domingo, 15 de junho de 2008

A história duma vida

Na noite de 01 de Junho de 2008, através da médium Maria, manifestou-se psicograficamente um amigo que contou a sua história. Ao lê-la, lembramo-nos de histórias pequenas, mas cheias de ensinamentos como as que o espírito de Hilário Silva nos conta. Para os nossos leitores aqui deixamos o testemunho deste Espírito, que apenas se identificou como “Um amigo”


Vivia numa choupana, pobremente, um homem. Seu sobrinho, vindo das Américas, dele se acercou, pois não lhe restava mais família.
Deus se apiedou dele e lhe enviou os recursos necessários à mudança de situação.
Instalado numa bela mansão, rodeado de tudo o que o conforto pode proporcionar, aquele homem humilde depressa se transformou e, de sorriso nos lábios, pronto a uma palavra humorística para quem dele se acercava, ficou orgulhoso e carrancudo, a todos ordenando e a vida renegando.
Esse sobrinho, bom homem mas perdulário, dedicado há muito ao vício do jogo, foi perdendo a enorme fortuna que entretanto amealhara, acabando por ficar reduzido à miséria mais precária. Passando a reduzir nas despesas, reduziu as amizades que dele se acercaram e, tendo perdido os apoios mais próximos, os negócios começaram a falhar. Por fim, enlouquecido da vida ruinosa que construíra com as suas próprias mãos, da vida se despediu numa noite fatídica para seu destino.
Hoje, aquele velhote de quem todos se aproximavam, voltou a contar as suas histórias sempre com humor e acrescenta mais esta a todos os que o conhecem.
"Deus sabe sempre o que faz e, quando às vezes parece enganar-se, depressa arrepia caminho, pois se como pobre tenho amigos e amo a vida é porque assim o devo ser."
Como vedes, meus amigos, a nossa reforma moral se faz lentamente e a cada um lhe é dado conforme haja agido.

Um amigo


Manuel
Núcleo Espírita ‘Amigo Amen’
Santa Maria

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Homenagem a Camões

Amanhã, 10 de Junho, é dia de Camões e, estando eu a reflectir sobre que tema introduzir neste blog, veio parar-me às mãos, como que por acaso, um livro de Jorge Rizzini, intitulado: “Antologia do Mais Além”, contendo uma poesia psicografada do referido poeta. O seu conteúdo semântico e linguístico é muito semelhante ao poema que nos deixou em vida e, por demais conhecido: “Alma Minha Gentil que te partiste”, pelo que aqui deixo à reflexão de todos a comparação entre os dois.

Camões - Alma minha gentil, que te partiste

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.(1)


Este belo soneto aproxima-se do soneto XXXVII de Petrarca, mas o de Camões é de mais pura espiritualidade e mais penetrante melodia. Segundo o manuscrito da VIII Década de Couto, existente na Biblioteca Municipal do Porto, foi ele inspirado pela rapariga oriental que naufragou com o Poeta na foz do Mécon, ali morrendo afogada.
Hernâni Cidade, Luís de Camões - Lírica, Círculo de Leitores, Lisboa, 1973
http://www.instituto-camoes.pt/escritores/camoes/soneto15.htm

Alma Amiga que à Terra Te Partiste…

Alma amiga que à Terra te partiste
Em busca do viver tão descontente,
Que te abençoe Deus eternamente,
E que te faça leve o fado triste.

Bem sei que a evolução do ser consiste
Nas mil reencarnações que o Pai consente,
E que aos Céus voltarás em luz fulgente,
Inda maior que quando aqui subiste;

Mas, se na Terra, um dia, a crua dor
Envolver-te a formosa e gentil alma,
Que te não desespere o duro fado;

Ah! Roga aos Céus com teu imenso amor
Que bem cedo eu te leve a doce calma,
Quão cedo me trouxeste no passado!

In “Antologia do Mais Além”, Jorge Rizzini, pág. 87, 2ª edição, 1979 (Edições FEESP)

Pequenas notas biográficas:
Jorge Rizzini foi escritor, jornalista, conviveu com Herculano Pires, participando nos serões e debates no Clube dos Jornalistas Espíritas (1950), a quem mostrou a obra poética, recebida mediunicamente.
Psicografou, apenas em três meses, poesias de autores de grande nomeada, desde Anchieta a Cornélio Pires, de Bocage a Florbela Espanca ou Augusto dos Anjos, reunindo uma impressionante antologia de grandes vultos da cultura brasileira e portuguesa.

Sendo a sua craveira intelectual bastante conhecida, nunca tinha manifestado qualquer pendor especial para a poesia.
Quando escrevia esta antologia, via uma luz azulada e arredondada sobre o papel ou sobre a mão que escrevia e ouvia pancadas dos espíritos que, ao mesmo tempo que paravam o lápis no papel, o avisavam dum erro acabado de cometer no poema.

