quarta-feira, 19 de abril de 2017

Andou como um macaco e ladrou como um cão


A mediunidade é, em si, neutra. É uma faculdade orgânica que todos nós possuímos em maior ou menor grau. Contudo, apenas designamos de médiuns aquelas pessoas que apresentam essa faculdade de forma mais ou menos ostensiva. A mediunidade, tal como vulgarmente a entendemos, é uma bênção se colocada ao serviço do próximo de forma honesta e dedicada.

O médium sofre, por vezes, a incompreensão dos que o rodeiam. Umas vezes é desprezado ou mesmo caluniado; outras é adulado. Sofre quando é assediado por Espíritos inferiores e sofredores, mas tem, também, as suas alegrias pelo ânimo e incentivo que lhe é transmitido pelos companheiros da espiritualidade que trabalham no exercício da Caridade com Jesus, seja no Centro Espírita, no Terreiro de Umbanda, nos círculos católicos ou outros quaisquer, pois nem os médiuns nem a Caridade, por definição desinteressada, é exclusiva deste ou daquele grupo.

Temos, contudo, que reconhecer que a actividade mediúnica bem orientada (que exige estudo continuado) só pode ser exercida num Centro Espírita bem orientado, recorrendo às obras da Codificação de Allan Kardec e outras obras complementares vindas, quer da Espiritualidade através da psicografia de médiuns de reconhecida credibilidade, quer de companheiros encarnados que estudaram seriamente o assunto.

Decorre, do que temos vindo a referir, que a mediunidade é, pela sua própria natureza, gratuita. Dar de graça o que de graça se recebeu. Este o lema.

Serve esta introdução para relatarmos um facto que ocorreu em meados da década de 80 numa cidade de Portugal.
Nesta cidade funcionava, então, um centro de Umbanda bastante evangelizado, voltado para o exercício da Caridade e atendendo pessoas que colocavam problemas da mais diversa ordem: desde problemas de saúde, a problemas de natureza espiritual e mesmo a problemas puramente materiais.
De todos os que tivemos oportunidade de presenciar, as entidades que se manifestavam ouviam, pacientemente, quem as procurava, dando conselhos, mesmo que muitas das solicitações feitas nos parecessem frívolas ou absurdas.

Para nós, espírita e estudioso da Codificação de Allan Kardec, muitas das questões que algumas pessoas colocavam, por vezes, às entidades (Espíritos incorporados) que se manifestavam, pareciam-nos um abuso da boa-vontade das mesmas. Contudo, nunca vimos qualquer atitude ríspida por parte delas. Eram o que se poderia chamar de Espíritos Bons. Muito terra-a-terra, mas bons. O que, aliás não era de admirar, pois as pessoas que integravam esse centro de Umbanda eram, genuinamente, boas pessoas. Pessoas simples, sem estudos, sem graus académicos, mas humildes e com ‘bom fundo’.

O mesmo não se pode dizer de alguns e algumas consulentes que lá apareciam. Um caso houve, do qual nunca mais nos esquecemos.

Uma senhora, que era vendedora no mercado da cidade, oferecia os seus préstimos às clientes para resolução de problemas que estas lhe apresentavam. Para cada cliente que lhe apresentasse um problema, ela ia dizendo que não podia dar a resposta de imediato, mas que, na semana seguinte, lhe diria alguma coisa. E assim era.

No sábado à noite ela ia ao centro de Umbanda, colocava as questões das suas clientes às entidades manifestantes e, na semana seguinte, dava essas respostas, que havia recebido no centro, às clientes que lho haviam solicitado anteriormente. E com este procedimento ia fazendo o seu negócio.

A situação foi perdurando no tempo até que os trabalhadores encarnados do Centro vieram a descobrir o tráfico.

E colocaram a questão a uma entidade que se manifestava como preto velho.

- Nós sabemos, minha filha, nós sabemos. Mas deixe estar que essa filha vai ter a lição que merece. – respondeu a entidade espiritual.

No sábado seguinte lá compareceu essa infeliz irmã com intenções pouco honestas. Mas, oh surpresa! Foi tomada de convulsões. Dobrou-se. Colocou-se de joelhos, apoiando as mãos no chão e foi gatinhando para a saída.

Segundo um dos trabalhadores do centro, nosso amigo, essa irmã: andou como um macaco e ladrou como um cão.

Moral da história

1. Podemos esconder as nossas intenções, palavras e actos perante os homens, mas não o poderemos fazer perante os Espíritos e, muito menos, perante Deus.

2. Os Espíritos são pessoas desencarnadas. Com as mesmas qualidades e defeitos, mas com uma outra visão, mais alargada que aquela que nós outros possuímos.


