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domingo, 31 de agosto de 2008

O Caso Esmeralda na espiritualidade

Em Portugal, um caso muito mediatizado tem movimentado paixões. É conhecido por ‘Caso Esmeralda’. Trata-se de uma menina, filha biológica de uma cidadã brasileira e de um português. Este recusou de início a paternidade à criança, e esta foi dada, pela mãe biológica, para adopção a um casal que a tem criado praticamente desde a nascença. Mais tarde, recorrendo a testes de ADN, descobre-se que afinal o pai biológico da menina é aquele que havia inicialmente negado a paternidade. A partir desse momento este começa a reivindicar junto dos tribunais a guarda da criança. O processo arrasta-se desde há vários anos. A guarda da menina continua com os pais afectivos por decisão do tribunal, a conselho dos técnicos médicos (psicólogos e psiquiatras de crianças) que têm acompanhado a situação.
Na noite de 16 para 17 de Janeiro de 2007 manifestou-se, em nossa reunião mediúnica, uma entidade espiritual envolvida no caso. Registámos o seguinte diálogo entre esta entidade e o doutrinador:

Espírito: ...Mas eu preciso de ajuda!
Doutrinador: Então porquê? Conta-nos lá. O que é que se passa contigo para precisares de ajuda?
Espírito: Preciso de ajuda.
Doutrinador: Mas porquê?
Espírito: Porque é preciso mudar. É preciso mudar as mentes, que estão ainda muito agarradas.
Doutrinador: Que estão agarradas a velhos hábitos, não é verdade?
Espírito: E preconceitos. Coisas que já não fazem sentido. E que dificultam os programas, que são programas sérios, vistos do Alto com outra panorâmica... mais a longo prazo. E que enterram, quando reencarnamos.
Doutrinador: E que programas são esses? Podes dar-me um exemplo?
Espírito: Cada um de nós tem um programa antes de nascer. Quando nasce já o programa está todo estabelecido. Nascer é a parte final do processo. Todos temos um programa. Que dá muito trabalho, muito trabalho, aqui neste local onde se vive.
Doutrinador: E tu tens um programa?
Espírito: Eu tenho. Tenho tido, tenho tido. Agora não estou reencarnada. Mas estou a lutar para que esse programa seja executado.
Doutrinador: E estás a falar do programa de quem?
Espírito: Ora...
Doutrinador: De alguém em particular?
Espírito: De uma menina, que anda aí nas bocas do mundo. E que tem a obrigação de ficar com os pais com quem veio trabalhar... e aprender. E querem tirá-la. E isso é outro percurso de vida, que não tem nada a ver com o que foi estabelecido. Porque ela tem que passar por várias provas e por vários aprendizados naquele lar, com aqueles pais que já foram pais muitas vezes, noutras encarnações e as pessoas não sabem destas coisas. Também não podemos andar a dizer. Ninguém nos ouve. Eu também, quando estava reencarnada, não ouvia. Isso eram almas do outro mundo. Somos muito ignorantes... das leis da vida.
Doutrinador: E tu és familiar da menina?
Espírito: Sou familiar de há muitas eras. Nem te vou aqui contar os laços. Eram muitas histórias que não interessam para o caso. Agora eu tenho é que socorrer-me de pessoas que estão encarnadas, que são sensíveis para o problema, que têm uma perspectiva correcta da existência... Não só da existência terrena, não, que essa é limitada. Dura pouco tempo. Mal temos tempo para cumprir metade de um programa que trazemos do lado de cá, que nos dá tanto trabalho a preparar... A maior parte do tempo nem cumprimos metade... Se cumprimos metade já é muito bom... Mas que têm uma ideia correcta da vida, dos dois lados da vida. De que esta vida, que nós percorremos como almas é uma vida muito longa, com muitos conhecimentos, com muitas ignorâncias... Quanto mais conhecemos mais descobrimos que não conhecemos nada. Deste lado, daqui, também somos muito primitivos ainda, muito pequeninos. Nem conseguimos ver... ampliar a nossa visão... Ela vai-se ampliando à medida que damos um passinho e mais um passinho e mais um passinho... Descobrimos maravilhas, mas são passinhos curtinhos, curtinhos, curtinhos... Mas já me estou a afastar. O que importa é que esta menina não seja desviada do seu percurso que foi planeado do lado de cá. Temos esperanças. Estamos todos com muita esperança. Mas a luta ainda dura. Ainda vai durar. Porque quando se esquecerem... quando se esquecerem que esta menina existe... aí está o problema.
Doutrinador: Mas, certamente, as pessoas não vão esquecer, porque isto está a marcar muito...
Espírito: Ai, a memória é curta. Fala-se, fala-se e depois mais ninguém quer saber... E depois pega-se noutro assunto...
Doutrinador: Neste momento já existe uma grande movimentação do lado de cá...
Espírito: Sinal de que a sociedade está a mudar. Mas também deu muito trabalho para alertar as pessoas certas. Foram precisos milhares de trabalhadores.
Doutrinador: Mas as pessoas certas estão a ser alertadas e tenho a certeza de que os milhares de trabalhadores vão conseguir.
Espírito: Mas porque é que ela quer que eu me vá embora? Só quero fazer mais e mais...
( referindo-se a outro espírito acompanhante)
Doutrinador: Com certeza. Mas há outros locais em que poderás fazer, lutar, decerto com orientação superior.
Espírito: Sim. Também me dizem isso aqui. Eu é que sou muito apaixonada. E sempre gostei de fazer as coisas e de lutar por aquilo em que acredito. Ela é igual a mim. É por isso que a gente se dá bem. E agora quer que me vá embora.
Doutrinador: Bem, a questão não é essa. Não quer que te vás embora à força. É que, como estão aqui mensageiros de Jesus, como já deves ter visto, ela quer que continueis a trabalhar para o bem da menina.
Espírito: Mas eu estou a trabalhar para o bem.
Doutrinador: Neste momento estás a ver aqui mensageiros de Jesus, não é verdade? Outros amigos espirituais...
Espírito: Estou... Estou... Eu não os oiço. Eles bem falam comigo. Para eu ser menos apaixonada. Para dar tempo ao tempo, porque as coisas estão a ser encaminhadas. E estamos todos a trabalhar. Eu é que tenho que ter muita calma e paciência. Às vezes não tenho.
Doutrinador: É o que os amigos da espiritualidade te estão a dizer.
Espírito: É. Estão-se a rir. Eles riem-se sempre de mim.
Doutrinador: Aliás a lição foi sobre a fé, não é verdade?
Espírito: E eu tenho muita fé. Mas também tenho fé em mim. E quero agir... Mas tenho que ser um bocadinho menos apaixonada.
Doutrinador: Menos apaixonada...
Espírito: Já sei. Porque os terrenos têm outras coisas para fazer... também é verdade. Isso é verdade.
Doutrinador: Como tal será agora talvez a altura de, com menos paixão, trabalhar noutros locais, não é verdade?
Espírito: Pois... pois... pois...
Doutrinador: Porque há muito que fazer. Muito que fazer...
Espírito: Ah, isso há. Não temos mãos a medir.
Doutrinador: Os amigos que sorriem, certamente têm razões para sorrir dessa paixão que a nossa irmã apresenta. Porque este é um assunto que, de facto, gera paixões e que está a apaixonar o país inteiro.
Espírito: Imagina só a mim, que estou envolvida no programa. Directamente envolvida e interessada. Que venho lutando, à minha maneira e com as minhas limitações, para que este plano divino possa ser concretizado. Não te falo em anos, porque vocês aí não sabem o que é isso. Os anos, para nós não têm termo de comparação.
Doutrinador: E, certamente, irá ser concretizado. Por isso, a lição da fé que transporta montanhas. Não é verdade?
Espírito: Os amigos estão aqui a dizer que não me esqueça de que isto também estava previsto. E que ela trouxe uma missão, que foi a missão de alertar consciências.
Doutrinador: Ora bem. E está, de facto, a cumprir essa missão, não é verdade?
Espírito: É. Mas coitadinha dela.
Doutrinador: Ela, sem o saber, ainda na sua criancice, está a alertar consciências para transformações muito importantes. Já o Mestre dizia há dois mil anos ‘quem são minha mãe e meus irmãos?’, não é verdade?
Espírito: Ainda ninguém compreendeu. Nem compreende. Acham incongruente que Jesus, um pilar do Amor, tenha proferido tais palavras incompreensíveis, de facto, na época. E até abafadas por quem lhe viu seguir os passos. Mas elas são claras, apelando ao Amor Universal, apelando à afinidade espiritual na nossa caminhada para Deus, que é o nosso Criador.
Doutrinador: É isso mesmo, querida amiga. Mas nós ainda somos muito pequeninos e, por vezes, demasiado apaixonados. Deixamo-nos levar pelas nossas emoções. Deixamo-nos envolver demasiado. É preciso a razão também estar presente. E o bom senso.
Espírito: Mas há cabeças duras onde não entra a razão e muito menos o bom senso.
Doutrinador: Acabarão por entrar a razão e o bom senso, não é verdade, querida amiga?
Espírito: É. Tudo leva o seu tempo.
Doutrinador: Tudo leva o seu tempo.
Espírito: Confiemos em Deus.
Doutrinador: Confiemos em Deus. Olha, tivemos muito gosto em ouvir-te, em ouvir as tuas preocupações e desejamos: nós deste lado e tu desse, que tudo se resolva conforme os planos divinos. E temos a certeza de que assim será. Desejamos que vás em paz, tranquila, serena. Leva da nossa parte um grande abraço fraterno e que Deus te acompanhe e nos acompanhe a nós todos. É esse o nosso desejo. Adeus, querida amiga.
Espírito: Muito obrigada por me terem ouvido.
Doutrinador: Que Deus te proteja.
Espírito: Que Deus vos proteja também.
Doutrinador: Obrigado, querida amiga.

