segunda-feira, 10 de março de 2008

Os benefícios do Perdão III

3ª Parte – O encaminhamento

Doutrinador - Ora bem. Então, em nome de Alá, eu peço: Alá ajuda-nos. Tu nunca nos faltas com o Teu Amor, com a Tua Caridade, com a Esperança no futuro. Sempre estiveste presente entre nós e sempre enviaste os teus profetas para nos auxiliarem, nos esclarecerem, nunca nos deixaste ao abandono. Rogamos-Te que venhas aqui ter connosco. Que nos auxilies. Que nos envies a Tua Luz. Para todos nós. Porque todos nós somos necessitados desse Teu Amor infinito que nunca nos faltou. Nunca descremos de Ti, passando, embora, todas as provações ou todas as misérias. Sabemos que estás aqui presente. E nós reverenciamos-Te e dobramo-nos perante Ti, Senhor. Porque a Tua Luz divina vai descer sobre este ambiente. Vai esclarecer as mentes de todos quantos aqui se encontram, a quem damos um grande abraço e a quem exortamos que abram seus olhos, pois aqui se vão passar milagres. Milagres de Fátima, a quem pedimos também auxílio. E a Ti te rogamos o Teu auxílio, o Teu perdão. Queremos ser auxiliados e também perdoados.

(dirigindo-se aos espíritos presentes) Abri os olhos, amigos. Os milagres acontecem aqui. Por isso fostes aqui trazidos. Amigos que desejais encontrar, que vos esclarecerão da situação e que vos dirão do caminho para Deus. Alá esteja connosco.

Espírito - Olha, aquele vizinho meu também veio cá parar. Agora é que eu estou vendo.

Doutrinador - Fala com ele.

Espírito - Ele também morreu. Da mesma maneira.

Doutrinador - Fala com ele.

Espírito - Ah, mas tem tanta luz. Morreu como eu... (este amigo ouve o que lhe diz o espírito) - Hum... Hum... Hum... Não. Mas isso não pode ser assim. Eu estou muito confuso. Então subimos no Céu quando desistimos. Mas não foi isso o que nos ensinaram.

Ensinaram-nos que temos que ser homens para podermos ganhar o Céu. Foi isso que nos ensinaram... Não pode ser... Está bem. Eu vou. Eu vou. Mas não consigo. Vou... Estou muito confuso... Isto é tudo novo para mim... Não compreendo. Hum... Está bem...

(dirigindo-se ao doutrinador)-Olha eu não percebo nada disto. Mas mesmo assim agradeço. Que Alá vos proteja. Eu vou aqui com o meu amigo. Ele tem muita coisa para me ensinar. Eu não sei nada... É como entrar na escola para aprender a ler as primeiras letras. Não sei se vou conseguir. Perdoar é muito difícil.

Doutrinador - Vais conseguir, amigo. E já agora diz a estes companheiros que aqui se encontram para acompanharem esse teu amigo, também.

Espírito – Não, alguns têm mais sorte do que eu.

Doutrinador - Então, porquê?

Espírito - Encontraram os familiares...

Doutrinador - E tu também vais encontrar.

Espírito - Eu não vou conseguir. Eu não vou conseguir perdoar.

Doutrinador - Mas vais encontrar os familiares.

Espírito - A minha filha, uma delas, está à minha espera. Mas eu só a vou poder ver quando perdoar. Eu não vou conseguir perdoar.

Doutrinador - Isso dizes tu agora. Ouve as palavras desse teu amigo. E vai com ele. Que Alá te proteja. E vai com ele, querido amigo. E da nossa parte leva um grande abraço. Desejamos do fundo do coração para ti e para todos os teus.

Espírito - Eu sei que vocês não são muçulmanos. Mas são boas pessoas.

Doutrinador - Que Alá te proteja, amigo.

Espírito - Que Alá vos proteja.

Doutrinador - Vai em paz e leva um grande abraço.

Espírito - Não vos esquecerei. Um muçulmano quando ganha um amigo é para toda a vida.

Doutrinador - Olha, querido amigo: talvez Alá nos permita encontrarmo-nos um dia no local para onde vais agora.

Espírito - Não. Não podes entrar. É o Céu dos muçulmanos.

Doutrinador - Se Alá permitir, poderei entrar. Porque é Alá que manda.

Espírito - Isso é verdade.

Doutrinador - Vai em paz e que Alá te proteja. Que assim seja.”

[O doutrinador agradeceu, em seguida, a Deus, nosso Pai e a Jesus, nosso Mestre, a oportunidade de auxílio que foi concedida]

Passados alguns instantes manifestou-se um espírito amigo, que dirigiu esta reunião."

