 2009

A história do ‘Lorny’

Já lá vão 23 ou 24 anos.

Ao Centro Espírita em que trabalhava chegou um caso para o qual, após consulta aos guias espirituais, foi indicado um trabalho de desobsessão, com a presença da pessoa para a qual a consulta havia sido feita.

Não era fácil, dado que a referida pessoa, de cerca de 40 anos de idade, vivia na ilha da Madeira, estando empregada numa empresa de renome. Contudo, ela acedeu a deslocar-se a Portugal continental, na esperança de ver o seu problema resolvido.

A questão que ela havia colocado teria sido considerada de ‘grave’ pelos amigos espirituais. De facto, na vida desta nossa irmã tudo parecia correr mal. Desde o divórcio (embora ambos gostassem um do outro), até aos problemas com o filho, aos problemas no trabalho... esta nossa companheira perguntava, sem saber a razão, o porquê de tanta atrapalhação.

Veio da ilha da Madeira no dia anterior à reunião.

Naquele sábado todos estávamos preparados.


Reunidos na sala habitual e ocupando os lugares do costume, após a concentração, elevação de pensamentos e a oração de abertura, permitiu-se a entrada desta nossa irmã.
Tratava-se de um caso de obsessão de longa duração.

O espírito manifestante revelou que continuava a amar esta nossa amiga. E não admitia que alguém mais se interpusesse entre ele e ela!
Quando se falou no ‘outro’ (naquele com quem esta nossa irmã estava casada) ele revelou que ‘eram cá uns ciúmes!’, que ele não conseguia aguentar. Fez tudo para acabar com o casamento entre eles (o que conseguiu).

Como nada sucede por acaso procurámos saber a razão desta aproximação tão forte entre ele e esta nossa irmã.
Ele revelou que se tinha suicidado em vida anterior ‘por causa dela’.

Certamente as coisas não se teriam passado bem assim. Em última análise, a culpa do suicida reside nele próprio. Contudo, para que nesta existência se tivesse estabelecido uma relação obsessiva, isto é, para que a entidade tivesse tido a possibilidade de se ligar a esta nossa irmã foi porque ela teve a sua parcela de culpa no sucedido, talvez prometendo um amor não concretizado. Não o sabemos.

O facto é que este ‘amor’ obsessivo deste nosso companheiro desencarnado continuava. Daí a sua recomendação a esta nossa amiga antes de ser encaminhado: “Quando chegares a este lado (ao mundo espiritual) não te esqueças de mim: eu sou o ‘Lorny’.

Nunca mais me esqueci do nome. É que a minha mãe, já velhota, tomava um comprimido chamado ‘Lorenin’ antes de se deitar.

Moral da história:

1. As dependências, sejam elas físicas ou psicológicas podem causar-nos atrasos em nossa evolução;

2. Nunca devemos jogar com os sentimentos alheios.

Novembro de 2009
Mário

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Reunião Conturbada (II)

Ocorreu há cerca de 7 anos. Novamente uma reunião de cura mediúnica, mas desta vez em casa particular. Embora o ambiente tivesse sido devidamente preparado, as condições não eram as melhores.

Por princípio as reuniões mediúnicas devem ser realizadas em local especificamente designado para o efeito. Se não for num Centro Espírita, esse local pode ser uma dependência no interior da casa ou no exterior (no quintal ou jardim, por exemplo). Necessário que seja em local reservado exclusivamente para esse fim.

Não foi o caso. A reunião foi realizada numa sala, de certo modo improvisada. As crianças, de 7 e 8 anos, foram informadas para não incomodarem, para irem brincar para o quarto no outro lado da casa. Só tinham autorização para voltar depois de acabada a reunião. Foram completamente esclarecidas pois já estavam instruídas acerca da importância e responsabilidade das reuniões mediúnicas.
Comportaram-se muito bem. Foram completamente obedientes e respeitaram o que lhes foi pedido.

A reunião decorreu serenamente. O final teve um senão: é que os participantes, em vez de ficarem durante alguns minutos em recolhimento e concentração, acabaram a reunião de uma forma mais ou menos abrupta, logo que o dirigente espiritual dos trabalhos terminou a comunicação psicofónica.

Saíram todos da sala onde a reunião se tinha realizado e, imediatamente, as crianças, sentindo que os adultos já estavam disponíveis, vieram do quarto onde tinham estado a brincar. Entraram no recinto onde tinha ocorrido momentos antes a reunião de cura. Pularam, saltaram e cantaram.

