quinta-feira, 18 de maio de 2017

Na escuridão


Na reunião da noite de 4 de Janeiro de 2010, tal como em muitas outras ocasiões, manifesta-se uma entidade em sofrimento, desconhecendo totalmente a sua situação. Não está só. Muitos outros Espíritos estão sendo auxiliados. Contudo, por decisão dos Amigos Espirituais, apenas este companheiro veio trazido ao choque anímico no corpo da médium. Todo o grupo se mantém em oração.

O doutrinador solicita à entidade que preste bastante atenção pois estão Espíritos Amigos que a querem auxiliar em nome de Jesus. A entidade apenas se queixa do estômago e diz que nada vê. Após a oração e vibrações emitidas pelos elementos do grupo este companheiro percebe a presença de Espíritos Amigos que o auxiliam. Manifesta-se, no final, o Espírito orientador dos trabalhos: “A porta estreita é o verdadeiro caminho para vencermos esses escolhos (egoísmo) e nos tornarmos mais felizes”.

Espírito: Não vejo nada. Hã, bateram-me no ombro. Há tanto tempo que ninguém me tocava. Sim, eu não sei de nada, tenho vivido assim sozinho, junto com as minhas dores. Não tenho visto nada nem ninguém. Agora estou a ver uma pessoa que diz que me quer ajudar. Isto é milagre, é milagre. Ou será que estou a sonhar. Ah, será que eu posso contar?

Eu preciso de tanto descanso. Preciso de descansar. Este amigo aqui diz que eu vou descansar. Vou recuperar. Ah, não acredito. É milagre. E vou ser tratado. Há um sítio próprio para isso onde há outros como eu. Eu não posso acreditar. Isto é milagre. É milagre. Eu vou, sim. Eu vou. Eu quase não posso andar.... Dizem-me para eu fazer um esforço para ir até à saída. Dizem-me que eu sou capaz.

O doutrinador agradece a Deus nosso Pai pela ajuda concedida a este irmão e pede por ele e por todos os sofredores presentes.

Manifesta-se o Espírito Orientador dos trabalhos:
Boa noite meus irmãos: Que a Paz do Senhor esteja com todos nós.

Inicia-se no calendário humano um novo ano cheio de esperanças, a renovação de projectos, concretização de sonhos e esperamos, que de conquistas. Conquistas em prol do bem comum, conquistas a favor da Humanidade, conquistas em prol da Paz e do Progresso. Que o Homem, cheio de erros, possa largar algumas dessas vestes e envergar outras veste no caminho do Bem, no caminho para Jesus, seguindo-lhe o exemplo a caminho da glória, aproximando-se um pouco mais de Deus. Que esse sonho possa concretizar-se neste Novo Ano.

Que Deus nos proteja e nos ilumine os passos em sua direcção, na conquista da felicidade interior, daquela que todos desejamos ainda que inconscientes, tantas vezes olhemos para o lado e escolhamos a estrada larga, aquela que nos parece cheia de prazeres, esquecendo que por cada luta contra nós mesmos, contra o egoísmo que nos mantém agarrados ao passado. A porta estreita é o verdadeiro caminho para vencermos esses escolhos e nos tornarmos mais felizes.
Que a Paz fique convosco, meus amigos, meus irmãos.
João

Extraído do livro: "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)


domingo, 7 de maio de 2017

A calculadora dispensável


Que Divaldo Franco é possuidor de uma mediunidade excepcional todos nós sabemos. Através de Divaldo Franco os Espíritos escreveram romances, ensaios e mensagens de alto valor doutrinário. Mas, sem duvidar da mediunidade de Divaldo, um companheiro nosso conhecido, durante uma palestra do orador de Salvador da Bahia, Brasil, resolveu comprovar o fundamento de tal talento.
O caso ocorreu, salvo erro, em 1990, por ocasião de um seminário que se realizou nas instalações da Associação de Comerciantes de Lisboa.

Em discurso proferido em tom empolgante, característico de Divaldo, este divagava pelos acontecimentos mais marcantes da evolução da Física até à época actual. Referia nomes de cientistas, datas, locais...

E o nosso companheiro, que ouvia atentamente, ia ficando cada vez mais abismado com a grande sabedoria de Divaldo, mas, sobretudo, com a sua prodigiosa memória. Ele mostrava conhecimentos profundos precisamente na área em que esse nosso companheiro era especialista. Como era possível que uma pessoa revelasse tantos conhecimentos?! O assunto intrigava-o profundamente. E a situação chegou ao extremo quando Divaldo a propósito de determinado assunto referiu, salvo erro, a trigésima segunda potência do número 2 e revelou que se tratava do número quatro biliões, duzentos e noventa e quatro milhões, novecentos e sessenta e sete mil e duzentos e noventa e seis. Era demais!