Manuel
Grupo "Amigo Amén", Santa Maria

Os destaques são meus. De facto, a entidade tem razão: PERDOAR é um dos actos mais difíceis de nossas vidas. E sofre porque não acredita nessa possibilidade, pelo menos de imediato.

Não é o que acontece com todos nós, quando nos sentimos injustiçados ou atacados no que nos é mais caro: os nossos entes queridos?! De ambos os lados da vida, necessitamos de grande coragem para MUDAR os padrões mentais. É sempre mais fácil dizer do que FAZER.

A seguir publicaremos as instruções do espírito orientador dos trabalhos dessa noite.

Joana


sexta-feira, 7 de março de 2008

Os benefícios do Perdão II

(continuação)

2ª Parte – Confrontar a entidade com a realidade

Espírito - Nunca assisti a uma reunião destas.

Doutrinador - Mas assististe hoje. Em nome de Alá, em nome de Buda, em nome de Jeová... em nome...

Espírito - Esse não conheço...

Doutrinador - Não interessa. É em nome do Deus de todos nós. Porque é único. Nós pertencemos a uma mesma família: a Humanidade. E é em nome dessa família, a Humanidade, que o Deus de todos nós está aqui presente. E que tu estás aqui nesta reunião connosco. Mas não estás sozinho. Tu estás no mundo espiritual e já reconheceste isso.

Espírito - Eu estou. Mas como é que eu vim aqui parar?

Doutrinador - Trouxeram-te aqui, amigo. Amigos teus trouxeram-te aqui.

Espírito - Como?

Doutrinador - Já vais ver. Neste momento estás a falar comigo, que ainda vivo na Terra.

Espírito - Eu sei.

Doutrinador - Tu estás a falar através de uma médium, que é uma pessoa...

Espírito - Isso nunca fiz...

Doutrinador - Que é uma pessoa através da qual tu estás falando...

Espírito - Eu não sabia que se podia comunicar...

Doutrinador - Podes. Tu nunca ouviste que os profetas se comunicavam?

Espírito - Mas isso são os profetas! E falam na Terra.

Doutrinador - Ora bem. E eu estou na Terra. E estou a ouvir tu a falares.

Espírito - Mas eu, como é que falo, se eu já estou morto?

Doutrinador - Não estás morto, amigo.

Espírito - Eu não estou morto. Mas estou morto. Estou enterrado.

Doutrinador - O corpo é que está morto.

Espírito - O corpo está morto. Como é que eu estou falando?

Doutrinador - Estás falando através de uma médium...

Espírito - É que no mundo espiritual não se fala....

Doutrinador - ...controlando as cordas vocais...

Espírito - Nós não falamos. Gritamos, sim! Gritamos com dores, mas não falamos.

Doutrinador - Mas aqui, neste momento, até já te sentes melhor. Confessa.

Espírito - Parece que me dói um pouco menos a garganta.

Doutrinador - Exactamente. E além disso, para confirmares que estás a falar...

Espírito - Mas isto… fica-se aqui um bocadinho mole.

Doutrinador - Fica-se.

Espírito - Amolece-se.

Doutrinador - É natural. É uma pequena anestesia que é dada por uma razão muito simples...

Espírito - Mas eu não quero ser anestesiado. Quero-me vingar. Eu preciso de forças para me vingar.

Doutrinador - Não, amigo. Como é que pensas que vão passar as tuas dores?

Espírito - Não sei.

Doutrinador - Tu tens que ser um pouquinho anestesiado dessas dores que tens sentido... Mas deixemos isso. Lembras-te quais foram os temas da lição?

Espírito - Sobre a vingança.

Doutrinador - Exactamente...

Espírito - Sobre o meu caso!...

Doutrinador - Exactamente. E sabes o que dizia a lição?

Espírito - ...e olha: e destes todos que estão aqui.

Doutrinador - Exactamente. Não estás sozinho.

Espírito - Pois não. Estes também têm coisas a cobrar.

Doutrinador - Todos quantos estão aqui têm razões de queixa. Mas sabes uma coisa, meu amigo? A lição veio-nos trazer precisamente uma elucidação sobre o assunto.

Espírito - Que é isso: uma elucidação?

Doutrinador - Veio-nos esclarecer. Porque a lição dizia precisamente que nós não nos devemos vingar.

Espírito - Mas isso é o que diz a lição. Também se eu abrir os livros (que eu nunca li os livros...) se eu abrir os livros também lá encontro que o homem deve ser...

Doutrinador - E tu leste isso no Corão.

Espírito - Mas isso é o livro, não é a vida. Nós somos homens. Temos que defender o que é nosso. Alá também nos manda defender o que é nosso.

Doutrinador - Sim, mas não nos manda vingar. Manda-nos perdoar. Não é verdade, amigo?

Espírito - Não posso perdoar. Foi uma grande injustiça.