Imediatamente, um dos participantes na reunião de cura – precisamente o que havia sido tratado - sentiu-se invadido por um frio intenso. Pediu mantas para se agasalhar. Devo dizer que a temperatura ambiente deveria ser cerca de 27-28º. Era um frio interior, ‘inexplicável’.
Os outros participantes e a médium de cura também se sentiram incomodados.

Moral da história


Em primeiro lugar, as reuniões mediúnicas deverão ser realizadas em local especificamente designadas para o efeito;
Em segundo lugar, repito o que referi logo no início: ‘depois da reunião os participantes deverão continuar algum tempo no recinto, em oração. O respeito que mantivemos enquanto a reunião se realizava deverá permanecer’.
Mário

domingo, 18 de outubro de 2009

A reunião conturbada (I)

As reuniões mediúnicas sérias necessitam de cuidada preparação. Quer antes, quer depois.

Os participantes deverão levar uma vida digna, tomando em atenção os pensamentos, o comportamento social, os locais frequentados, etc.

Antes do início da reunião e ainda fora do recinto onde ela se vai realizar, os elementos do grupo mediúnico deverão ter um intervalo de recolhimento. A leitura de textos edificantes e a oração muito ajudam.

Depois da reunião os participantes deverão permanecer algum tempo no recinto, em oração. O respeito que mantivemos enquanto a reunião se realizava deverá permanecer. Não esquecer que uma reunião mediúnica séria é algo transcendente que envolve muitos companheiros desencarnados, Espíritos Amigos em tarefa de auxílio. As descrições vindas nos livros de André Luiz nos esclarecem a este respeito.

Serve esta introdução para relatar um facto ocorrido há cerca de 25 anos numa reunião de cura mediúnica.

Como habitualmente, juntámo-nos, por volta das 15:30 no Centro onde a reunião se iria efectuar. O grupo incluía cerca de 10 participantes, entre eles 4 médiuns, sendo três de ‘incorporação’. Entre os participantes havia uma senhora cuja presença não era muito regular: eram mais as vezes em que ela faltava do que aquelas em que estava presente. A cadeira a ela destinada, no interior do recinto ficava, na maior parte das vezes vazia.
Naquele sábado ela compareceu.

Às 16:00 horas deu-se início à reunião mas, passado pouco tempo, todos os médiuns, que entretanto já se encontravam de pé junto da mesa de cura, ficaram, de repente, estáticos. Continuavam de pé, em transe mediúnico, mas parados. O normal teria sido iniciarem o tratamento da pessoa que já se havia deitado, anteriormente, na mesa de cura. Esta situação durou cerca de 15 minutos. Todos os participantes continuavam concentrados, em oração. Após esse tempo os médiuns foram encaminhados, ainda em transe, para as respectivas cadeiras, onde se sentaram. Continuou-se ainda em oração até os médiuns saírem do transe. O companheiro que estava na mesa de cura desceu e voltou para o seu lugar. Passado algum tempo deu-se por encerrada a reunião. Para nós, a reunião tinha sido um falhanço total.

Saímos da sala e ouvimos a senhora pouco assídua dizer maravilhas da reunião. Revelava que tinha entrado mal e tinha saído muito bem. Concluiu que tinha sido tratada eficazmente.

Entretanto, nesse fim-de-semana, o companheiro que tinha estado na mesa de cura, passou muito mal, com dores na região do fígado e vomitando. Todos os médiuns e outros participantes passaram mal nos dias imediatos.

Na 4ª Feira seguinte o companheiro que tinha estado na mesa de cura foi tratado em reunião de desobsessão. Manifestou-se uma entidade que havia desencarnado com cirrose no fígado. Após a reunião esse companheiro revelou imediata melhoria. Os médiuns e outros participantes reuniram-se com o objectivo de receberem tratamento espiritual para se recomporem.

A questão colocava-se agora no porquê do sucedido e nas medidas a tomar para que não mais voltasse a acontecer.