Passados alguns momentos manifestou-se o Espírito orientador dos trabalhos.
Espírito Orientador: Podeis terminar os vossos trabalhos, registando em vossas memórias a fé que transporta montanhas. Devemos todos aprender com o exemplo que surge em nossas vidas para que nossas atitudes se modifiquem, para que não nos resignemos e aceitemos a iniquidade, o desprezo pela vida humana e até o olvido das palavras de Deus.
Foi deixado para todo o sempre o recado mais belo à Humanidade: “Amai-vos uns aos outros”. Quando colocais em prática esse lema estais a seguir as palavras de Deus, estais a cumprir os seus ensinamentos. É por isso que a fé move montanhas. E cada vez que o Homem tem fé, o nosso mundo avança no caminho do bem, no caminho da protecção dos mais pobres, dos mais indefesos, dos mais resignados à sua sorte. Amai, meus filhos, amai sempre, como Jesus nos ensinou. Que a paz seja convosco.

O doutrinador agradece a Deus e a Jesus e termina com uma oração a reunião.

Manuel
Núcleo Espírita ‘Amigo Amen’

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A Adopção

Antes de entrar no tema do meu post, quero deixar um agradecimento à Adriana do blog "Espírita na Net" que me deixou um "miminho": um selo lindo que me enche de satisfação, pelo seu significado.

E, como tenho de o reenviar, escolhi fazê-lo para um blog que eu admiro pela sua dedicação e empenho na divulgação da Doutrina Espírita: o blog de espiritismo

E,agora, vamos reflectir sobre um tema actualíssimo:

Adoptar

Na época de grandes transformações em que vivemos, o conceito de família tende a alterar-se e a assumir novos contornos a caminho dos séculos vindouros.

No âmbito dos estudos sociológicos, este agrupamento humano, também ele em transformação, tende a reorganizar-se e a construir novos liames, tendo na sua base, as leis do afecto, por contraposição às antigas leis consanguíneas.

Actualmente, a Sociologia define família como: um casal com filhos, um casal sem filhos ou mesmo pessoas que se unem por afinidade, acercando-se muito do conceito defendido pelo Espiritismo: “Os verdadeiros laços de família não são, portanto, os da consanguinidade, mas os da simpatia e da comunhão de pensamentos, que unem os Espíritos, antes, durante e após a encarnação." (“O Evangelho Segundo o Espiritismo”, págs 251e252).


Quando os filhos não chegam naturalmente, muitos casais entram num processo de grande sofrimento e ansiedade, perturbando a própria harmonia familiar, muitas vezes com agressões mútuas ou acusações que a nenhuma solução conduzem.

Actualmente, com a evolução da Ciência, muitos desses problemas encontram uma resposta esperançosa e cada vez mais positiva nos vários tratamentos colocados à disposição; todavia, estes são sempre mais ou menos difíceis e demorados e acompanhados de enorme ansiedade.

Se o cansaço e a desilusão se instalam, após várias tentativas infrutíferas, por que não pensar em alternativas outras, se o desejo se mantém de encher a casa com os risos duma criança?

Por que não recolher no lar vazio, os filhos abandonados e, demasiadas vezes, sujeitos a maus-tratos que enchem as instituições que os abrigam, mas que não substituem de modo nenhum o afecto dum pai e de uma mãe?

Por que não visitar uma delas e verificarmos com os nossos olhos? Certamente, se o fizéssemos, dificilmente resistiríamos a tantas mãozinhas estendidas para nós, carentes dum sorriso sincero e dum colo.

E quem nos garante que esse não é mesmo o nosso programa de vida e de que a criança que viermos a adoptar, não é mesmo o nosso filho, “aquele” pelo qual o nosso coração anseia, e que só se desviou um pouco do percurso habitual?

E quantas vezes já não ouvimos, por parte de pais adoptivos orgulhosos da sua criança, frases do género: “este é o filho que eu queria ter?

Como poderemos explicar tantas afinidades, inclusive físicas, encontradas entre pais e filhos adoptivos?

Certamente, não pelas leis do “sangue” e dos genes.

Que razões subsistirão por detrás dos nossos problemas actuais, não o podemos saber: Quantas vezes ouvimos ou emitimos este tipo de pensamento: “Porquê a mim?”

Segundo "O Livro dos Espíritos" (Cap.IV, questão328, pág.122, trad.de Canuto Abreu) “a reprodução é uma Lei da Natureza, sem ela o mundo corporal pereceria".

Então, se um casal deseja ter filhos e não o consegue, poderemos deduzir que ou se encontra em tarefa de reabilitação de erros cometidos num passado remoto, ou pode ter escolhido anteriormente (no Plano Espiritual), nunca ter filhos por questões humanitárias.

E que melhor causa poderá haver do que dar Amor a quem nada possui?

Diz-nos Joana de Ângelis que "os filhos recusados em outras etapas alcançar-nos-ão o lar ou a intimidade por processos transversos."

E Emmanuel incentiva-nos sempre a lutar, a abandonar o desespero e a ansiedade, perante os grandes obstáculos que a vida nos coloca: “Tristeza, na essência, é um desafio da vida à nossa vontade de trabalhar”.

Muitos casais não adoptam por preconceito: “não é meu" (?!)