Doutrinador - Foi, sim senhor.

Espírito - Eu vejo justiça em Alá. Hoje eu vi justiça em Alá ao ficarmos independentes dos assassinos.

Doutrinador - Foi uma grande injustiça. Mas ouve, amigo...

Espírito - Mas não vejo justiça para aqueles assassinos todos.

Doutrinador - Mas ouve, amigo. Como nós vivemos muitas existências é possível que, em existência anterior, tu e os teus amigos que aqui se encontram tenham feito coisas semelhantes àquelas que vos foram feitas.

Espírito - Ah, não... eu já ouvi falar. Mas não me lembro disso.

Doutrinador - Mas, certamente, tu gostarias de voltar a encontrar as tuas filhas, os teus familiares, não é verdade?

Espírito - Morreram.

Doutrinador - Não morreram.

Espírito - Ficaram dentro de uma cova, enterradas.

Doutrinador - O corpo ficou lá, mas elas não.

Espírito - Não as tenho encontrado. Nunca mais as vi.

Doutrinador - Sabes por que é que não as tens encontrado?

Espírito - Não sei em que Céu é que se encontram.

Doutrinador - Sabes por que é que não as tens encontrado? Porque tens sempre o teu pensamento fixado no desejo de vingança.

Espírito - Ah, tenho que as vingar para as poder encontrar.

Doutrinador - Não. É o contrário, meu amigo.

Espírito - Não, não. Enquanto os assassinos delas andarem à solta eu não consigo encontrar-lhes o Céu.

Doutrinador - É exactamente o contrário. E nós vamos ver que é assim. Tu crês em Alá, não é verdade?

Espírito - Não se pergunta, porque isso é uma blasfémia.

(continua)

Manuel
Grupo "Amigo Amén", Santa Maria

domingo, 2 de março de 2008

Os benefícios do Perdão

http://www.nytimes.com/2007/12/11/world/europe/11kosovo.html?_r=1&oref=slogin

"Na noite de 17 para 18 de Fevereiro de 2008, após a leitura da lição: “Caridade com os criminosos”(espírito Elizabeth de França),cap. XI (ESE) manifestou-se uma entidade em sofrimento dizendo-se originária do Kosovo que, nesse mesmo dia, havia declarado unilateralmente a independência. Os seus habitantes albaneses, de religião muçulmana, comemoravam a independência, o que permitiu desanuviar um pouco o ambiente espiritual e realizar o trabalho que se desenrolou em nosso grupo mediúnico.

Transcrevemos, em seguida, o diálogo travado entre o doutrinador e a entidade manifestante.

Como este diálogo é, de certo modo, longo, decidimos dividi-lo em três partes."

1ª Parte – Abordagem do problema

Espírito - Como é que eu vim aqui parar?

Doutrinador - Qual é a tua terra, amigo?

Espírito - Eu sou do Kosovo. Agora é um país! E estava feliz. Andava a festejar na rua.

Doutrinador - Então e o que sucedeu, amigo?

Espírito - Não sei... Ah! Fui à Sérvia, a seguir.

Doutrinador - A seguir aos festejos...?

Espírito - Sim.

Doutrinador - E o que é que lá foste fazer?

Espírito - Fui dar uns bons murros.

Doutrinador - Nas pessoas que lá andavam?

Espírito - Sim. Naqueles assassinos. Não são pessoas. São assassinos.

Doutrinador - E passaste a fronteira?

Espírito - Passei.

Doutrinador - Mas por que razão é que foste, se estavas a comemorar na tua terra?

Espírito - Porque não me esqueço. É um dia feliz, mas é um dia... de grande tristeza para mim...

Doutrinador - Pois é, amigo. E foste para lá para te vingares daqueles que lá se encontravam...

Espírito - Bem merecem. Não tenho feito outra coisa, que é andar de roda deles. Já descobri alguns dos meus assassinos e de toda a minha família (tosse). Não os largo nunca. Só saí para festejar.

Doutrinador -E depois voltaste novamente.

Espírito - E agora não percebo por que é que estou aqui (tosse). E nem percebi nada do que falaram. Nem sei quem é Deus.

Doutrinador - Deus é Alá, como lhe chamas.

Espírito - Ah! É o Deus dos sérvios, dos assassinos.

Doutrinador - O Deus é o mesmo para toda a gente.

Espírito - Não. O meu é Alá.

Doutrinador - Exactamente. É Alá. Nós orámos a Alá.

Espírito - Não. Eu não percebi nada do perdão e dessas coisas, porque quem mata deve morrer também.

Doutrinador - Mas onde é que viste isso escrito, amigo?

Espírito - É assim que nós somos. Nós não fazemos mal. Mas temos que nos vingar. Fazer justiça!