Verificou-se que aquela nossa irmã pouco assídua não vinha para a reunião ‘com boas intenções’ para usar a expressão que um espírito amigo utilizou. O objectivo dessa nossa companheira não era o de auxiliar os outros sem qualquer outra intenção que não fosse essa. A infeliz senhora vinha para ‘descarregar’ as entidades que a acompanhavam. Com efeito, nas noites de 6ª Feira ela ia para o Casino, frequentando um ambiente frívolo de jogo, álcool e fumo. Trazia entidades afins para a reunião. Perturbadas e perturbadoras. Além disso, dado não estar em condições para participar condignamente na reunião, abriu uma brecha permitindo a entrada desse tipo de entidades. Disse ela após a reunião que se sentia muito melhor, que se sentia renovada. De facto fez um autêntico ‘descarrego’ à custa de quem lá estava.

Desde então e para satisfação dos elementos do grupo, nunca mais compareceu às reuniões de cura mediúnica, certamente dissuadida pelos companheiros da espiritualidade.

Moral da história

Repetindo o que dissemos na introdução: uma reunião mediúnica é um assunto muito sério e como tal deve ser tratado. Quem participa levianamente numa reunião mediúnica arrisca-se não só a sofrer dissabores como a provocar perturbações nos outros. O objectivo último de cada participante deverá ser só um: realização da caridade activa, sem qualquer contrapartida em mente. Pudemos já presenciar a dissolução de grupos de cura mediúnica, precedida normalmente de uma grande multiplicação de mistificações, porque algum ou alguns elementos do grupo participavam com a intenção íntima de serem eles os primeiros beneficiários da cura.

Mas, tal como devemos ter muito cuidado na preparação das reuniões, o mesmo se diz em relação aos momentos que lhes são subsequentes. O relato que se segue é disso um exemplo.

(Continua)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cura espiritual de um animal doméstico

O Boneco

A minha gatinha, a ‘Rabina’ teve vários filhos. Procurámos donos para as crias. Foram encaminhadas para pessoas amigas. Todas muito bonitas. Ficámos com um gatinho, apenas porque nasceu muito doentinho.

Demos-lhe o nome de ‘Boneco’.

Era também muito bonito. Só que muito doente. Todo o seu corpo estava coberto de pequenos tumores do tamanho de berlindes.

Levámo-lo muitas vezes a vários veterinários. Foram-lhe feitas muitas análises. Mas nunca veio o diagnóstico. Gastámos muito dinheiro com o ‘Boneco’. Os resultados foram nulos.

Em desespero, atrevemo-nos a pedir, em reunião mediúnica, ajuda para o ‘Boneco’. A resposta foi, exactamente, a seguinte: “O gatinho será curado”.

Fomos para casa. À chegada vimos logo que o gatinho estava melhor. Passados alguns dias o gatinho estava, de facto, curado. Não havia qualquer sinal dos tumores que antes apresentava.

Para quem crê que as curas espirituais são obra de sugestão ou influência mental, este facto resta inexplicado.

Até hoje, passados cerca de dez anos, o ‘Boneco’ cá continua saudável, não nos tendo dado mais preocupações em matéria de saúde.



Outubro de 2009
Mário

terça-feira, 21 de julho de 2009

O bar assombrado

Passou-se em 1986 ou 1987.

Quando o tempo estava bom e durante a noite a temperatura estava agradável, deslocava-me com certa frequência à cidade de Faro. Encontrava-me com amigos e colegas e falava dos mais diversos assuntos. Momentos agradáveis e de descontracção. Era frequente serem esses amigos e colegas a chamarem-me para lhes fazer companhia.

Certa noite duas colegas, sentadas na esplanada de um bar, convidaram-me a tomar uma bebida. Não disse que não. Sentei-me à mesma mesa e mandei vir um sumo de laranja natural. Conversámos até cerca da meia-noite. Despedi-me com um “até amanhã”, já que nos encontraríamos no dia seguinte no local de trabalho.

Levei algum tempo até me deixar dormir. Por fim acabei por adormecer. Mas, ao acordar pela manhã, senti que a noite foi mal dormida, perturbada... não sei se me faço entender. Mas o dia correu normalmente. Encontrei as colegas de véspera e falei com elas. Contudo, essa noite ficou-me na memória, já que nunca tal me tinha sucedido.

Passaram-se cerca de dois meses.

Novamente na esplanada do mesmo bar, as mesmas colegas estavam sentadas a uma mesa. E, tal como havia acontecido anteriormente, viram-me e convidaram-me a sentar junto delas. Aceitei, já que não tinha nada planeado. A noite de verão estava agradável e era sempre um prazer o convívio. Pedi apenas uma garrafa de água mineral, já que havia jantado pouco tempo antes. Conversámos sobre vários assuntos relacionados com a profissão. Passavam pessoas pela rua. Algumas eram nossas conhecidas e paravam por alguns momentos junto da mesa dando "dois dedos" de conversa. Cerca das onze e meia da noite saímos da esplanada e cada qual foi para sua casa.