Sem hesitar, esse nosso amigo que se fazia acompanhar sempre com uma calculadora científica no bolso resolveu fazer a conta. Lá no canto onde se encontrava, no 1º balcão da sala e dissimuladamente, tirou a calculadora do bolso com o objectivo de confirmar o número referido por Divaldo.

Ouve-se a voz forte de Divaldo vinda do palco: Não vale a pena tirar a calculadora porque o número é mesmo este!

O nosso companheiro instintivamente, como se tivesse sido descoberto, voltou a guardar rapidamente a calculadora na algibeira do casaco.

Mas a situação continuou para ele intrigante: como era possível que Divaldo possuísse tantos conhecimentos da sua área (Física) e tão prodigiosa memória? Como era possível que ele citasse com tanto rigor factos e datas que nem mesmo os estudiosos da matéria conheciam?!

Com estas perguntas na cabeça pediu a um amigo que, em seguida, iria entrevistar Divaldo que tentasse desvendar o mistério.

Na entrevista Divaldo explicou que o Espírito que se manifestou enquanto ele falava era o espírito de Vianna de Carvalho, que durante a vida terrena havia sido físico. Disse também que, enquanto discursava, lhe eram mostrados painéis que ele ia lendo.

Estavam, pois, explicados os profundos conhecimentos que Divaldo demonstrou ter na área da Física.


Moral da história
No domínio do que designamos como paranormal, todos os dias somos surpreendidos com factos que ignoramos. O nosso companheiro, versado em Física e Química, ficou, assim, esclarecido quanto à memória prodigiosa de Divaldo.


Do livro "Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos" de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora


domingo, 30 de abril de 2017

Ainda sob a influência da decomposição do corpo físico


No dia 22 de Dezembro de 2008, manifesta-se uma entidade que se revelava em grande aflição pois não se conseguia livrar dos “bichos” que a atacavam. Manifestamente esta nossa amiga ainda se encontrava mentalmente presa ao corpo físico e acompanhava a decomposição do mesmo, não se conseguindo desligar dessa imagem e das sensações produzidas. Foi assistida por Espíritos Auxiliadores que a conduziram para um posto de socorro da espiritualidade.

(Nota: A forte ligação à matéria depende de vários factores, entre os quais se encontram a ignorância, a falta de Fé, a descrença na vida após a "morte", uma vida essencialmente materialista, a consciência pesada devido a actos praticados...)


Espírito: Tira-me isto daqui.
Doutrinador: O quê, amiga? (O doutrinador é intuído de que se trata de uma entidade 'feminina')
Espírito: Bichos.
[A entidade continua esfregando-se desesperadamente. O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’. Esta nossa irmã aquieta-se].
Doutrinador: Concentra-te nas minhas palavras, querida irmã. Quem és? Como vieste? O que se passa contigo? Diz lá, minha irmã. Por onde tens andado?
[A entidade boceja].
Doutrinador: O que se passa ainda contigo? Porque estremeces? Estás aqui com mensageiros de Jesus, nosso Mestre. Não tens mais nada. Isso são tudo impressões mentais. É imaginação tua. O que vês tu?
Espírito: Bichos.
Doutrinador: Não vês nada, por que os bichos já abalaram. Estás a ver agora mensageiros de Jesus, vestidos de branco. Fala com eles.
Espírito: Vêm tirar-me os bichos.
Doutrinador: Já te tiraram.
Espírito: Não vão deixar que eles voltem? Eles voltam sempre.
Doutrinador: Fala lá com eles.
Espírito: Eles dizem-me que me vão levar para um sítio que eu não conheço nem ninguém me conhece. Isto parece um sonho. Eu nem acredito. Tenho sofrido muito, mas não me lamento. Só queria que terminasse. Estou muito cansada, muito cansada.
Doutrinador: E precisas descansar, não é verdade?
Espírito: Num sítio acolhedor.
Doutrinador: Fala com estes companheiros.
Espírito: Eu estou a falar. Oferecem-me demais. Eu não pedia tanto. Só um sítio onde eles não chegassem. Para que eu pudesse descansar… descansar… Estou muito cansada… muito cansada… Graças a Deus… Jesus existe e vai-me recolher. Graças a Deus. Graças a Deus. (A entidade respira fundo repetidas vezes, manifestando cansaço.).
Doutrinador: Leva da nossa parte um grande abraço. Vai em Paz, querida amiga. Vai em Paz. Que Deus te ilumine.