É preciso que o preconceito do "pai verdadeiro" (o biológico), seja banido duma sociedade que maltrata as suas crianças e que os pais verdadeiros sejam os que DÃO AMOR (biológicos ou não).

Esse o conceito que defende a Doutrina Espírita.

Segundo Léon Denis "cada século tem uma particular missão na história".

É preciso que novos valores se sobreponham num Planeta em vias de Regeneração, enquanto se reexaminam outros já ultrapassados, porque mais adequados a eras primevas da Humanidade.

PENSE NISSO!!!






quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Na hora da Morte

Hoje, veio-me à lembrança a minha sogra a quem, embora os poucos anos em que convivemos, recordo amiúde com carinho e saudade.

Aproxima-se a época natalícia em que os contactos familiares se estreitam e em que lembramos os que já partiram, sentindo a sua ausência nas nossas vidas.

Que consolação e alegria da alma nos traz, nestes momentos, a CERTEZA de que nos reencontraremos a todos para continuar a conviver na nossa caminhada evolutiva.

E pensei em Ernesto Bozzano, uma das personalidades mais sábias e eruditas do século XIX, e no seu valioso contributo para a pesquisa e confirmação da continuidade da vida.

Bozzano nasceu em 1862, em Génova na Itália. Foi professor na Universidade de Turim. E se, numa dada fase da sua vida, defendeu teses positivistas e materialistas, mais tarde, dedicou-se ao Espiritismo, tendo procedido a profundos estudos espíritas, segundo o método empírico da Ciência.

“Os fundamentos do saber humano passarão da concepção materialista do Universo à concepção espiritualista do ser, com as consequências filosóficas, sociais, morais e religiosas, que dela decorrem...” in Fenómeno de Bilocação

Escreveu mais de trinta e cinco obras, resultantes das suas pesquisas científicas:

“Fenómenos de Transporte”, “A Crise da Morte”, “A Hipótese Espírita e as Teorias Científicas” , “Animismo ou Espiritismo”, “Comunicações Mediúnicas Entre Vivos” “Os Animais têm Alma”, “Cinco Casos de Identificação de Espíritos”…

Algumas destas, aqui mencionadas, existem para download no site: http://www.autoresespiritasclassicos.com/

Mas voltemos ao assunto que aqui me levou a escrever espontaneamente: a minha sogra e a recordação do seu desencarne.

Nos seus «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» Ernesto Bozzano apresenta inúmeros casos confirmados de pessoas que reconheceram familiares, amigos, já falecidos e que vinham, segundo afirmação dos doentes, buscá-los para os acompanharem na travessia para uma nova etapa da vida.

A minha sogra detestava hospitais e lutou sempre contra a necessidade de ficar internada. Com oitenta anos e cheia de “maleitas”, ficava tão zangada e queixava-se tanto de tudo e de todos, que tinha de regressar rapidamente a casa e era o filho que fazia quilómetros para lhe preparar todos os medicamentos diários (cerca de 26) para que mantivesse o organismo mais ou menos estável. A minha cunhada encarregava-se de lhos ministrar, já que vivia perto, felizmente.

Mas, um dia… há sempre um dia, não é? Perante o agravamento do seu estado físico, surgiu a inevitabilidade do internamento compulsivo. Extremamente preocupados, todos nós a visitávamos com frequência. Passados poucos dias, numa das visitas do filho, este falava com ela, mas a mãe, embora acordada, não lhe respondia nem se virava para o lado da cama, onde ele se encontrava. Dirigia fixamente o olhar em frente, para o alto, e sorria. Este, preocupado, insistia: “Mãe, já não me conhece?”

Até que ela decidiu responder-lhe, sem se virar : “Então, não havia de conhecer? Maluco, maluco.” E continuava a olhar em frente e a sorrir.

“E está contente, mãe?”

"Então, não havia de estar?!”

Passadas poucas horas, desencarnou. O meu marido nunca mais esqueceu o seu sorriso de felicidade e, a nossa convicção de que a vida continua e de que os nossos amores nos esperam, aumentou enormemente, com este caso que a Bondade Divina nos permitiu viver, aportando-nos a consolação, num momento de dor que só quem perdeu alguém compreende.

Para quem sorriria a minha sogra? Para o marido que tanto a amou, para o irmão que perdeu, para a mãe, todos desencarnados há muito? Quem sabe?

Veja aqui:

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O Poder do Pensamento - Parte III

No final da reunião, o espírito condutor dos trabalhos dessa noite manifestou-se, trazendo interessante perspectiva sobre a evolução da humanidade e, por consequência, de todo o processo que interliga os seres humanos e que os agrupa em FAMÍLIAS:


"Boa noite meus amigos!

Que a Paz do Senhor fique convosco, agora e sempre.

Apenas umas simples palavras, sobre tudo o que aqui decorreu esta noite. Quer sobre as lições ouvidas, quer sobre a amiga que aqui foi encaminhada para que o auxílio, mais uma vez, se pudesse concretizar.

Vimos de eras primitivas. Almas carentes de conhecimento, mas saudosas de Deus, latente no seu intimo, que reencarnando em corpos sólidos, adequados ao planeta áspero e de condições pouco propicias à vida e, sobretudo, ao conforto, se foram agrupando, trabalhando suas almas embrutecidas ao mesmo tempo que trabalhavam a terra, evoluindo ambas num caminho de séculos de aperfeiçoamento, de eliminação das características mais grosseiras de ambas, a alma humana e o planeta Terra, que ela usava para se burilar.

Nesses agrupamentos, se instituíram as afeições, as emoções, que conduziram a tantas lutas e a tantos resgates. Também impulsionaram o espírito para novas lutas de burilamento em prol do outro e de si mesmo.

Nos registos dos céus se encontram as histórias de todos os grupos humanos desde as primeiras eras, as suas ligações, os seus ódios transformados em amores, os seus rancores transformados em perdão, as suas lutas redimidas em tolerância e aceitação. Novas lutas e novas vinganças se foram produzindo ao longo dos séculos, mas também novos amores, novos laços de compreensão, de enternecimento se foram estabelecendo, alargando esses mesmos grupos; tornando-os cada vez mais semelhantes à verdadeira família, aquela a quem Jesus chamou a sua família, a sua mãe e seus irmãos.

Está certa a interpretação do evangelho, pois, se a nossa família consanguínea é importante em cada vida na Terra, construída por esses laços eternos, por essas interligações que provém de eras remotas, não é menos verdade que a verdadeira família é a família universal, muito mais alargada do que a família do sangue, do que a família finita, circunscrita a uma só vida.

Somos espíritos eternos que caminhamos em agrupamentos, dum e doutro lado da vida, reunidos por afinidades de pensamento, de emoções, de tendências mais ou menos evoluídas e que caminham, cada vez mais, para um alargamento, para uma união e não para a diferença. Reencarnando uns após outros, interligando-nos uns com os outros e reunindo-nos, mais uma vez, a cada regresso.

Essa a noção da verdadeira família a que Jesus se referiu.

Quando reencarnamos, convivemos com espíritos dessa mesma família pois, não vimos sozinhos ou raramente o fazemos e, quando partimos, a vida não acaba. Meus amigos, as emoções não terminam e os amores se perpetuam; daí que, algum amigo mais ligado a essa mesma família, que acaba de deixar, permaneça entre vós, trazendo muitas vezes alguma perturbação de forma inconsciente, por ignorância; mas fá-lo por amor.

Porque o Amor, meus amigos, é a chama que nos mantém vivos. Ele é eterno.

Que a paz fique convosco."

Doutrinador – Obrigado querido amigo pelas palavras profundas que nos foram aqui deixadas. Posso fazer apenas uma pergunta respeitante à nossa amiga?