Nessa noite não consegui ‘pregar olho’. Fiquei toda a noite acordado. Sentia nervosismo, inquietação. Levantava-me. Voltava a deitar-me... O sono não chegava.

Não encontrei explicação para a situação. Intuitivamente procurei encontrar razões para o que estava ocorrendo, tentando estabelecer qualquer relação com o ambiente da esplanada do bar que frequentei nessa noite... ou com alguma das pessoas presentes ou com quem havia falado.

Nada. O bar era normal, simpático, com um aspecto agradável. A esplanada estava situada ao ar livre, com pessoas a circular pela rua. As colegas com quem estive eram pessoas com as quais me encontrava diariamente no local de trabalho. As pessoas com quem havia falado eram pessoas que levavam uma vida normal...

A que se devia, então, o sucedido? Porque é que nessa noite não consegui dormir nem um minuto? Qual a razão da inquietação e nervosismo que senti?

Estas perguntas ficaram sem resposta durante muito tempo.

Mas houve um dia em que, por mero acaso, relatei o caso a uma amiga que participava comigo em trabalhos mediúnicos e que conhecia detalhadamente a cidade de Faro e seus habitantes.

Diz-me ela:
“Então não sabes, Mário?! Daquele bar, que hoje tem aquele aspecto agradável e arejado, chegaram a ir, antigamente, jovens com ‘overdoses’ directamente para as urgências do Hospital. Aquele bar era, antigamente, um centro de consumo de droga, frequentado por toxicodependentes...

Estava explicada a questão. Foi aí que eu descobri este aspecto particular da minha mediunidade: a capacidade de ‘captar’ as características espirituais de ambientes e pessoas.
Neste caso particular, embora o ambiente físico, visível aos nossos olhos, fosse limpo, arejado, agradável, o ambiente espiritual lá permanecia. Os seus frequentadores habituais do plano espiritual (dependentes de drogas) ainda lá se encontravam.

Participando em trabalhos mediúnicos e, portanto, colocando-me disponível para o auxílio ao próximo, funcionei como uma pequena luz a quem esses infelizes companheiros se agarraram. Transmitiram-me sensações desagradáveis (inquietação, nervosismo...) ao longo daquela noite.

Desde então, tenho tido a oportunidade de sentir, frequentemente, características espirituais de ambientes e pessoas sem ser apanhado completamente desprevenido. Nestas situações, recolho-me para um local isolado de minha casa e oro pelas entidades perturbadas e perturbadoras. Mas, por vezes, só o choque anímico, no corpo de um médium, em reunião mediúnica devidamente preparada, proporciona as condições para o encaminhamento de tais entidades.

20 de Julho de 2009

Mário

terça-feira, 16 de junho de 2009

Convite às ‘Baianas’

Já lá vão 22 ou 23 anos.

Um casal amigo – boa gente – convidou-me para ir ao centro de umbanda ao qual pertenciam e onde desenvolviam suas actividades. Tratava-se de um centro espiritualizado e, no essencial, as actividades realizadas eram de natureza caritativa.

Como sabemos, a divisa do Espiritismo é “Fora da Caridade não há salvação”, o que significa que, independentemente da crença de cada um, o que importa é o exercício activo da caridade, do auxílio ao próximo, sem outras intenções. Este centro de umbanda regia-se por este princípio. Claro que havia sempre aquelas pessoas que recorriam a este centro com objectivos de natureza material e, inclusivamente, procurando fazer negócio. Recordo-me, por exemplo, de uma senhora que era vendedora no mercado de Faro que ia colocar perguntas aos guias para depois cobrar dinheiro pelas respostas que ela ia dando às suas clientes no mercado. Esta senhora acabou tendo uma forte lição, que contarei noutra altura.

Voltemos ao assunto das baianas.

Quando este grupo de entidades se manifestava no terreiro de umbanda dançavam e espalhavam a alegria. Animavam os presentes e incutiam-lhes bom ânimo.
Foi no final de uma reunião no terreiro que eu falei com uma destas entidades que se manifestava através de uma médium.

Convidei-a a ir a minha casa, a visitar-me. Ela respondeu-me dizendo que ali quem convidava eram elas. Mas eu respondi que desta vez era eu que as convidava com muito prazer...