Extraído do livro "Lições de Vida Após a Morte", Eduardo Guerreiro, Chiado Editora


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Andou como um macaco e ladrou como um cão


A mediunidade é, em si, neutra. É uma faculdade orgânica que todos nós possuímos em maior ou menor grau. Contudo, apenas designamos de médiuns aquelas pessoas que apresentam essa faculdade de forma mais ou menos ostensiva. A mediunidade, tal como vulgarmente a entendemos, é uma bênção se colocada ao serviço do próximo de forma honesta e dedicada.

O médium sofre, por vezes, a incompreensão dos que o rodeiam. Umas vezes é desprezado ou mesmo caluniado; outras é adulado. Sofre quando é assediado por Espíritos inferiores e sofredores, mas tem, também, as suas alegrias pelo ânimo e incentivo que lhe é transmitido pelos companheiros da espiritualidade que trabalham no exercício da Caridade com Jesus, seja no Centro Espírita, no Terreiro de Umbanda, nos círculos católicos ou outros quaisquer, pois nem os médiuns nem a Caridade, por definição desinteressada, é exclusiva deste ou daquele grupo.

Temos, contudo, que reconhecer que a actividade mediúnica bem orientada (que exige estudo continuado) só pode ser exercida num Centro Espírita bem orientado, recorrendo às obras da Codificação de Allan Kardec e outras obras complementares vindas, quer da Espiritualidade através da psicografia de médiuns de reconhecida credibilidade, quer de companheiros encarnados que estudaram seriamente o assunto.

Decorre, do que temos vindo a referir, que a mediunidade é, pela sua própria natureza, gratuita. Dar de graça o que de graça se recebeu. Este o lema.

Serve esta introdução para relatarmos um facto que ocorreu em meados da década de 80 numa cidade de Portugal.
Nesta cidade funcionava, então, um centro de Umbanda bastante evangelizado, voltado para o exercício da Caridade e atendendo pessoas que colocavam problemas da mais diversa ordem: desde problemas de saúde, a problemas de natureza espiritual e mesmo a problemas puramente materiais.
De todos os que tivemos oportunidade de presenciar, as entidades que se manifestavam ouviam, pacientemente, quem as procurava, dando conselhos, mesmo que muitas das solicitações feitas nos parecessem frívolas ou absurdas.

Para nós, espírita e estudioso da Codificação de Allan Kardec, muitas das questões que algumas pessoas colocavam, por vezes, às entidades (Espíritos incorporados) que se manifestavam, pareciam-nos um abuso da boa-vontade das mesmas. Contudo, nunca vimos qualquer atitude ríspida por parte delas. Eram o que se poderia chamar de Espíritos Bons. Muito terra-a-terra, mas bons. O que, aliás não era de admirar, pois as pessoas que integravam esse centro de Umbanda eram, genuinamente, boas pessoas. Pessoas simples, sem estudos, sem graus académicos, mas humildes e com ‘bom fundo’.

O mesmo não se pode dizer de alguns e algumas consulentes que lá apareciam. Um caso houve, do qual nunca mais nos esquecemos.

Uma senhora, que era vendedora no mercado da cidade, oferecia os seus préstimos às clientes para resolução de problemas que estas lhe apresentavam. Para cada cliente que lhe apresentasse um problema, ela ia dizendo que não podia dar a resposta de imediato, mas que, na semana seguinte, lhe diria alguma coisa. E assim era.

No sábado à noite ela ia ao centro de Umbanda, colocava as questões das suas clientes às entidades manifestantes e, na semana seguinte, dava essas respostas, que havia recebido no centro, às clientes que lho haviam solicitado anteriormente. E com este procedimento ia fazendo o seu negócio.

A situação foi perdurando no tempo até que os trabalhadores encarnados do Centro vieram a descobrir o tráfico.

E colocaram a questão a uma entidade que se manifestava como preto velho.

- Nós sabemos, minha filha, nós sabemos. Mas deixe estar que essa filha vai ter a lição que merece. – respondeu a entidade espiritual.

No sábado seguinte lá compareceu essa infeliz irmã com intenções pouco honestas. Mas, oh surpresa! Foi tomada de convulsões. Dobrou-se. Colocou-se de joelhos, apoiando as mãos no chão e foi gatinhando para a saída.

Segundo um dos trabalhadores do centro, nosso amigo, essa irmã: andou como um macaco e ladrou como um cão.

Moral da história

1. Podemos esconder as nossas intenções, palavras e actos perante os homens, mas não o poderemos fazer perante os Espíritos e, muito menos, perante Deus.

2. Os Espíritos são pessoas desencarnadas. Com as mesmas qualidades e defeitos, mas com uma outra visão, mais alargada que aquela que nós outros possuímos.