Espírito - Dizei...

Doutrinador – Os problemas intestinais que ela vem sofrendo, poderão…

Espírito - Serão aliviados os sintomas. Mas deverá tratar-se também, pois nem todos são da entidade que estava junto dela.

Nós atraímos por afinidade também aqueles que sofrem das mesmas doenças que nós, pois, reparai nos grupos de Terra que se juntam para lamentar das suas maleitas e quanto se comprazem e quanto se alegram ao descobrir no vizinho que sente o mesmo que ele.

AS SINTONIAS MENTAIS ESTABELECEM-SE DA MESMA FORMA DUM E DOUTRO LADO DA VIDA. NUNCA VOS ESQUEÇAIS DISSO.

Doutrinador – Obrigado amigo. Queirais deixar vosso nome?

César

Doutrinador – Obrigado, querido amigo César.

Agradeçamos a Deus. (oração final)

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Amor de Mãe

Leio e releio esta história e não paro de me emocionar e de agradecer a Deus pelo seu Infinito Amor.

Abençoada Reencarnação!!!

Ofereço-a a todos os leitores, como me chegou às mãos:

"Na noite de 25 para 26 de Março de 2007, após a leitura de uma lição de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, manifestou-se um espírito amigo, relatando-nos uma tocante história que, segundo ele, é ‘tantas vezes contada e recontada na espiritualidade aos corações sofredores’, que passamos a transcrever:

Espírito - “Venho hoje trazer-vos uma pequena história que vos permitirá analisar, ser sujeita ao vosso escrutínio. Que vos servirá de exemplo e de reflexão para os nossos actos diários inconsequentes e que dificilmente são meditados atempadamente.

Vivia, numa pequena casa, uma mãe já de certa idade, com sua filha, a única dos irmãos que não tinha encontrado uma nova família. Era esta uma alma sofrida, vendo frustrados os seus sonhos, mas ambiciosa, também. Desejosa dos prazeres que a vida de ilusões oferece e que o dinheiro tão facilmente compra.

Sem o possuir, sem perspectivas de o alcançar, passou a odiar sua mãe por esta ser pobre, feia (aos seus olhos), pobremente vestida, transportando os sinais evidentes da baixa condição social que lhes cabia em sorte.

Sofreu a pobre mãe, no corpo, quando, como uma criança, sua idade já avançada lhe não permitia a independência para os tratos da higiene, da alimentação. E sofreu na alma o desprezo que a sua filha lhe votava, orando a Deus pela sua salvação, perdoando no fundo do seu coração de mãe.

Desencarnou esta alma bondosa, mas não sossegou, pois a preocupava em demasia o futuro e o bem-estar de sua filhinha. Depressa, pelos créditos que possuía, granjeou nova oportunidade de encarnação, vindo a nascer de uma vizinha tão pobre como ela tinha sido, cheia de filhos. Nasceu cega e surda, pois pediu que lhe não fosse permitido ver os despautérios de sua filha e que não pudesse ouvir os insultos que ela lhe iria dirigir, para que mais facilmente se lhe pudesse dedicar e talvez modificar os seus padrões mentais, conduzindo-a a Jesus.

Deus lho concedeu. E esta alma viveu, dia-a-dia, fugindo de cada vez que lho era permitido para casa de sua vizinha que a empurrava, que lhe gritava: “sai daqui, criatura nojenta. De nada vales. Não prestas para nada. Que me queres? Desaparece-me da vista!” e a pontapeava e a sacudia, mas a criança, sem saber porquê, se arrastava novamente para sua casa, brincando, aproximando-se, incomodando e sorrindo a novo insulto, a cada pontapé.

E foi crescendo e a bela rapariga envelhecendo. Sua beleza se desfazendo. As rugas sulcando seu rosto, cada vez mais amargurado, já desistindo de encontrar o futuro tão ambicionado, maldizendo a Deus e à Vida que a obrigaram a seguir contra suas tendências e seus anseios.

E aquela criaturinha a quem ela não olhava de frente, a quem nem um sorriso concedia, quando ela tombou no leito, abandonada por todos, incluindo seus familiares, porque a todos sacudia com azedume, invejando suas vidas, foi a única que dela cuidou com desvelo, com carinho, ajudando-a na transição que a todos espera.

Suas últimas palavras, antes de deixar o corpo físico, foram de agradecimento àquela pobre enjeitada que, pior do que ela, não via nem ouvia, mas que possuía um coração do tamanho do mundo. Agradeceu a Deus pela sua companhia, pela sua presença, pelo amor que não merecia, vendo e sentindo nessa pobre criaturinha a misericórdia divina.

Desencarnou essa pobre alma um pouco mais confortada e resignada, reconhecendo Deus naquela mão amiga que nunca a abandonou. De pouca valia aparente, foi a sua única protecção e a luz que lhe iluminou a vida.

Mas, logo mais, a pobre cega, vendo-se sozinha, tropeçou, no seu desespero, num fogão que no chão se encontrava aceso, tendo-o feito tombar e deflagrar um incêndio que depressa se espalhou, tendo reduzido aquela pobre casa a cinzas, levando consigo a criatura cuja missão tinha terminado com a partida da sua querida filha.

Chegando ao mundo espiritual, mãe e filha se reencontraram: uma, plena de luz, brotando de seu coração um esplendor enorme, uma estrela brilhante que tudo iluminava, inclusive a sua filha, abraçando-a e protegendo-a.

Estrondoso grito ecoou nos céus, quando esta, ao erguer a fronte reconhece, naquela alma, sua mãe, a mãe que abandonara, a mãe que insultara, a mãe que desprezara na vida e na morte. E a ela, simultaneamente, a pobre criaturinha, que voltara a insultar, a desprezar, só lhe reconhecendo a valia no último momento.

De nada valeram as súplicas de sua mãe, pois ela, em desespero infinito, fugiu, espavorida, correndo sempre, gritando e gemendo, insultando-se em centuplicado, desprezando-se em centuplicado, desejando a autodestruição e o esquecimento absoluto, que não existem na verdadeira vida.

E essa mãe continua pedindo a Jesus, pela sua filhinha amada, o benefício de uma nova oportunidade, a bênção de uma nova reencarnação em conjunto, para poder, deste modo, prodigalizar mais amor, mais protecção à sua amada filhinha.

Que nossos actos diários sejam todos eles exemplares. Que nossa consciência os aceite para que não precisem de ser escondidos da Luz e do Amor.

Ficai em paz, meus amigos.

Que Jesus vos proteja e vos ilumine agora e sempre.

O doutrinador agradece a lição acabada de deixar para meditação e tece algumas considerações sobre a severidade que por vezes emprestamos aos nossos julgamentos de outrem.

Sobre este assunto O Espírito amigo refere:

Julgai o erro severamente, mas deveis furtar-vos de condenar o culpado. A sua consciência disso se encarregará.

Ensinai pelo exemplo, pela transmissão do bem em palavras e actos. Essa a nossa principal missão.

(...)

Deveis terminar vossa reunião orando ao Pai, pedindo-lhe a assistência e o discernimento nas vossas actuações e meditai nesta história tantas vezes contada e recontada na espiritualidade aos corações sofredores, carentes de esperança num amanhã melhor.

O doutrinador agradece.

Espírito - Agradeçamos a Deus tanta Bondade e tanto Amor.

Casimiro (Espírito)

Manuel

Núcleo Espírita "Amigo Amén"

Santa Maria


sábado, 30 de junho de 2007

Mensagem psicografada duma criança- 2ª parte

Fotografia da criança de 15 anos e da carta recebida, postada acima:




É enorme a semelhança da assinatura do Chico e do menino!