Ele próprio via os poetas de quem recebia a psicografia, bem como a sua mulher, Iracema, médium vidente. Esta, se não os conhecia, identificava-os posteriormente, através de fotos que Jorge lhe mostrava.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Congresso

Aproxima-se a data da realização do XX Congresso Espírita Pan-Americano. Este decorrerá de 4 a 8 de junho de 2008, em San Juan, Porto Rico.

Todavia, um grupo religioso prometeu que não se calaria e tudo faria para impedir este congresso, mobilizando os seus adeptos afim de boicotar o evento. (ver aqui), após uma entrevista publicada num jornal local.

Desde há muito que, naquele país, existe um forte movimento evangélico, fundamentalista e conservador, cujas reacções não se fizeram esperar, embora nem os espíritas esperassem o tom de ameaça que suscitaram.

Primando a Doutrina Espírita pelo respeito ao livre-pensamento e buscando contribuir para o aprimoramento do conhecimento humano, no encontro do Homem com a sua imortalidade, certamente esse Congresso, que reúne diversas individualidades de várias partes do mundo, decorrerá, mais uma vez, num clima de diálogo, tolerância e paz entre todos.

Quero, no entanto, trazer ao conhecimento de todos, um facto acontecido num desses congressos, quase anedótico, mas que muito revela da postura dum espírita convicto, por oposição a alguns grupos que, ao serem convidados à troca de ideias, fogem a “sete pés”.

Milton Rubens Medran Moreira, Presidente da CEPA (Confederação Espírita Pan-Americana) concedeu, em MARÇO de 2008, uma entrevista ao CORREIOESPÍRITA (1º jornal espírita a circular em todo o estado do Rio de Janeiro) WWW.CORREIOESPIRITA.ORG.BR.

Milton conta-nos o seguinte:

“Gostaria de fazer um registro histórico e uma observação: Não é a primeira vez que a CEPA enfrenta reações de grupos ligados ao fanatismo religioso. No XV Congresso Espírita Pan-Americano, realizado em Caracas, em 1990, um dos mais importantes da história da CEPA, e que reuniu 714 representantes de 15 países, um fato inusitado ocorreu. O Congresso recebera uma grande cobertura da imprensa, rádio e televisão venezuelanas, o que incomodou bastante os evangélicos locais. Um dia, quando se realizava um dos atos do Congresso, no auditório principal do hotel, apresentou-se às portas do salão uma manifestação de evangélicos, gritando palavras de repúdio contra o “satanismo espírita” e distribuindo panfletos contra o espiritismo. Na ocasião, muitos espíritas se sentiram indignados e até faziam menção de enfrentar o grupo. Foi então que o presidente da Comissão Organizadora, Jon Aizpúrua (que, mais tarde viria a ser presidente da CEPA) ponderou aos congressistas que era conveniente evitar qualquer escândalo e que, pessoalmente, buscaria resolver o problema. Aizpúrua, então, foi até a parte fronteira do prédio, onde se encontravam os manifestantes, e pediu que lhe indicassem quem era o líder ou chefe dos manifestantes. Foi até ele e fez ao pastor esta proposta: que, ao invés de gritar fora do salão, que convidasse seus liderados a ingressar no auditório, onde poderiam seguir distribuindo os panfletos e onde a organização do evento franquearia o microfone ao pastor para fazer uma manifestação de viva-voz aos espíritas. “Assim – disse-lhes Aizpúrua – poderiam salvar muitas almas que estariam desviadas”. Para surpresa do presidente do Congresso, o pastor disse que aquilo era “uma armadilha do demônio” e optou por retirar-se com o grupo. O Congresso de Caracas transcorreu, dali por diante, com tranqüilidade e produtividade. Foi um Congresso importantíssimo que, inclusive, inaugurou uma nova fase da história da CEPA fortalecendo seu perfil genuinamente kardecista e livre-pensador.
Ao relatar esse episódio, desejo destacar que posturas de intolerância, fanatismo ou fundamentalismo, dentro ou fora do movimento espírita, não se compatibilizam com o projeto da CEPA que trabalha em prol de um espiritismo progressista e livre-pensador, com condições plenas de contribuir com o avanço do conhecimento e da ética entre homens e mulheres de todas as culturas.”

domingo, 1 de junho de 2008

O OLEIRO E A CRIANÇA


Dos quadros da natureza,

Um há de rica expressão:

O esforço nobre do oleiro

Que atua com perfeição.


Todo barro indefinível

Que do lamaçal promana,

Ao toque de sua mãos,

Transforma-se em porcelana.


A argila, massa disforme,

Nas mãos deste servidor,

Torna-se formoso vaso

De utilidade e valor.


Criança é também argila

Que devemos modelar,

Com zelo, tempo e trabalho

Nas tarefas de educar.


Frágil, pequena, indefesa,

Qual ave fora do ninho,

Toda criança precisa

De orientação e carinho.


Estendamos aos infantes

O ensino de amor e luz

Que fulgura na mensagem

Do Evangelho de Jesus.

J


Nos campos da educação,

Somos todos tarefeiros

E, se a criança é argila,

Os pais são sempre os oleiros.

Otaviano Filho

In “Notas de Paz” Luís António Ferraz – Espíritos Diversos