Retirado do livro “Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos”, de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

sábado, 8 de abril de 2017

A limpeza da casa


Um casal de meia-idade contactou-nos, pois achava que o ambiente em casa estava pesado. Recomendámos que fizessem o Evangelho no Lar regularmente, uma vez por semana. Indagaram-nos se era possível a nossa presença e nós não dissemos que não.
Lá fomos, durante várias semanas, participar na realização do Evangelho. O filho e a filha do casal, adolescentes de 18 e 19 anos, não participavam. Talvez se recusassem. Ou talvez os pais não os motivassem o suficiente, explicando-lhes a importância e a necessidade de realização do mesmo.
Como a situação não se alterava e o ambiente continuava pesado, segundo informação que nos era prestada, pedimos auxílio a um Centro Espírita, indagando se era possível uma reunião mediúnica nessa casa, com a presença de médiuns ostensivos, isto é, de pessoas através das quais os Espíritos eventualmente presentes se pudessem manifestar e dialogar com nós outros.
A resposta foi positiva e agendámos o dia para a realização dessa reunião.

Compareceram alguns elementos do Centro, a que nos juntámos nós três, os participantes nas reuniões do Evangelho no Lar inicialmente contactados pelos donos da casa.
Durante a reunião manifestaram-se entidades que confessaram estar ali porque tinham sido chamadas. Ficámos intrigados. Contudo, as entidades foram encaminhadas e o ambiente ficou mais leve, segundo informação posteriormente prestada.

Nós, os três participantes nas reuniões do Evangelho no Lar, encontrámo-nos naquele sábado com o objectivo de nos deslocarmos ao referido Centro Espírita que se situava numa cidade a dezenas de quilómetros da nossa residência habitual.

Durante o trajecto fomos conversando sobre assuntos variados, nomeadamente, sobre a situação espiritual daquele lar que tanto nos intrigava. Em determinada altura diz um dos ocupantes da viatura em que nos deslocávamos: Sabem… ultimamente tenho tido sonhos muito esquisitos, envolvendo sexo. Não consigo explicar a razão de ser desses sonhos. Nós outros, que até então não tínhamos feito quaisquer referências às nossas vivências pessoais, confirmámos, igualmente, que nos últimos tempos tínhamos tido também sonhos do mesmo género.

Concluímos que não se tratava de coincidência e que estariam, eventualmente, ligados a trabalhos espirituais nos quais estivéssemos participando. Mas quais? Não sabíamos dar resposta.

A explicação surgiu mais tarde, precisamente através do dono da casa onde havíamos realizado as reuniões do Evangelho no Lar, bem como a reunião de desobsessão.

Contou-nos ele que apanhou o filho e a filha a assistirem a filmes pornográficos, com os respectivos namorada e namorado, trancados no quarto. Ficou sabendo, igualmente, que o faziam com regularidade.
Ao fazê-lo, atraíam entidades afins, viciadas no sexo, que causavam tantas perturbações na casa, tanto mais que o senhor, o pai, era possuidor de uma mediunidade descontrolada.

Explicava-se, deste modo, a razão de ser dos nossos sonhos, envolvendo cenas de sexo libertino, confirmando-se, assim, que estavam, de facto, relacionados com os trabalhos espirituais que haviam sido executados.


Moral da história


Somos nós que escolhemos as companhias espirituais de que nos fazemos rodear, bem como aquelas que frequentam a nossa casa. Por outras palavras – somos nós que as convidamos. E tanto podem ser boas como más, consoante os nossos pensamentos, palavras e acções. Numa família onde haja harmonia e equilíbrio e onde regularmente se pratique o Evangelho no Lar, podemos assegurar que as presenças serão sempre boas e o ambiente nunca será pesado, para usarmos a expressão daquele casal amigo.

Extraído do livro: "Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos", de Eduardo Guerreiro, Chiado Editora

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Livros Espíritas já publicados

Dois livros espíritas têm chamado a atenção dos companheiros de Ideal:





Podem ser adquiridos junto do autor, da Editora ou de livrarias on-line.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Companheiro em fuga (4) - Conclusão

Manifesta-se o Espírito Orientador dos trabalhos:


“Meus irmãos: aqui nos encontramos hoje reunidos neste espaço agradabilíssimo rodeados de toda esta luminosidade que emana directamente do coração de Jesus.

Obrigado, Senhor por tanta benevolência, obrigado Senhor porque um dia vieste recordar-nos que Deus é Nosso Pai, sempre de braços abertos à espera de nosso regresso. Obrigada, Jesus porque Te ofereceste em sacrifício a um acto ignominioso cometido por toda a Humanidade e ofereceste em dádiva absoluta dizendo aos homens: “vós Me negais, vós Me crucificais, mas Eu vos amo meus irmãos”.