Identificação dos nomes referidos na mensagem, retirado do Anuário Espírita:

1 - Maurício Garcez Henrique - Nascido em Goiânia a 19/12/60.

Em 1976, quando desencarnou a 8 de maio, preparava-se para o vestibular no curso intensivo do Colégio Carlos Chagas.
Sua breve e saudosa passagem terrena foi caracterizada por uma personalidade extremamente carinhosa, alegre e saudável, marcada por um espírito caridoso e de profunda compreensão da igualdade de todos.

2 - Nádia Conceição Henrique e Maria José Henrique ­ irmãs de Maurício.
3 - Vovô Henrique - Apolinário Henrique.
Avô paterno de Maurício, já desencarnado.


4 - Terezona - Maria Tereza de Jesus. Fundou em Aná­polis a Romaria de São Bom Jesus da Lapa nos idos de 1913. Se­gundo informações colhidas com o avô materno de Maurício, Sr. Humberto Batista, que conheceu pessoalmente Terezona, ela realmente se dedicava em auxiliar às crianças.
Anuário Espírita 1979, IDE, Araras, SP, pp. 85-87.
  • Muitas das mensagens que Francisco Cândido Xavier recebeu pela psicografia referem nomes totalmente desconhecidos do médium e, além disso, uma das características da sua mediunidade era escrever com a mesma letra dos desencarnados, melhor podendo os familiares identificar os seus entes queridos.
  • Além disso, muitas delas foram analisadas por especialistas em grafologia, tendo os exames técnico-científicos apresentado resultados bastante conclusivos com características de génese gráfica, em número e qualidade suficientes, para identificar os autores das mensagens.

  • Ver por exemplo: “A Psicografia à Luz da Grafoscopia” de Carlos Augusto Perándea (professor da disciplina de Identificação Datiloscópica e Grafotécnica, na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná).

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Mensagem psicografada duma criança - 1ª parte

Muitas são as questões que todos nós colocamos ao pensarmos no mundo invísivel: há vida para além da morte? Poderemos saber notícias da sobrevivência? O espírito continua sem muitas alterações, semelhante ao que conhecemos na terra? Os sentimentos pelos que ficaram permanecem os mesmos?
Para nos esclarecer sobre estas e outras questões fundamentais da alma humana, dedicou Francisco Cândido Xavier a sua vida, recebendo centenas de mensagens psicografadas, daqueles que vêm provar aos seus familiares a continuidade da vida, afirmando, como Emmanuel, "... nós, os supostos mortos, continuamos no Mais Além, claramente vivos."

"ESTOU VIVO E COM MUITA VONTADE DE MELHORAR"

Querida Mamãe, meu querido pai, querida Maria José e querida Nádia.
Estou em oração, pedindo para nós a bênção de Deus. Não posso escrever muito, venho até aqui, com meu avô Henrique, só para lhes pedir resignação e coragem.
É preciso nos lembremos de Deus, nos acontecimentos da Terra. Não sei bem falar sobre isso, estou aprendendo a viver por aqui, embora já saiba que saí daqui mesmo para nascer com meus entes queridos, na Terra.
Peço-lhes não recordar a minha volta para cá, criando pen­samentos tristes. O José Divino e nem ninguém teve culpa em meu caso.
Brincávamos a respeito da possibilidade de se ferir alguém, pela imagem no espelho; e quando eu passava à frente de minha própria figura, refletida no espelho, sem que o momento fosse para qualquer movimento meu, o tiro me alcançou, sem que a culpa fosse do amigo, ou minha mesmo. O resultado foi aquele.
Hospitalização de emergência, para deixar o corpo longe de casa.
Se alguém deve pedir perdão, sou eu, porque não devia ter admitido brincar, ao invés de estudar.
Mas meu avô e outros amigos me socorreram e fui levado para Anápolis, para ser tratado por uma enfermeira que dirige uma escola de fé e amor ao próximo, que nos diz ser a Irmã Terezona, amiga das crianças.
Soube que ela conhece meu avô e nossa família, sendo agora uma benfeitora, que preciso agradecer e mencionar.
Quanto ao mais, rogo à Nádia e à Maria José, minhas queridas irmãs, para não reclamarem e nem se ressentirem contra ninguém.
Estou vivo e com muita vontade de melhorar.
Queridos pais, tudo acontece para o nosso bem e creio que seria pior para mim se houvesse enveredado pelos becos dos tóxi­cos, dos quais muito pouca gente consegue voltar sem graves perdas do espírito. .
Estou com saudades, mas estou encarando a situação com fé em Deus e com a certeza de um futuro melhor.
Recebam, querido papai e querida mamãe, com as nossas queridas Nádia e Maria José, e com todos os nossos, um abraço de muito carinho e respeito, do filho que lhes pede perdão pelos contratempos havidos.
Prometendo melhorar, para fazê-los tão felizes quanto eu puder, sou o filho e o irmão saudoso e agradecido,
Maurício Garcez Henrique
mensagem recebida em reunião pública, a 27 de Maio, em Uberaba
in Claramente Vivos, Francisco Cândido Xavier, Elias Barbosa, Espíritos Diversos

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Mensagem Psicografada



Cássio Voltou

Cássio Noronha, para além das muitas actividades que desempenhou ao longo da sua vida, chefiava, como veterinário, a inspecção da carne para consumo, na zona onde vivia. Nasceu em 1917, tendo desencarnado no dia 2 de Fevereiro de 1977, vítima de assassinato no seu local de trabalho, encomendado por interesses obscuros neste tipo de negócio. Detentor de uma personalidade íntegra e sendo o responsável por fiscalizar e manter a qualidade dos produtos a bem da saúde pública da população, ele não permitia qualquer atitude menos digna.
A Senhora Altiva, sua viúva escreveu um livro, contando a sua história de casal amigo e de dedicação de uma vida inteira à comunidade onde viviam. Mas, o principal objectivo do livro é levar a esperança aos que, como ela, perderam alguém a quem muito amaram e reafirmar, a todos os leitores, a certeza da fé na imortalidade da alma e no amor que continua a embalar os corações muito para além da morte física, abençoando a Doutrina espírita que lhe trouxe a consolação tão ansiada e à qual ambos dedicaram a sua vida.
Retornando em espírito ao convívio da família, através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, a sua história convida-nos a profundas reflexões, trazendo-nos notícias da realidade que encontrou, encorajando a esposa e a filha a prosseguirem os seus deveres espirituais, sociais e humanos, numa preparação para o reencontro. Das oito cartas que escreveu, aqui deixamos uma, talvez não a mais significativa, mas a mais curta, obviamente por falta de espaço.

Segunda Mensagem de Cássio

Queridas Altiva e Marcinha.
Duas palavras apenas, de carinho e de devoção.
A esponja do tempo, lentamente vai absorvendo a
dor e diminuindo a angústia em nossos corações. Não pode porém, apagar ou diminuir a extensão imedível do amor que une as almas, por mais passem as horas e por mais distantes se encontrem os amantes. .
A morte, de forma alguma nos separou. Embora invisível, nunca estivemos tão unidos, mãos dadas na estrada das experiências evolutivas. Temos estado unidos na prece, no trabalho, nas esperanças, nos planos para o futuro, que Jesus nos ajudará a decidir mais tarde.
Raiam antemanhãs formosas de júbilos, precedendo o nosso futuro reencontro ditoso, quando teremos supe­rado sombras, saudades e morte. Até esse momento de triunfo, prossigam no bem com Jesus, sem qualquer receio ou ansiedade.
Felizmente Altiva tem sabido marchar e vejo-a com as disposições para o trabalho em renovação constante. Não desanime nem se deixe atemorizar ante o futuro.
Rejubilo-me com o êxito escolar da filhinha e confio no seu futuro espiritual, edificando a humanidade do por­vir, para cuja grandeza todos estamos convocados.
Continuem orando e esforçando-se na doutrina espí­rita, abraçadas à confiança em Jesus, que não nos aban­dona. Nunca ficaremos a sós

Com o infinito carinho da alma, beija-as enternecido, o esposo e pai,
Cássio

(Cássio Noronha)
Salvador, 03 de janeiro de 1979


Mensagem recebida no Centro Espírita "Caminho da Redenção" em Salvador, Bahia, por Divaldo Pereira Franco

terça-feira, 26 de junho de 2007

Renascemos e Renascemos...até saldar a última dívida!