Terminou a reunião no terreiro de umbanda, cerca da meia-noite, e eu, que à época vivia só com a minha mãe, em vez de me dirigir directamente para casa, resolvi passar ainda por uma localidade próxima onde, provavelmente, encontraria uns amigos.

Cheguei a casa cerca das duas da manhã daquele sábado. Abri a porta.
Minha mãe estava ainda acordada, embora com as luzes apagadas e diz-me de imediato:

- Ai Mário! Ainda bem que chegaste!!!.
- Então o que é que sucedeu, mãe?
- Olha, isto aqui tem sido um inferno! Só estalos! Só estalos!
- Mas que estalos?! Não oiço nada.
- Pararam assim que tu chegaste!
- Olhe, mãe: não se preocupe. Durma e descanse, que eu também me vou deitar.

É claro que a minha mãe não sabia que eu tinha estado no centro de umbanda e que tinha feito aquele convite às baianas. Mas confesso que elas abusaram e acabaram assustando a senhora.

Claro que nunca mais convidei as baianas a irem a minha casa, até porque prezava muito a saúde de minha mãe, pois sofria do coração.

Nunca, durante a sua vida, lhe contei a razão dos ruídos que ela ouviu naquela noite.

Hoje, minha mãe, que já se encontra no mundo espiritual, deve rir-se da minha leviandade de então.

16 de Junho de 2009

Mário

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A cama ‘embruxada’


A situação que vou relatar passou-se há cerca de 25 anos.

Era um sábado, dia da reunião de encaminhamento espiritual. Os componentes do grupo mediúnico estavam reunidos. Faltavam alguns, que só chegariam algum tempo depois, dado o impedimento por razões de trabalho e porque habitavam a trinta quilómetros de distância.

Deu-se início à reunião, que decorreu normalmente até à chegada desses companheiros. Fez-se uma pausa e eles entraram para o recinto onde decorria a mesma. Todos em oração e concentrados.

De repente, através de um médium que lá se encontrava desde o início, manifesta-se uma entidade:

“Ninguém dorme na minha cama! Foi feita para mim e ninguém mais há-de dormir nela!”

Todos nós ficámos surpreendidos com esta intervenção inesperada. Não sabíamos do que se tratava. O doutrinador entrou em diálogo com a entidade:

Doutrinador: Mas o que tem a tua cama?

Espírito: Foi feita para mim. Fui eu quem a mandou fazer. E ninguém dorme nela, porque eu não deixo!!!

Doutrinador: E há pessoas que dormem na tua cama?

Espírito: Sim! Mas eu não vou deixar!

Doutrinador: E há quanto tempo mandaste fazer a cama?

Espírito: Ah, isso não sei. Só sei que não vou deixar ninguém deitar-se nela!

Doutrinador: De que país és?

Espírito: Sou espanhola. Ninguém vai dormir na minha cama!

Doutrinador: E qual é o rei que governa?

Espírito: Rei, não. Rainha. Isabel.

Doutrinador: Isabel, a Católica?

Espírito: Sim.

[Aqui o doutrinador percebe que tem que trazer esta entidade à realidade presente, pois ela não se deu ainda conta de que já não pertence ao mundo físico e que há muito permanece no mundo espiritual, ligada a um objecto terreno que, certamente, lhe era muito caro. Essa permanência estacionária no tempo estava retardando a sua evolução espiritual.]

Doutrinador: Olha, minha amiga: isso já se passou há muito tempo, de que tu perdeste a noção. Neste momento já não te encontras no mundo físico.

Espírito: Quero lá saber. A cama é minha e ninguém se vai deitar nela.

Doutrinador: Neste momento estás aqui connosco, numa reunião de auxílio espiritual e estás a falar através de um médium. Olha lá: experimenta colocar a mão na tua cara e nos teus cabelos...

[A entidade leva a mão à cara e aos cabelos. É surpreendida pela barba do médium e pelos cabelos curtos. Apercebe-se que não são dela]

Espírito: Esta cara não é minha. Estes cabelos não são meus...

Doutrinador: Pois é, minha amiga. Como te disse, estás neste momento no mundo dos espíritos. O teu corpo de carne há muito desapareceu. Estás a falar através de um médium, usando a sua voz. Mas isto te será explicado mais tarde. Agora o que importa é que sejas auxiliada. Presta atenção ao que se passa à tua volta.