Somos todos irmãos de Jesus, todos irmãos do mesmo elo, no Amor de Deus, Nosso Pai Eterno.
Façamo-nos todos os dias um pouco mais merecedores de toda essa dádiva infinita, de todo esse amor incansável por todos nós seus irmãos caídos e que Ele sempre protege e a quem lança a mão, ainda que O recusemos.

Estamos aqui hoje reunidos para meditarmos em conjunto, independentemente das nossas raças, das nossas religiões, das nossas convicções, das nossas aquisições ou das nossas quedas, na responsabilidade que assumimos quando O reconhecemos e quando nas nossas orações nocturnas Lhe pedimos auxílio. O auxílio chega, sempre chega, independente de nossos erros, mas chega também a nossa responsabilidade por nossos actos diários, por nossos pensamentos, pela defesa da honra e da justiça, pela manutenção da ordem, sim, mas não pela manutenção da injustiça, da agressão ao outro, porque onde há alguém que comanda sem esse Amor no coração, há alguém que é comandado, que é humilhado, que é espezinhado quantas vezes, sendo conduzido à loucura, ao suicídio que tantos males acarreta e tem acarretado à Humanidade.

Meditemos, todos nós, nas consequências daquilo que escolhemos fazer em prol do meio em que nos foi dado viver, do lugar onde escolhemos desempenhar nossas profissões, desenvolvendo nossos talentos, doando-nos para o progresso e o bem-estar de todos.

Meditemos nas opções que fazemos e nas suas consequências, mas meditemos também, hoje, num aspecto muito pouco abordado em todas as igrejas terrenas: na permissão que todos nós, mas todos sem excepção, concedemos a essa mesma injustiça que grassa na Terra, usando argumentos, optando pelo mais fácil, não nos comprometendo com nada nem ninguém e nas mesmas consequências gravosas que essa nossa atitude, pela não atitude, traz também a toda a Humanidade.

Se uma pedra rola da montanha, por mais pequenina que ela seja, só pelo facto de rolar altera a estrutura da rocha onde se encontrava que não mais será a mesma, para não falar no caminho que essa pedrinha que mal se vê, desenvolve, dos obstáculos que percorre, das alterações mínimas que vai causando na crosta terrestre. Se ela não se mover nenhuma alteração se dará. É verdade que é pequenina, é verdade que é tão ínfima que ninguém dá por ela, mas o que fizermos num local, por mais distante que seja do Planeta, podemos ter a certeza que terá consequências do lado exactamente oposto pois tudo se encontra em movimento, nada é estático, meditai bem nisso.

Se o bem fosse estático então a nossa atitude correcta deveria ser o cruzarmos os braços perante aquilo que observamos, perante aquilo que nos é dado observar e optar. Somos todos responsáveis, meus irmãos, não duvideis disso.

Oremos sempre, pedindo nas nossas orações tudo o que pedimos habitualmente pelos nossos amigos, pelos nossos familiares, pelos nossos entes mais queridos deste ou do outro lado da vida mas incluamos nessas orações o pedido mais urgente para a Humanidade em turbação.


Orienta-me Jesus, orienta-me nas minhas acções diárias, nas minhas reflexões antes que nas minhas acções, para que elas representem, reflictam essas mesmas reflexões quando tiver que desempenhar a minha tarefa e que nessas reflexões eu Te não negue Jesus porque ao te negar um irmão ao meu lado, em sofrimento, eu estou negando toda a minha aquisição, todo o meu património adquirido em todas as vidas que já vivi e em todas Te encontrei, Jesus. Permite Jesus que eu não Te negue que eu possa defender Teu nome no meu lar, no meu emprego, na sociedade em que me foi dado viver. Não me deixeis seguir o exemplo de Judas para que não sofra os seus remorsos. Oh, que dor insofismável esse nosso irmão sentiu quando naquele momento capital em que lhe era pedido apenas que olhasse para Jesus e que O reconhecesse no seu coração, ele optou por aquilo que todos nós optamos: pelo comodismo, pelo favorecimento imediato que tantas consequências, meus irmãos, lhe trouxe durante tanto e tanto tempo. Não nos cabe aqui hoje analisar a história de Judas, apenas a mencionamos para que possamos, todos nós, evoluir um pouco mais cada dia e se for preciso duas orações, três orações, que possamos parar em vários momentos do nosso dia, no meio de nossos afazeres, por mais importantes que eles sejam para pedir a ajuda que nunca é negada.

Ajuda-nos Jesus, ajuda-nos para que possamos dizer bem alto: o meu irmão está aqui ao meu lado e eu estou a vê-lo; ele necessita de mim e eu dar-lhe-ei a mão, mas Tu, Jesus, estás aí na minha frente e eu amo-Te Jesus e digo bem alto a todos os que se encontram à minha volta: eu amo meu irmão necessitado, mas eu amo-Te Jesus.”