No Elevador


Feliciano e Osório eram vizinhos que se viam muito pouco. E por motivos desconhecidos, quando se cumprimentavam havia sempre um disfarçado ar de antipatia.

Numa certa manhã, suas crianças que jogavam à bola nas proximidades, desentenderam-se e correram para casa com choros e reclamações.
Imediatamente os pais saíram e, em plena via pública, entraram em hostilizante discussão. Não fosse a intervenção de terceiros, Feliciano e Osório teriam causado escândalo ainda maior.
A contenda teve fim, enquanto um dizia:
- Desaparece de minha vista e nunca mais voltes a falar comigo. ...
E o outro redarguiu:
- Infeliz sou eu em ser teu vizinho!

Tudo voltou à calma quando ambos se recolheram.

À tarde, porém, vamos encontrar o nosso amigo Feliciano fazendo compras numa grande avenida.
Momentos depois, sai de um estabelecimento, conduzindo nas mãos pequeno pacote.

Apressado e meio aturdido, penetra a portaria de um edifí­cio, e quase instintivamente entra num elevador. Imediata­mente aciona o botão a fim de subir ao 102º andar. Suspira fun­do, enquanto o aparelho descola; mas, ao volver os olhos para o lado, leva um susto... Tinha como único companheiro naquela cápsula, um homem que não era outro senão Osório, o seu vi­zinho.

É inútil tentar descrever o estado de espírito que dominou os dois em tão aflitiva circunstância.
Ambos pensaram logo em escapar.

Osório precipitadamente aciona uma tecla, tentando fugir. Queriam afastar-se abruptamente, mas, nesse momento, por incrível que pareça, a luz se apaga e o elevador pára, imó­vel. Faltou energia elétrica.

A situação se agravou. Os dois pareciam pilhas a ponto de explodir.

Mas, a prisão daqueles instantes fê-los mansos, e come­çaram a trocar palavras em grotescos monossílabos.

O tempo foi passando...

Forçados pelo imprevisto, aí mesmo apaziguaram-se, re­consideraram o incidente da manhã e passaram a conversar sobre futebol. Ambos torciam pela mesma equipa.
Meia hora depois o aparelho volta a funcionar.

E na saída os dois, aliviados, despedem-se com um co­movente abraço, e tornam-se amigos. . .



A família, ante a Lei das vidas sucessivas, é como aquele elevador: encarrega-se de reunir almas inimigas, sob o mesmo tecto, até que haja a necessária RECONCILIAÇÃO.

In Páginas do Quotidiano Hilário Silva

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A Comunicação através do sonho

Diálogo em Casa

Era como se tudo houvesse desembocado num grande caos - reflectia o Dr. Luciano de Sá, ante o terrível impacto so­frido com a inesperada morte do filho.
Germano servira o Exército havia pouco tempo. Filho úni­co, sempre teve nos pais dispensadores pródigos que tudo fa­ziam para ver o jovem crescer feliz.
Nos últimos tempos, porém, Germano mostrava-se inex­plicavelmente rebelde e avesso ao ambiente doméstico.
Um tanto saturado de prazeres que sempre lhe foram fá­ceis, o moço, inquieto, parecia tomar caminhos diferentes.
Isso é fase - dizia a mãe, D. Albertina - com o tempo tudo passa. É o período da emancipação que todos devemos res­peitar.
Filho e genitores, apesar de residirem no mesmo lar, vi­viam em situações diferentes e até desassociadas. Os laços de aproximação existentes eram, em verdade, muito fracos.

Na medida em que passavam os meses, o jovem torna­va-se mais revoltado, até que seus pais vieram a receber a vi­sita de dois policiais que os informaram sobre o acidente.
Germano, passeando de moto, acabara de ser atropelado por um caminhão, vindo a morrer minutos depois.
Agora a casa estava vazia. E os dois corações ali exis­tentes, saturados de angústia.
Trinta dias depois, Dr. Luciano, que acreditava na eficácia da prece, rogava aos Céus, antes de dormir, a bênção de um consolo maior.
Dormiu serenamente e, momentos após haver conciliado o sono, passou a ter sonho muito significativo: um amigo não identificado, o conduziu a um hospital e lá surpreendeu-se com a presença do filho querido. Estava em delicado tratamento e já gozava de sensível recuperação. Os dois não puderam conversar, mas trocaram enigmático e profundo olhar.
E a experiência prosseguia...
Dr. Luciano, meio atónito, naquele instante, foi convidado a ouvir algumas palavras de abnegado Mentor. E, sentando-se, ouviu o seguinte:
- Seu filho não morreu. Teria morrido se continuasse na Terra. Dessa forma, sua consciência teria sido petrificada no erro. Portanto, ele foi salvo. Salvo pela bênção da morte. Não diga jamais que a sua casa está vazia, porque vazia ela sempre esteve desde que não ofereceu lugar ao coração de Germano. Todo ambiente humano sem diálogo é hostil. Seu filho estava tentando escapar a essa situação. Começou a degenerar-se, revivendo quedas de outras vidas, e quando sentimos que es­tava mergulhando a alma no submundo do tóxico, recorremos à misericórdia de Deus e o trouxemos para cá. Foi uma con­cessão feita com base em méritos que o nosso Germano traz de outras existências. Seria muito triste o seu caminho pela vi­da, não fosse essa providência. Portanto, meu irmão, dê gra­ças a Deus por tudo, assuma o compromisso de aprender a ser pai e não se esqueça que o diálogo afectivo é base de harmonia para o lar.

Assim que o Dr. Luciano acabava de ouvir a palavra enér­gica e esclarecedora daquele que continuava sendo o anjo guardião de seu filho, sentiu o sonho se desfazer e, em segui­da, despertou no corpo, trémulo e pensativo...
In Páginas do Quotidiano Hilário Silva

domingo, 24 de junho de 2007

Perda de Entes Queridos

Trabalhemos para que a luz da compreensão se faça entre os nossos amigos encarnados, a fim de que as angústias afectivas não arrojem tantas vítimas à voragem da morte, intoxicadas de criminosas paixões.“

André Luiz

  • Habitualmente, vivemos o nosso dia a dia, sem pensarmos na morte que nos apavora, porque desconhecemos as suas leis e, se cremos na continuação da vida no Além, fazemo-lo duma forma vaga, afirmando: “ Eu só sei que ninguém volta para contar como é”.
  • Não sabe. Porque desconhece e não porque os espíritos não se tenham comunicado ao longo dos séculos, tentando ilustrar com as suas histórias pessoais como é a passagem, logo após o desencarne. André Luiz, escreveu 16 livros descrevendo essa transição e toda a complexidade da evolução, mostrando-nos que o único valor cultivado dum e doutro lado da vida continua a ser o Amor ao próximo e a Deus. Mas, muitos outros espíritos o fizeram e fazem também, como Emmanuel, Joana de Ângelis… Através da mediunidade abençoada de Chico Chavier, muitos entes queridos se manifestaram a seus familiares, ansiosos por afirmar que PERMANECEM VIVOS e para pedir aos que deixaram na terra maior resignação pela sua partida e mais fé em Deus na certeza do REENCONTRO.