Retirado do livro “Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos”, de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

sábado, 8 de abril de 2017

A limpeza da casa


Um casal de meia-idade contactou-nos, pois achava que o ambiente em casa estava pesado. Recomendámos que fizessem o Evangelho no Lar regularmente, uma vez por semana. Indagaram-nos se era possível a nossa presença e nós não dissemos que não.
Lá fomos, durante várias semanas, participar na realização do Evangelho. O filho e a filha do casal, adolescentes de 18 e 19 anos, não participavam. Talvez se recusassem. Ou talvez os pais não os motivassem o suficiente, explicando-lhes a importância e a necessidade de realização do mesmo.
Como a situação não se alterava e o ambiente continuava pesado, segundo informação que nos era prestada, pedimos auxílio a um Centro Espírita, indagando se era possível uma reunião mediúnica nessa casa, com a presença de médiuns ostensivos, isto é, de pessoas através das quais os Espíritos eventualmente presentes se pudessem manifestar e dialogar com nós outros.
A resposta foi positiva e agendámos o dia para a realização dessa reunião.

Compareceram alguns elementos do Centro, a que nos juntámos nós três, os participantes nas reuniões do Evangelho no Lar inicialmente contactados pelos donos da casa.
Durante a reunião manifestaram-se entidades que confessaram estar ali porque tinham sido chamadas. Ficámos intrigados. Contudo, as entidades foram encaminhadas e o ambiente ficou mais leve, segundo informação posteriormente prestada.

Nós, os três participantes nas reuniões do Evangelho no Lar, encontrámo-nos naquele sábado com o objectivo de nos deslocarmos ao referido Centro Espírita que se situava numa cidade a dezenas de quilómetros da nossa residência habitual.

Durante o trajecto fomos conversando sobre assuntos variados, nomeadamente, sobre a situação espiritual daquele lar que tanto nos intrigava. Em determinada altura diz um dos ocupantes da viatura em que nos deslocávamos: Sabem… ultimamente tenho tido sonhos muito esquisitos, envolvendo sexo. Não consigo explicar a razão de ser desses sonhos. Nós outros, que até então não tínhamos feito quaisquer referências às nossas vivências pessoais, confirmámos, igualmente, que nos últimos tempos tínhamos tido também sonhos do mesmo género.

Concluímos que não se tratava de coincidência e que estariam, eventualmente, ligados a trabalhos espirituais nos quais estivéssemos participando. Mas quais? Não sabíamos dar resposta.

A explicação surgiu mais tarde, precisamente através do dono da casa onde havíamos realizado as reuniões do Evangelho no Lar, bem como a reunião de desobsessão.

Contou-nos ele que apanhou o filho e a filha a assistirem a filmes pornográficos, com os respectivos namorada e namorado, trancados no quarto. Ficou sabendo, igualmente, que o faziam com regularidade.
Ao fazê-lo, atraíam entidades afins, viciadas no sexo, que causavam tantas perturbações na casa, tanto mais que o senhor, o pai, era possuidor de uma mediunidade descontrolada.

Explicava-se, deste modo, a razão de ser dos nossos sonhos, envolvendo cenas de sexo libertino, confirmando-se, assim, que estavam, de facto, relacionados com os trabalhos espirituais que haviam sido executados.


Moral da história


Somos nós que escolhemos as companhias espirituais de que nos fazemos rodear, bem como aquelas que frequentam a nossa casa. Por outras palavras – somos nós que as convidamos. E tanto podem ser boas como más, consoante os nossos pensamentos, palavras e acções. Numa família onde haja harmonia e equilíbrio e onde regularmente se pratique o Evangelho no Lar, podemos assegurar que as presenças serão sempre boas e o ambiente nunca será pesado, para usarmos a expressão daquele casal amigo.

Extraído do livro: "Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos", de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Livros Espíritas já publicados

Dois livros espíritas têm chamado a atenção dos companheiros de Ideal:





Podem ser adquiridos junto do autor, da Editora ou de livrarias on-line.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Companheiro em fuga (4) - Conclusão

Manifesta-se o Espírito Orientador dos trabalhos:


“Meus irmãos: aqui nos encontramos hoje reunidos neste espaço agradabilíssimo rodeados de toda esta luminosidade que emana directamente do coração de Jesus.

Obrigado, Senhor por tanta benevolência, obrigado Senhor porque um dia vieste recordar-nos que Deus é Nosso Pai, sempre de braços abertos à espera de nosso regresso. Obrigada, Jesus porque Te ofereceste em sacrifício a um acto ignominioso cometido por toda a Humanidade e ofereceste em dádiva absoluta dizendo aos homens: “vós Me negais, vós Me crucificais, mas Eu vos amo meus irmãos”.