Extraído do livro "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

sábado, 25 de março de 2017

Companheiro em fuga (3)


Espírito: Temos que defender os nossos interesses, também. Se nós nos opusermos ao chefe não somos beneficiados. Ele vinga-se em nós.
Doutrinador: Isso é o ponto de vista egoísta. Mas deixemos agora isso para trás. Vamos ver outro ponto de vista. Tu foste funcionário público e agora estás no mundo espiritual. Tens a consciência de que estás no mundo espiritual, mas continuas agarrado à crosta terrestre e em sofrimento.
Espírito: Eu? Não.
Doutrinador: Olha, amigo, quem depois de desencarnar de encontra agarrado à crosta terrestre ou o ignora, ou se encontra em sofrimento e não o admite. Se tu queres, de facto, seguir Jesus, então tens que te elevar para poderes ser auxiliado em uma das muitas colónias espirituais e realizares um aprendizado...
Espírito:Ai, mas que sono me deu de repente(bocejos).
Doutrinador:... Para praticares a Caridade.
Espírito: Não, porque eu aqui sou muito útil.
Doutrinador: Mas poderás ser muito mais útil se antes receberes instrução. E tu necessitas dessa instrução.
Espírito: Eu não tenho tempo. Trabalho muito, não tenho tempo.
Doutrinador: Tens tempo, sim senhor. Para poderes ser útil tens que ter discernimento
Espírito:Está-me a dar um sono que já não consigo mais.
Doutrinador: Tu dizes que devemos orar e nós vamos orar.

[O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’ e pede por este nosso companheiro. Os elementos do grupo continuam em concentração enviando muita Luz sobre este amigo que é levado adormecido para um local de refazimento; o doutrinador agradece a oportunidade dada e a ajuda recebida. Passados alguns minutos manifesta-se o Espírito Orientador destes trabalhos.]


Nota: O diálogo atrás poderia continuar indefinidamente. A entidade, no fundo, pressentia que não podia continuar a adiar o inevitável – o caminho da Evolução. Nunca ficámos sabendo o que a impedia de se enfrentar a si própria, mas, certamente, trata-se um Espírito muito endividado que antevê o sofrimento que sempre acompanha o resgate de débitos anteriormente contraídos e dos quais está consciente.

(Continua)

Retirado do Livro: "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

quarta-feira, 22 de março de 2017

Companheiro em fuga (2)