  • É de facto uma das maiores dores que experimentamos ao perdermos temporariamente alguém a quem muito amamos. Todavia, todos enfrentamos essa prova um dia, queiramos encará-la ou não. Temos de preparar as nossas forças e coragem, pois se é natural chorarmos de saudade num dado período, já o não é tanto, caso prolonguemos o nosso luto indefinidamente, revoltando-nos contra Deus e vendo esse desenlace como um castigo. É de facto uma prova muito dolorosa, mas quantas vezes a misericórdia Divina ao retirar alguém do nosso convívio, sobretudo, se se trata dum jovem, não evita maiores infelicidades no futuro para esse espírito que ainda não teve oportunidade nesta vida de se endividar?
  • Muitos vieram contar as razões pré-fixadas para terem desencarnado prematuramente, já que sabemos que muitas provas são escolhidas antes do nascimento, pelo próprio espírito, que possui o livre-arbítrio. É muito consolador ler os livros de filhos como Luiz Sérgio, Cássio cuja partida tantas lágrimas causou e cujos relatos posteriores, imensa alegria e resignação deixaram nos corações de seus pais.
  • Todos eles descrevem como foram recebidos pelos familiares amigos, falecidos anteriormente, afirmando que se as orações eram sempre um bálsamo e uma alegria de saberem que eram lembrados, o desgosto e as lágrimas em excesso lhes causavam perturbação e ansiedade pela ausência de fé que os que ficaram demonstravam, adiando assim, o ansiado reencontro, deixando de cumprir as responsabilidades que a todos compete no dia a dia, ao revoltarem-se e entrarem em depressões e outros processos tanto ou mais dolorosos do que a perda sofrida.
  • Quantas tragédias se desenrolam nos lares ao pensarmos que perdemos para sempre aqueles que amamos!!!
  • Que sofrimento lhes causamos sem saber, sintonizando com eles que nos lêem os pensamentos infelizes e destruidores do seu equilíbrio, pela saudade que também sentem do ambiente familiar que acabam de deixar!!!
  • Se nem todos nós recebemos a bênção de uma notícia isso deve-se a múltiplos factores: as circunstâncias não se proporcionam; não é fácil a comunicação entre os dois lados da vida; a mediunidade que permite receber mensagens directas é uma mediunidade complexa (que falta faz o Chico!); o espírito passa, no início, por uma fase de adaptação e perturbação, sobretudo, se a sua foi uma morte violenta ou repentina, por acidentes…o tempo que a nós parece longo ( 2 ou 3 anos) é encarado pelo espírito como muito curto numa outra dimensão; na comunicação, previamente preparada pelos amigos espirituais, criando a sintonia entre espírito comunicante e médium, é necessário, frequentemente, a ajuda e o aprendizado daquele que se quer comunicar para que a mensagem se concretize.
  • Cabe-nos advertir a todos os que choram os seus entes queridos e que anseiam pelo contacto directo que tenham cuidado nas suas buscas, pois poderão ver defraudadas as suas expectativas e sentirem-se enganados por gente menos séria que faz da mediunidade um negócio, atraindo pelas leis da afinidade espíritos pouco elevados, ainda agarrados aos vícios e irresponsabilidades que cultivaram na terra.

  • Quase todos os Centros Espíritas em Portugal, possuem um grupo de pessoas que se reúnem semanalmente com o objectivo de auxiliar encarnados e desencarnados. Passemos a frequentar um deles, ouvindo e estudando o Evangelho de Jesus e, abrindo o nosso coração a esses médiuns amigos. Quem sabe um dia não teremos a enorme consolação de receber notícias do Alto? Também, aqueles que amamos recebem nossos pensamentos e sentem amor por nós. Visitam-nos e entram nos nossos sonhos.

  • Quem não viveu já momentos em que as recordações afluem de forma mais intensa, parecendo que aquele que nos deixou, se encontra presente, causando-nos até alguns arrepios ou emoção?
Alarguemos a nossa compreensão e entreguemos nossas dores a Deus, confiando num futuro mais harmonioso e feliz.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Almas Gémeas


A teoria modernamente divulgada e defendida das almas gémeas, não encontra base de sustentação no bom-senso, nem na Doutrina Espírita.

Segundo as teorias da Nova Era, Deus teria originariamente criado uma alma para a dividir em duas metades e, tendo-as separado, elas se buscam até voltarem a encontrar-se, ficando a alma novamente completa. Estas almas, sendo gémeas, desde a criação, possuiriam características únicas semelhantes entre si, mas distintas de todas as outras, o que poria em causa o princípio do livre-arbítrio, em que cada um de nós é o único responsável pela sua própria evolução espiritual.

  • “…não há união particular e fatal, de duas almas. A união que há é a de todos os Espíritos, mas em graus diversos, segundo a categoria que ocupam, isto é, segundo a perfeição que tenham adquirido. Quanto mais perfeitos, tanto mais unidos. Da discórdia nascem todos os males dos humanos; da concórdia resulta a completa felicidade.” In O Evangelho segundo o Espiritismo - Item 298.


Com este tipo de pensamento, (das falsas almas gémeas) se vêm justificando algumas atitudes precipitadas de divórcio, adultério e outras práticas que, sendo reveladoras de comportamentos exagerados, porque centrados no ego, muitas vezes filhos do orgulho e da incapacidade de doar-se, exigem ainda a aprovação da sociedade a quem este tipo de ideias seduz e liberta da censura da consciência (essa sim, FATAL) que, um dia, não poderá ser silenciada, pois todos respondemos, queiramos ou não, pelos prejuízos causados a outros.

  • "Em que sentido se deve entender a palavra metade, de que alguns Espíritos se servem para designar os Espíritos simpáticos?
  • “A expressão é inexacta. Se um Espírito fosse a metade do outro, separados os dois, estariam ambos incompletos.”

  • a) - Podem deixar de ser simpáticos um ao outro dois Espíritos que já o sejam?
  • “Certamente, se um deles for preguiçoso.” In O Evangelho segundo o Espiritismo - item 299

Como se vê, embora todos nós pertençamos a famílias espirituais, comunguemos de pensamentos e sentimentos similares, teremos sempre de lutar em cada existência pelo nosso aperfeiçoamento individual, sobretudo se essa mesma família espera por nós. E quem não tem um anjo guardião (ou anjo da guarda) que é tão somente um espírito simpático, um pouco mais evoluído a orientar-nos no caminho do bem? Todavia, quando o não ouvimos, ele se cansa e vai embora. Voltará quando nos predispusermos a alterar a nossa vida.