Somos todos irmãos de Jesus, todos irmãos do mesmo elo, no Amor de Deus, Nosso Pai Eterno.
Façamo-nos todos os dias um pouco mais merecedores de toda essa dádiva infinita, de todo esse amor incansável por todos nós seus irmãos caídos e que Ele sempre protege e a quem lança a mão, ainda que O recusemos.

Estamos aqui hoje reunidos para meditarmos em conjunto, independentemente das nossas raças, das nossas religiões, das nossas convicções, das nossas aquisições ou das nossas quedas, na responsabilidade que assumimos quando O reconhecemos e quando nas nossas orações nocturnas Lhe pedimos auxílio. O auxílio chega, sempre chega, independente de nossos erros, mas chega também a nossa responsabilidade por nossos actos diários, por nossos pensamentos, pela defesa da honra e da justiça, pela manutenção da ordem, sim, mas não pela manutenção da injustiça, da agressão ao outro, porque onde há alguém que comanda sem esse Amor no coração, há alguém que é comandado, que é humilhado, que é espezinhado quantas vezes, sendo conduzido à loucura, ao suicídio que tantos males acarreta e tem acarretado à Humanidade.

Meditemos, todos nós, nas consequências daquilo que escolhemos fazer em prol do meio em que nos foi dado viver, do lugar onde escolhemos desempenhar nossas profissões, desenvolvendo nossos talentos, doando-nos para o progresso e o bem-estar de todos.

Meditemos nas opções que fazemos e nas suas consequências, mas meditemos também, hoje, num aspecto muito pouco abordado em todas as igrejas terrenas: na permissão que todos nós, mas todos sem excepção, concedemos a essa mesma injustiça que grassa na Terra, usando argumentos, optando pelo mais fácil, não nos comprometendo com nada nem ninguém e nas mesmas consequências gravosas que essa nossa atitude, pela não atitude, traz também a toda a Humanidade.

Se uma pedra rola da montanha, por mais pequenina que ela seja, só pelo facto de rolar altera a estrutura da rocha onde se encontrava que não mais será a mesma, para não falar no caminho que essa pedrinha que mal se vê, desenvolve, dos obstáculos que percorre, das alterações mínimas que vai causando na crosta terrestre. Se ela não se mover nenhuma alteração se dará. É verdade que é pequenina, é verdade que é tão ínfima que ninguém dá por ela, mas o que fizermos num local, por mais distante que seja do Planeta, podemos ter a certeza que terá consequências do lado exactamente oposto pois tudo se encontra em movimento, nada é estático, meditai bem nisso.

Se o bem fosse estático então a nossa atitude correcta deveria ser o cruzarmos os braços perante aquilo que observamos, perante aquilo que nos é dado observar e optar. Somos todos responsáveis, meus irmãos, não duvideis disso.

Oremos sempre, pedindo nas nossas orações tudo o que pedimos habitualmente pelos nossos amigos, pelos nossos familiares, pelos nossos entes mais queridos deste ou do outro lado da vida mas incluamos nessas orações o pedido mais urgente para a Humanidade em turbação.


Orienta-me Jesus, orienta-me nas minhas acções diárias, nas minhas reflexões antes que nas minhas acções, para que elas representem, reflictam essas mesmas reflexões quando tiver que desempenhar a minha tarefa e que nessas reflexões eu Te não negue Jesus porque ao te negar um irmão ao meu lado, em sofrimento, eu estou negando toda a minha aquisição, todo o meu património adquirido em todas as vidas que já vivi e em todas Te encontrei, Jesus. Permite Jesus que eu não Te negue que eu possa defender Teu nome no meu lar, no meu emprego, na sociedade em que me foi dado viver. Não me deixeis seguir o exemplo de Judas para que não sofra os seus remorsos. Oh, que dor insofismável esse nosso irmão sentiu quando naquele momento capital em que lhe era pedido apenas que olhasse para Jesus e que O reconhecesse no seu coração, ele optou por aquilo que todos nós optamos: pelo comodismo, pelo favorecimento imediato que tantas consequências, meus irmãos, lhe trouxe durante tanto e tanto tempo. Não nos cabe aqui hoje analisar a história de Judas, apenas a mencionamos para que possamos, todos nós, evoluir um pouco mais cada dia e se for preciso duas orações, três orações, que possamos parar em vários momentos do nosso dia, no meio de nossos afazeres, por mais importantes que eles sejam para pedir a ajuda que nunca é negada.

Ajuda-nos Jesus, ajuda-nos para que possamos dizer bem alto: o meu irmão está aqui ao meu lado e eu estou a vê-lo; ele necessita de mim e eu dar-lhe-ei a mão, mas Tu, Jesus, estás aí na minha frente e eu amo-Te Jesus e digo bem alto a todos os que se encontram à minha volta: eu amo meu irmão necessitado, mas eu amo-Te Jesus.”

Extraído do livro "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)