Doutrinador: Sabes que estás no plano espiritual?
Espírito: Sei. E venho falar em nome de Jesus.
Doutrinador: E o que é que tens a dizer em nome de Jesus, querido amigo?
Espírito: Tenho a dizer que se tem que praticar o Bem.
Doutrinador: E a Caridade, não é verdade?
Espírito: E a Caridade. E temos que ser todos, todos, todos unidos. E respeitar as leis. E respeitar o chefe.
Doutrinador: Quem é o chefe?
Espírito: Em qualquer emprego tem que se respeitar o chefe e obedecer.
Doutrinador: Obedecer ao chefe... muito bem. Obedecer cegamente?!
Espírito: Obedecer à lei.
Doutrinador: Sim senhor... Quer dizer então que as pessoas não podem discordar do chefe?!
Espírito: Podem discordar, mas depois sofrem as consequências. O melhor é não se envolverem muito.
Doutrinador: Segundo eu posso entender o que tu defendes é a ditadura. A ditadura do chefe, claro está.
Espírito: Não. Não deturpes as minhas palavras.
Doutrinador: O que eu entendi pelas tuas palavras é que se deve sempre obedecer ao chefe...
Espírito: Se existe uma lei temos que a cumprir, é claro.
Doutrinador: E era o que tu fazias enquanto foste funcionário público, não é verdade?
Espírito: Temos que cumprir se quisermos manter esse emprego e se não quisermos conflitos com ninguém!
Doutrinador: Tu foste funcionário público no tempo de Salazar... Sabes que as pessoas que pertenciam à PIDE (polícia política) também eram funcionários públicos e torturavam pessoas. Achas que eles procediam bem?
Espírito: Eu não estou aqui para emitir juízos de valor sobre ninguém. Não devemos julgar ninguém. Quem somos nós para julgar alguém? Não devemos julgar ninguém.
Doutrinador: Isso não é bem assim. Depende da forma como se faz o julgamento. Claro que todos nós temos opinião acerca de alguém. Não se trata de incriminar, de condenar... Trata-se de avaliar. E todos nós temos a nossa capacidade de avaliação. Não somos seres autómatos, não é verdade? Um funcionário público...
Espírito: Tem que obedecer!
Doutrinador:... por ser funcionário público não tem que ser um autómato.
Espírito: Obedece e não se envolve em confusões.
Doutrinador: Obedecer significa para ti ser autómato, sem capacidade de julgar o que está certo e o que está errado.
Espírito: Não: significa cumprir.
Doutrinador: Não se envolver em confusões significa consentir tudo. E consentir o que está mal - e aqui discordamos de ti, querido amigo - é errado. Portanto nós devemos ter a nossa opinião própria para podermos discordar do que está errado.
Espírito: Do que é que serve discordar? Isso discorda-se no café, com os amigos.
Doutrinador: Tu dizes que segues Jesus. Mas se Jesus não discordasse do modo de vida do tempo d’Ele, se não tivesse dado o exemplo do Amor e da Caridade nós não teríamos o património que temos hoje. E Jesus teve que discordar. Jesus discordou dos fariseus e chamou-os, inclusivamente, de hipócritas. Discordou deles porque não estava de acordo com eles. Por isso foi crucificado.
Espírito: Mas nós não somos Jesus.
Doutrinador: Não somos Jesus, mas queremos seguir Jesus. Não seremos hoje crucificados no sentido em que Jesus foi. Mas podemos sê-lo de outra forma. Devemos defender a Justiça. Aliás o Mestre disse ‘Bem aventurados aqueles que padecem por amor à Justiça’. E nós lutamos por aquilo que achamos justo, que está de acordo com as leis de Deus, do Amor e da Caridade. Foi isso o que Jesus fez. No meio daquela turbulência em que Ele vivia o Mestre soube destacar-se das massas e dar o exemplo. Deixou um pequeno grupo de seguidores.
Espírito: São sempre poucos. Falam, falam, falam, mas são sempre poucos.
Doutrinador: Deixa estar, não te preocupes.
Espírito: Esses que arriscam são sempre poucos. Nós temos família.
Doutrinador: Não te preocupes.
Espírito: Nós temos deveres para cumprir.
Doutrinador: Também os discípulos de Jesus tinham família, não é verdade? Nos séculos que se seguiram muitos e muitos discípulos de Jesus tinham família e lá por isso não deixaram de seguir Jesus.
Espírito: Mas nós podemos praticar a Caridade de outra forma: fazendo orações.
Doutrinador: Sim, isso é, digamos uma forma passiva. Mas há formas activas. A Caridade não se resume à oração.
Espírito: A oração resolve tudo.
Doutrinador: Não, a oração não resolve tudo, amigo. Ajuda-nos a resolver.
Espírito: A oração resolve tudo. Resolve tudo.
Doutrinador: A oração ajuda, amigo. Com a oração atraímos os Bons Espíritos que nos dão as boas intuições. Mas somos nós que temos que realizar. Nós temos o nosso livre-arbítrio. Mas não podemos ficar parados. A oração é uma poderosa alavanca.
Espírito: Então, se eu tiver que passar, passo.
Doutrinador: Se tivermos que passar por determinada provação, passamos, isso não há dúvida. Tens razão. Mas deixemos agora isso que poderíamos estar aqui a debater durante horas e vamos lá a ti, em particular.
Espírito: Eu não quero falar de mim. Eu só vim aqui dizer para o aceitarem, para o ouvirem.
Doutrinador: Nós ouvimo-lo, mas isso não quer dizer que estejamos de acordo.
Espírito: Mas isso causa mal-estar.
Doutrinador: O que estás a querer dizer é que nós temos que obedecer a ele e isso, caro amigo...
Espírito: Temos que concordar uns com os outros.

Doutrinador: Não é bem assim. Podemos concordar ou não, depois de um debate. Depois de analisarmos os prós e contras. O que estás a dizer é que temos que obedecer e aí, caro amigo, podemos obedecer ou não, depende da finalidade.

(CONTINUA)

Extraído do livro "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)

quarta-feira, 15 de março de 2017

Companheiro em fuga (1)


Na reunião do dia 8 de dezembro de 2005 manifestou-se um companheiro que se declarava amigo de um dos componentes do grupo, reclamando que não lhe davam o devido valor no local de trabalho e defendendo que era necessário ‘obedecer ao chefe’. Após extenso diálogo, argumentou que tudo se resolvia com a oração.
Quando o doutrinador o solicitou que falasse sobre si próprio, recusou-se. Perante a insistência, caiu em sono profundo, em espectacular processo de fuga. Foi transportado para um posto de socorro da espiritualidade.
Seguiu-se a intervenção do Espírito Orientador dos trabalhos que, de acordo com as suas palavras nos “encontramos hoje reunidos neste espaço agradabilíssimo rodeados de toda esta luminosidade que emana directamente do coração de Jesus”. Sua intervenção é, simultaneamente, uma prece.