Terminamos esta reflexão, com as belas e sábias palavras de Léon Denis, contemporâneo de Kardec:


“O espírita conhece e compreende a causa de seus males; sabe que todo sofrimento é legítimo e aceita-o sem murmurar; sabe que a morte nada aniquila, que os nossos sentimentos perduram na vida de além-túmulo e que todos os que se amaram na Terra tornam a encontrar-se, libertos de todas as misérias, longe desta lutuosa morada; conhece que só há separação para os maus. Dessas crenças resultam-lhe consolações que os indiferentes e os cépticos ignoram. Se, de uma extremidade a outra do mundo, todas as almas comungassem nessa fé poderosa, assistiríamos à maior transformação moral que a História jamais registrou.”
“Depois da Morte” Léon Denis

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Afeições no Mundo Espiritual e Espíritos simpáticos

1. Afeições no Mundo Espiritual

Contrariamente ao que muitos pensam, as afeições na terra são apenas uma pálida imagem dos laços belos e permanentes que se estabelecem entre seres que comungam das mesmas inclinações para o bem, em estado semelhante de evolução intelecto-moral. Estando libertos das paixões que os ligam em vida e que fazem os homens agruparem-se em clãs familiares de pendor egoísta, social, de raça… eles se atraem e agrupam em famílias mais alargadas do que na terra, unidos por sentimentos sinceros, tendo em vista o aperfeiçoamento colectivo e alegrando-se, com as conquistas de cada um dos seus entes queridos em cada regresso a casa, após mais uma vida na Terra, plena de lutas e provações experimentadas e ultrapassadas.
Se uns encarnam e outros não, nem por isso deixam de estar unidos pelo pensamento. Os que se conservam livres velam pelos que se acham em cativeiro. Os mais adiantados se esforçam por fazer que os retardatários progridam. Após cada existência, todos têm avançado um passo na senda do aperfeiçoamento.”

ESE –IV capítulo - item 18

2. Espíritos simpáticos


Muitas vezes, uns precedem os outros na mesma reencarnação, com programações conjuntas e elevadas, lutando pelo bem comum e criando as famílias onde reina a afeição sincera. Estes espíritos simpáticos encontram-se aparentemente “por acaso” e experimentam atracção espontânea e imediata, fruto de relações agradáveis vividas em outras eras. Que bela imagem nos transmite o Evangelho segundo o Espiritismo ao afirmar: "… é a atracção de dois Espíritos, que se buscam reciprocamente por entre a multidão.“

Daí também ser frequente encontrarmos filhos que se assemelham aos pais, irmãos gémeos de carácter similar, nos seus comportamentos de cariz moral.

São espíritos afins que se juntaram, pelas leis da atracção e gostam de estar juntos.
Embora nem todos os espíritos afins tenham necessariamente que se ter conhecido numa vida anterior, pois eles se atraem por inclinações semelhantes, isso frequentemente acontece:
“A afeição que existe entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou….”
ESE –IV capítulo - item 19

Quando regressam ao mundo espiritual, os espíritos se reconhecem e recordam todos os momentos que já viveram juntos. Se na Terra isso não sucede é porque isso lhes seria mais prejudicial que benéfico.

Há, pois, duas espécies de família:

as famílias unidas pelos laços espirituais e estáveis que se estimam,
se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma.


e as famílias unidas pelos laços corporais, frágeis como a matéria, e que se, mais nada as liga do que as paixões terrenas, se extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem moralmente, já na existência actual.
("O Evangelho Segundo o Espiritismo", cap. XIV, item 8).

"Purificadas as afeições, acima dos laços do sangue, o sagrado instituto da família se perpetua no Infinito, através dos laços imperecíveis do Espírito. "
Emmanuel

terça-feira, 19 de junho de 2007

Léon Denis

Acabo de ler uma obra rara de Léon Denis "Giovana". De grande qualidade literária, esta novela relata-nos o reencontro de duas almas afins e explica-nos claramente as razões das provas pelas quais temos de passar individualmente, até nos podermos reunir aos entes queridos. Não percam. Encontra-se aqui para download:

http://www.autoresespiritasclassicos.com/Leon%20Denis%20Livros/Giovana/Livros%20Espiritas%20Gratis.htm

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A Família

A família é o núcleo abençoado na Terra, onde os espíritos se reúnem para as lutas necessárias à sua evolução.
Muitas vezes eles se encontram atraindo-se por simpatia, constituindo-se em pequenos grupos afins que se entreajudam na sua caminhada, visando o aperfeiçoamento moral e intelectual do espírito e o adiantamento que a todos se faz indispensável.
Quando regressam ao mundo espiritual, os espíritos agrupam-se em grandes famílias, de acordo com a lei da atracção pelos gostos, simpatia e afeição partilhadas.

“No espaço, os Espíritos formam grupos ou famílias entrelaçados pela afeição, pela simpatia e pela semelhança das inclinações. Ditosos por se encontrarem juntos, esses Espíritos se buscam uns aos outros. A encarnação apenas momentaneamente os separa, porquanto, ao regressarem à erraticidade, novamente se reúnem como amigos que voltam de uma viagem.” (CAPÍTULO IV-
item 18 “Evangelho Segundo o Espiritismo”)


São ainda raras estas uniões felizes, num mundo de provas e expiações como o nosso.
Quantas vezes afirmámos que aquele rapaz não sai à família, parecendo destoar em tudo do grupo consanguíneo a que pertence, sentindo-se ele próprio um estranho? Deus permite que isso aconteça como prova para uns e oportunidade de regeneração para outros que poderão aprender com os exemplos transmitidos.
A Família é assim uma escola das mais importantes para podermos ultrapassar os insucessos e as agressividades doutros tempos.

No estádio de adiantamento moral em que ainda nos encontramos, o Espírito é o grande devedor do passado, tendo inúmeras vezes contraído débitos graves para com aqueles com quem lhe foi dado viver no passado e então reencarna nos mesmos círculos para, através do amor familiar, poder resgatar a sua dívida. É comum encontrar filhos que não suportam um pai ou uma mãe, casais que se degladiam frequentemente, que se ferem com desconfianças sem motivo, não se encontrando razões plausíveis na vida actual para esses comportamentos.
Se a misericórdia Divina não nos concedesse o esquecimento de nossos erros passados, provavelmente aí encontraríamos a causa de tantas aflições presentes e que nesta vida não merecemos. Porquê eu? É a frase que repetimos constantemente quando a ingratidão nos bate à porta, vinda daqueles a quem tanto amamos.

São antigos inimigos que se enfrentam e que, embora as lutas continuem por largo tempo, gerando antipatias e dissenções, acabarão conciliando posições e feitios, cedendo ao vínculo forte do amor que os une e perdoando-se mutuamente.

São carrasco e vítima que se reencontram, agora em posições diferentes, um cobrando do outro, atenção constante, carinho e protecção antes negadas e o outro sentindo a necessidade imperiosa, embora a contragosto, de se lhe dedicar até à exaustão. A dívida por saldar brota do inconsciente e o vínculo do amor que agora os liga, levará ao resgate e ao perdão.
Quantas vezes não pronunciamos a frase “Pois errou…mas é meu pai…minha mãe… meu irmão…meu filho? É a sabedoria Divina, conduzindo-nos amorosamente ao perdão das ofensas e à fraternidade universal.
Foi Jesus que nos indicou o caminho rumo à “Família Universal” ao dizer a seus discípulos: “Eis aqui meu pai, minha mãe e meus irmãos, …aqueles que fazem a vontade de Deus”, referindo-se à assembleia que o ouvia atentamente.

Saibamos nós compreender as nossas provas e aceitá-las com coragem e fé no porvir e subiremos passo a passo, “ao longo do processo reencarnatório, a simbólica escada de Jacob” (como diz Joana De Ângelis), a caminho da felicidade que ainda não é deste mundo. Se não encontramos na nossa família afinidades e simpatias suficientes é porque ainda o não merecemos. Trabalhemos afincadamente, eliminando o orgulho, o ódio, as traições e animosidades e um dia receberemos a bênção de recriar na terra os laços que mantemos na espiritualidade com a nossa família espiritual e que nos aportam a harmonia e a paz de que a nossa alma intui a saudade.