Doutrinador - Com as próprias mãos?

Espírito – Pois, se ninguém faz!

Doutrinador - Não acreditas em Alá?

Espírito - E tu acreditarias se vivesses os horrores que nós vivemos? Há visões que nunca desaparecem, para além da morte. A morte é o mínimo. Tudo aquilo que observas com os teus olhos…

Doutrinador - Mas tu eras de Pristina? Eras da capital? Já não te recordas, não é verdade?

Espírito - Eu só vejo uma cova. E vejo as minhas filhas enterradas. E quando fui acudir-lhes cortaram-me a garganta. (chora)

Doutrinador - E quando é que isso sucedeu, querido amigo?

Espírito - Num dia de grande tristeza para todo aquele povo. Que não fez nada.

Doutrinador - Mas isso já aconteceu há anos, não é verdade?

Espírito - Não sei. Já há algum tempo. Há algum tempo. Nunca mais, desde que eu os descobri. Eu estou um bocadinho confuso... porque andei anestesiado muito tempo, enlouquecido de desespero por não poder fazer nada. Não por mim, mas pelas minhas filhas. A minha mulher... tudo na vala. E eu sem poder fazer nada. Nada fizeram para merecer aquilo. Nada fizeram. Se isto é justiça, não sei... E eu tenho que me vingar. E quando acordei consegui descobrir alguns dos meus assassinos. Não todos. Mas Alguns. Em nome de Alá, eles pagarão!

Doutrinador - Mas deixa a Alá fazer justiça. Não faças com as tuas mãos. Porque a justiça acabará sendo sempre feita, amigo.

Espírito - Quando?

Doutrinador - Olha: sabias que nós vivemos muitas existências?

Espírito - Tenho uma ideia.

Doutrinador - E sabias que nós não morremos?

Espírito - Não. Não morremos. Quem acredita em Alá não acredita na morte. O lado de lá é sempre muito melhor do que o lado de cá. Só que eu não consigo. Não consigo enquanto não me vingar. Enquanto não destruir aqueles assassinos não consigo ter paz. Não consigo ver o céu. Não consigo libertar-me.

Doutrinador - E não acreditas na justiça de Alá?

Espírito - Ela existe. Só que eles até agora vivem bem. Ainda não vi com os meus olhos a justiça a ser-lhes aplicada. Nada lhes fizeram.

Doutrinador - Mas deixa a Alá aplicar-lhes a justiça. Não te preocupes tu. Deixa a Alá essa tarefa.

Espírito - Mas quando?

Doutrinador - Não te preocupes quando. Preocupa-te é contigo neste momento. Neste momento não sabes onde estás. Mas eu informo-te. Estamos aqui em reunião. E a reunião é em nome do Deus de todos nós.

(continua)

Manuel
Grupo "Amigo Amén", Santa Maria

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A CARIDADE

"Na reunião da noite de 10 para 11 de Fevereiro de 2008, após a leitura de uma lição do capítulo ‘Fora da Caridade não há salvação’, enquanto do lado espiritual uma equipa de entidades procedia a trabalhos de auxílio espiritual, uma médium psicografava a seguinte mensagem, em ambiente de grande tranquilidade e harmonia:

“ Ó musa entre as musas

Rainha dos Céus, mãe do Universo

Criadora entre os demais

Mater inventada do Ser

Que a ti te criou.


Irmã do Indigente

Cobre-lo com o teu manto.

Restauras o sorriso na criança

Largada no mísero abandono

Dum Reino de pobreza de Alma.


Quem te disse o Nome?

Quem te reconhece

Quando passas, discreta

Quase nua, porque

De ti nada possuis?


Desconheces as classes sociais.

Nada te diz o brilho reluzente

Daqueles que com ele se perdem.


Apenas procuras o desgosto

Apenas vives o sofrimento.


Regozijas-te no casebre

Tal como no palácio do imperador

Porque em ambos entraste sem seres convidada,

Sem alarde, sem misticismo, nem fato especial.


De ti e em ti, observava o Amor desinteressado

E a protecção ao lar

Que dele tanto carecia.


Como te chamas tu?- pergunta o socorrido.

Quem sois e como te podemos nomear?

Donde provéns, que te proclamaremos o nome?

Senhora minha, qual a tua casa?


A minha casa é a vossa casa.

Provenho do Criador.

Foi Jesus quem me enviou

Fostes vós que me chamastes.


E de meu apenas tenho o nome

por que podeis proclamar-me:

Eu sou a Caridade.

Damião G.”

Foi a primeira vez que este nosso amigo espiritual se manifestou mediunicamente no nosso grupo, deixando-nos esta linda poesia sobre o tema da lição: a Caridade."

Manuel

Núcleo Espírita ‘Amigo Amen’