[Os componentes do grupo continuam em oração, mentalizando muita luz e pedindo por esta nossa irmã]

Espírito: Estou a ver pessoas vestidas de branco....

Doutrinador: Fala com elas.

Espírito (após alguns momentos): Sim, vou.

Doutrinador: Então vai, minha irmã. Acompanha estes amigos que te vieram socorrer e esclarecer. Que Deus te acompanhe.

Espírito: Adeus a todos e obrigada.

Doutrinador: Agradece a Jesus.

É feita uma oração de agradecimento pelas bênçãos recebidas, manifestando-se, posteriormente, o guia espiritual dos trabalhos, que explica que esta nossa irmã, há muito vinha sendo seguida e que tinha chegado agora o momento de ela poder ser auxiliada.

Foi feita a oração de encerramento da reunião que foi dada por terminada.

Só depois obtivemos a explicação do sucedido, vinda da parte de um dos participantes da reunião que havia chegado posteriormente. Contou-nos ele que havia comprado a cama num antiquário e que nunca ele e a sua esposa tinham conseguido dormir naquela cama. Deitavam-se mas não conseguiam conciliar o sono. Sentiam-se inquietos sem saber a razão.

Moral da história:


1. Não nos apeguemos demasiado aos bens materiais, pois estes são transitórios;

2. Quando adquirirmos uma antiguidade, tenhamos em conta que podemos também adquirir quem, por ignorância, a ela se encontra ainda ligada.

Maio de 2009

Mário

domingo, 1 de março de 2009

Dez minutos angustiantes


O estádio do Maracanã estava cheio. Parece que meio mundo queria ouvir o grande orador da noite: Divaldo Pereira Franco.
A assistência estava expectante. Foi anunciado o seu nome. Finalmente Divaldo ia falar.
Ouvidos apurados e atentos.

Divaldo estava na tribuna, junto ao microfone. O tempo ia passando mas a palavra não saía. O suor escorria-lhe no rosto. Divaldo apelava a Jesus e aos guias espirituais. Passaram-se dez minutos angustiantes.

Finalmente apareceu-lhe a mentora Joana de Angelis. Tranquilizou-o dizendo-lhe que iria ser assistido durante a palestra que estava incumbido de proferir. Esclareceu-o sobre o sucedido, advertindo-o que nunca deveria descurar o estudo e a preparação de cada palestra, pois a ajuda espiritual não dispensa o esforço próprio. Divaldo compreendeu a lição.


Moral da história: os amigos espirituais sempre estão ao nosso lado. Mas não são nossos mordomos. Para recebermos auxílio temos que ser merecedores do mesmo.
O objectivo último da intervenção dos Espíritos na nossa vida é o nosso progresso espiritual e o progresso espiritual daqueles que nos rodeiam. Todos nos comprometemos na execução de tarefas de maior ou menor responsabilidade. Há que nos empenharmos. E termos Fé. Porque Jesus, através dos nossos companheiros da espiritualidade, trabalhadores da sua imensa seara, nos estenderá a mão.

19 de Fevereiro de 2009
Mário

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A calculadora dispensável - histórias verídicas

Que a mediunidade de Divaldo é excepcional todos nós sabemos. Através de Divaldo Franco os Espíritos escreveram romances, ensaios e mensagens de alto valor doutrinário. Mas, sem duvidar da mediunidade de Divaldo, um companheiro nosso conhecido, durante uma palestra do orador baiano, resolveu comprovar o fundamento de tal talento.


O caso ocorreu, salvo erro, em 1990, por ocasião de um seminário que se realizou nas instalações da Associação de Comerciantes de Lisboa. Em discurso proferido em tom empolgante, característico de Divaldo, este divagava pelos acontecimentos mais marcantes da evolução da Física até à época actual. Referia nomes de cientistas, datas, locais...


E o nosso companheiro, que ouvia atentamente, ia ficando cada vez mais abismado com a profunda sabedoria de Divaldo mas, sobretudo, com a sua prodigiosa memória. Ele mostrava conhecimentos profundos precisamente na área em que esse nosso companheiro era especialista. Como era possível que uma pessoa revelasse tantos conhecimentos? O assunto intrigava-o profundamente.


E a situação chegou ao extremo quando Divaldo, a propósito de determinado assunto referiu, salvo erro, a trigésima segunda potência do número 2 e revelou que se tratava do número quatro biliões, duzentos e noventa e quatro milhões, novecentos e sessenta e sete mil e duzentos e noventa e seis. Era demais!