(...)
Doutrinador: Tens razão.
Espírito: Eu estou aqui por bem.
Doutrinador: Ainda bem, querido amigo.
Espírito: E venho em defesa do nosso amigo R (elemento do grupo).
Doutrinador: Ainda bem, amigo. Então diz lá.
Espírito: Ele é muito, muito, muito boa pessoa e muito dedicado. É muito bom pai. É muito responsável. Não deve de maneira nenhuma ser agredido. Os amigos têm que ter muito cuidado.
Doutrinador: Com certeza, amigo. Ninguém quer agredir quem quer que seja. Tu achas que ele foi agredido?
Espírito: Acho que o andam a combater.
Doutrinador: E quem é que o combate, amigo.
Espírito: Vejo, vejo e ele é muito valioso.
Doutrinador: Tu tens acompanhado o amigo R.?
Espírito: Eu acompanho-o por todo o lado.
Doutrinador: És amigo dele não é verdade?
Espírito: Podes dizer assim.
Doutrinador: Ninguém te enviou para junto dele ou foste tu que tomaste a iniciativa?
Espírito: Isso são pormenores dispensáveis.
Doutrinador: E tu achas que alguém o agrediu?
Espírito: Ele é muito útil.
Doutrinador: É muito útil em que tarefas?
Espírito: Naquelas que são importantes.
Doutrinador: E, na tua opinião quais são as importantes?
Espírito: Isso...
Doutrinador: São tarefas em nome de Jesus?
Espírito: Jesus é o nosso Guia. E temos que evoluir.
Doutrinador: Dou-te razão, amigo: temos todos que evoluir. Mas quem é que anda a combater o amigo R.?... isso desperta a nossa curiosidade...
Espírito: Quem o contraria. Quem o quer desviar de determinados caminhos.
Doutrinador: Dos caminhos de Jesus não é verdade? Uma vez que Jesus é o nosso Guia, os caminhos a seguir são os caminhos de Jesus.
Espírito: Ele é bom. Não faz mal a ninguém.
Doutrinador: Ninguém diz o contrário, querido amigo.
Espírito: Devem dar-lhe mais valor.
Doutrinador: Achas que nós o desvalorizamos?
Espírito: Não lhe dão o valor que ele merece.
Doutrinador: Na tua opinião o que é que seria dar-lhe mais valor?
Espírito: Ouvi-lo. Concordar mais com ele...
Doutrinador: Mas se a pessoa discordar é obrigada a concordar?
Espírito: Não devem discordar. Não faz mal a ninguém.
Doutrinador: Mas, ouve: nem todos têm a mesma opinião. E se há uma outra pessoa que não tem a opinião que ele tem é natural que discorde. Porque as pessoas não podem estar submetidas a uma única opinião, não é verdade?
Espírito: Ele é de muita valia.
Doutrinador: Ninguém está a dizer o contrário.
Espírito: Está a ser muito útil.
Doutrinador: Está a ser muito útil a quem?
Espírito: A quem é importante.
Doutrinador: E quem é que é importante, na tua opinião?
Espírito: As pessoas que querem transformar aquele (local de trabalho).
Doutrinador: E quem são as pessoas que querem transformar aquele (local de trabalho)?
Espírito: As que dirigem, pois quem havia de ser mais?
Doutrinador: Ele é muito útil para quem dirige (nome do local de trabalho), não é verdade?
Espírito: Claro.
Doutrinador: Pois, muito bem. E tu vieste em nome dessas pessoas...
Espírito: Eu vim em meu nome.
Doutrinador: Em nome pessoal?!
Espírito: Também me interessa que aquele (local de trabalho) mude.
Doutrinador: Mas mude em que sentido?
Espírito: Que haja mais disciplina.
Doutrinador: Diz-me uma coisa: o que é que te move em ter assim tanto interesse pela disciplina daquele (local de trabalho)?
Espírito: O bem de todos.
Doutrinador: Muito bem. O bem de todos é o bem da sociedade, na tua opinião?
Espírito: Temos que cumprir a lei. As leis fizeram-se para ser cumpridas.
Doutrinador: Mesmo as leis que estão mal feitas...
Espírito: São leis. Temos que as cumprir.
Doutrinador: Oh, querido amigo: se vivesses no tempo do nazismo defenderias as leis nazis...
Espírito: Não venhamos com suposições.
Doutrinador: É que nem toda a lei humana é justa.
Espírito: Mas nós somos funcionários públicos. Temos que as cumprir.
Doutrinador: Está bem. E tu és funcionário público?
Espírito: Já fui.

(continua)


Retirado de "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro (ainda não publicado)