Sem hesitar, esse nosso amigo que se fazia acompanhar sempre com uma calculadora científica no bolso resolveu fazer a conta. Lá no canto onde se encontrava, no 1º balcão da sala e dissimuladamente, tirou a calculadora do bolso com o objectivo de confirmar o número referido por Divaldo.


Ouve-se a voz forte de Divaldo vinda do palco: “Não vale a pena tirar a calculadora porque o número é mesmo este!”.


O nosso companheiro instintivamente, como se tivesse sido descoberto, voltou a guardar rapidamente a calculadora na algibeira do casaco.


Mas a situação continuou para ele intrigante: como era possível que Divaldo possuísse tantos conhecimentos da sua área (Física) e tão prodigiosa memória. Como era possível que ele citasse com tanto rigor factos e datas que nem mesmo os estudiosos da matéria conheciam?!...


Com estas perguntas na cabeça pediu a um companheiro que, em seguida, iria entrevistar Divaldo que procurasse desvendar este mistério.


Na entrevista Divaldo explicou que o Espírito que se manifestou enquanto ele falava era o espírito de Vianna de Carvalho que durante a vida terrena havia sido físico. Disse também que, enquanto discursava, lhe eram mostrados painéis que ele ia lendo.


Estavam, pois, explicados os “profundos conhecimentos” que Divaldo demonstrou ter na área da ciência Física.


Mário

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A responsabilidade das reuniões de materialização

Uma história verídica

Nunca participei numa reunião de materialização de Espíritos. O que sei resulta da leitura de livros espíritas que abordam o assunto, nomeadamente os clássicos: “No País das Sombras”, de Elisabeth d’Espérance e “Um caso de Desmaterialização”, de Alexandre Aksakoff, em que a médium de materializações era precisamente Elisabeth d’Espérance. Lemos, igualmente, “Materializações Luminosas”, de R. A. Ranieri, e artigos em jornais espíritas (nomeadamente artigos de Carlos Imbassahy filho, no Jornal Espírita, de S. Paulo) mas também escutámos descrições de quem participou em reuniões deste tipo.

É uma destas descrições que passo a relatar. Foi-me feita por um companheiro de lides espíritas há cerca de 20 anos. Seu nome: Portugal Ferreira Marques. Nunca mais nos encontrámos com ele.

Sabíamos, da literatura, que para conseguir materializações era necessária a presença de um(a) médium de materializações e, sobretudo, de muita disciplina e persistência. Conta-nos Imbassahy que o grupo no qual participava só conseguiu alguns efeitos visíveis cerca de um ano após o início das reuniões regulares do grupo para o efeito.

Dado que já possuíamos estes conhecimentos e sabíamos das dificuldades e exigências inerentes às reuniões de materialização, indagámos o companheiro sobre se em alguma reunião tinham ocorrido algum acidente. Ele informou-nos:
“Duas vezes”. E passou a relatar.

“As nossas reuniões decorriam num ambiente completamente escuro. Uma noite, e porque estava muito calor, deixámos a janela da sala um pouco aberta. Estava lua cheia e, pela janela, entrava um pouco da luz do luar que incidia na perna do médium. Terminada a reunião verificámos que o médium não tinha perna. Ela se tinha desmaterializado. Ficámos muito preocupados. Fechámos a janela, ficando agora completamente às escuras. Após mais de uma hora de oração e concentração demos por terminada a reunião. A perna do médium já estava no seu lugar: tinha-se materializado. Mas havia uma diferença. É que antes essa perna tinha uma mancha na pele. Agora, a mancha tinha desaparecido”.

“Em outra vez, após materializações de espíritos, antes de terminarmos completamente a reunião e ainda com espíritos completamente materializados acendeu-se bruscamente a luz. Os espíritos retornaram rapidamente à cabine escurecida. Ouviu-se um crepitar, como se se tratasse de carne colocada em cima de uma chapa quente. Apagámos apressadamente a lâmpada. Concentrámo-nos e orámos. Do lado espiritual a reunião era dirigida pelo Dr. Bezerra e outros espíritos de elevada hierarquia.
Quisemos, posteriormente, saber porque se tinha acendido a luz e o que acontecera aos espíritos que, no momento, estavam materializados. Ficámos sabendo que o primeiro facto se deveu à leviandade com que um jovem casal participou na reunião que, distraindo-se com o namoro, abriu uma brecha pela qual penetraram espíritos malfeitores que accionaram o interruptor fazendo com que a luz se acendesse.
Quanto aos espíritos atingidos foi-nos mais tarde informado que ainda se encontravam em tratamento em hospital da espiritualidade”.

Nunca mais tivemos a oportunidade de ouvirmos relatos de quem participou ao vivo em reuniões de materialização de espíritos. Mas destas descrições nunca mais nos esquecemos, relembrando-nos a transcendência das reuniões mediúnicas sérias que devem ser encaradas por quem nelas participa com a disciplina, o respeito e a solenidade do acto.


03 de Janeiro de 2009
Mário

sábado, 11 de outubro de 2008

história verídica - A senhora com um ar esquisito

Já lá vão quase 25 anos. Era uma quarta-feira.
Após a reunião pública realizava-se no Centro uma reunião mais íntima e restrita, para consultas aos guias espirituais.
Através do médium manifestava-se uma entidade orientadora dos trabalhos que respondia a questões colocadas pelo dirigente encarnado. Normalmente, o médium destacado para este trabalho era sempre o mesmo. Ele era o que nós podemos designar de ‘bom médium’: não só bom instrumento mediúnico, mas, igualmente, muito boa pessoa, com bons valores e sentimentos. Era guiado por um genuíno desejo de ajudar o próximo.

Nessa quarta-feira apresentou-se para consulta uma senhora que chamava a atenção pelo seu aspecto anómalo, bizarro: era muito pequena (teria, no máximo, um metro e cinquenta), com o tronco muito gordo e braços e pernas muito pequenos. A senhora mais parecia uma bola humana, com uns pequenos braços que, esticados, não chegavam para que ela pudesse cruzar os dedos das mãos sobre o estômago.
Esta senhora vinha pedir auxílio para os seus problemas de saúde.

Antes de abordar os problemas em questão o guia espiritual manifestou-se através do médium dizendo: “Sabe, minha irmã, em vida anterior a irmã abusou da sua beleza. Mas, olhe: o que realmente interessa é a beleza espiritual...”

Moral da história: a lei da causa e efeito é mesmo assim. Usemos devidamente os talentos que nos foram atribuídos ou anteriormente conquistados ou sofreremos, posteriormente, as consequências do seu mau uso.

Mário

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

história verídica - Um Centro Espírita... pouco espírita!

A história que vou contar ocorreu há mais de 20 anos. Foi-nos relatada por um amigo pessoal que presenciou a situação.

Mas antes de continuar vou fazer uma breve introdução.

Como sabemos, um Centro Espírita onde não haja estudo, disciplina e onde os participantes pouco interessados estão em dar de si próprios para fazer a caridade activa que implica, forçosamente, sacrifício pessoal, pouco produtivo será.
Se a isto juntarmos dirigentes que poucos conhecimentos têm da doutrina e estão mais interessados no fenómeno, combinando correntes espiritualistas variadas, então o descalabro passa a ser total.
Os ingredientes, atrás citados, misturavam-se em determinado Centro “Espírita”.

Numa reunião de consulta compareceu um senhor, ainda jovem, com uma doença cancerosa. Como podemos calcular, ele veio à procura de ajuda, de consolação, de esperança. Talvez, quem sabe, de um "milagre".
Através da médium e em frente a esse nosso companheiro manifesta-se um “guia espiritual”:
- Ai, meu irmão! Como o irmão está! Vai desencarnar. E é para breve!
(Sem palavras...)


Moral da história: Um verdadeiro Centro Espírita é orientado pela Doutrina Espírita, tal como foi compilada por Allan Kardec.
Num verdadeiro Centro Espírita existe a prática da caridade activa.
Existe tolerância para com as imperfeições dos outros (até porque cada um de nós tem as suas!).
Existe estudo aliado à prática do Bem.
Existe disciplina e respeito, sem que com isto se pretenda banir o humor e a descontracção, bem pelo contrário!
José Herculano Pires no seu livro intitulado, precisamente, “O Centro Espírita” descreve o que realmente deverá ser um verdadeiro Centro Espírita: um lugar de aprendizado e de prática activa de Caridade.

Afastemo-nos de pretensos “Centros Espíritas” que mais não são do que centros de desequilíbrio. Desconfiemos de Centros compostos por pessoas que aparentam elevado grau de perfeição... ou então, enorme ‘erudição’..., dirigidos por uma pessoa que é tomada quase como guru.

Mário