sábado, 5 de novembro de 2016

A católica “morta”-viva


As convicções que, de modo irracional, criámos ao longo da vida, tomando-as como verdades absolutas, sem nos interrogarmos ou as colocar em causa, continuam connosco, após a morte do corpo físico, tal como quando ainda nos encontrávamos entre os chamados ‘vivos’.
O que ocorreu na reunião mediúnica de 7 de Junho de 2005 mostra até que ponto, por um lado a persistência dessas crenças, por outro lado a ignorância dos assuntos respeitantes à vida após a “morte” nos pode reter estacionados durante algum tempo junto à crosta terrestre. O diálogo entre o Espírito que aqui se manifestou e o doutrinador é a este respeito bem elucidativo.
A entidade acabou por receber um esclarecimento prévio prestado por um ‘sacerdote’ do mundo espiritual e ficou satisfeita pelo facto de lá (no Mundo Espiritual) também existirem missas, comprovando assim que “Há muitas moradas na casa de Meu Pai”.
Passemos ao diálogo entre o Espírito manifestante e o doutrinador, a que se segue, no final, uma comunicação do Espírito Orientador desta reunião.


Doutrinador: Diz lá, meu amigo, ou minha amiga. Diz-me o que sentes.
Espírito: Eu julgava que tu eras padre.
Doutrinador: Não sou padre, apenas gosto de orar.
Espírito: Ah, mas falas nessa coisa de espiritismo.
Doutrinador: Os padres católicos não falam de espiritismo.
Espírito: Não!... Isso são coisas de Satanás.
Doutrinador: Achas?
Espírito: Pelo menos foi o que eu aprendi.
Doutrinador: Diz-me uma coisa: tu és Espírito?
Espírito: Ai a minha cabeça! Eu sofro muito.
Doutrinador: Tens sofrido bastante, não é verdade?
Espírito: Ai, nem queiras saber.
Doutrinador: És uma amiga?
Espírito: Eu não sei se sou amiga.
Doutrinador: És uma senhora?
Espírito: Eu sou uma senhora, então não se vê logo?
Doutrinador: Ora bem...
Espírito: Mas essas palavras estão certas. Agora eu estava a pensar: missa à noite não é todos os dias. Só na missa do galo. Estava a pensar que eram protestantes ou uma coisa dessas que eu não conheço. Têm lido ali uns livros estranhos, ah isso têm.
Doutrinador: E tu tens acompanhado?
Espírito: Alguma coisa, mas acho que não são livros muito recomendáveis.
Doutrinador: Tu condenas esses livros?
Espírito: Não são grande coisa. Não nos devemos meter em coisas que não nos dizem respeito.
Doutrinador: Muito bem...
Espírito: O que vale é que ela (um dos elementos do grupo) ultimamente não tem feito nada. Já largou, já largou, que aquilo era... (transitoriamente, devido ao trabalho profissional)
Doutrinador: Era demais...
Espírito: Era. Coisas assim estranhas. Eu não lia mas às vezes dava uma espreitadela. Ai, mas as minhas dores de cabeça.
Doutrinador: Ora bem, isso é que é importante para nós.
Espírito: Olha, não sabia que o Espiritismo dizia coisas certas. Mas não te metas com os mortos que isso não são boas coisas. Não devemos chamar os mortos. Os mortos estão lá para cima, a gente não deve chamá-los.
Doutrinador: O que interessa agora é a tua dor de cabeça e o teu estado físico...
Espírito: Ai, eu sofro muito...
Doutrinador: E necessitas mesmo ser tratada, não é verdade, querida amiga?
Espírito: Isto já é crónico.
Doutrinador: Não é nada crónico.
Espírito: Eu estou sempre em depressão, em grande sofrimento, não tenho forças para nada, só quero é dormir mas não consigo porque as minhas dores de cabeça são muito grandes...
Doutrinador: Permite-me que eu peça a médicos de Jesus...
Espírito: A vida não tem sentido...
Doutrinador: Mas vais encontrar sentido para a vida, vais ver.
Espírito: Não me apetece fazer nada. Nunca gostei de fazer nada.
Doutrinador: Agora que estás aqui, vamos pedir a Jesus que te cure. Não ouviste falar nos milagres de Jesus?
Espírito: Então quem é que não ouviu?! Tens cada conversa!
Doutrinador: Acreditas que Jesus está aqui presente entre nós?
Espírito: Eu não sei. Se fosse na igreja acreditava. Aqui não sei.
Doutrinador: Não ouviste dizer que onde duas ou mais pessoas estiverem reunidas em nome de Jesus, Jesus está entre elas?
Espírito: Mas para isso é que existem as igrejas.
Doutrinador: Sim mas as pessoas podem estar reunidas até em casa.
Espírito: Sim, onde eu estava acendiam umas velas.
Doutrinador: E nós aqui vamos acender outro tipo de velas.
Espírito: Mas estas coisas são crónicas. Eu não tenho vontade para nada.
Doutrinador: Permites-me que eu peça a Jesus para te auxiliar, Jesus que é o médico das almas?
Espírito: Tu és capaz de pedir e Ele ouve-te?
Doutrinador: Ouve, sim. Vou dizer o ‘Pai Nosso’.

[O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’ e pede, com muita fé, por esta nossa querida amiga e irmã. De repente solta um grito de pavor.]

Espírito: Ai que eu estou vendo um Espírito!!! O que é isto?!!! Tirem-me daqui!!!
Doutrinador: Um momento, querida amiga.
Espírito: Eu estou vendo. Tu não estás vendo?!
Doutrinador: Sim, mas são médicos que te vêm auxiliar.
Espírito: Qual médicos?! Aquilo é um Espírito! Aquilo é um fantasma! Ai, que medo! Tira-me daqui!
Doutrinador: Tem calma.
Espírito: Eu estou vendo. Qual tem calma?! Não vês que é um Espírito? Vade retro, vade retro, vade retro! Ai, onde me meteram! É por isso que eu digo, o Espiritismo é coisa de Satanás. Tira-me daqui!
Doutrinador: Permites-me que eu fale com ele?
Espírito: Mas porque é que chamam Espíritos?
Doutrinador: Permites-me que eu fale com este nosso amigo?
Espírito: Fala lá tu com ele. Ele que saia daqui do pé de mim que eu não quero nada.
Doutrinador: Vou falar.
Espírito: Ai, que medo! Ai mãe, ai mãe, que medo! (respira fundo)
Doutrinador: Querido amigo: esta nossa irmã que está aqui presente está com uma grande dor de cabeça e tem vivido em sofrimento durante os últimos tempos. Sabemos que vens em nome de Jesus pois que, pelas vestes brancas e pela luz que irradias vens em nome de Jesus. Pedimos-te, em nome de Jesus que auxilies esta nossa querida amiga que não sabe nada da vida espiritual e que desconhece que já se encontra no mundo espiritual sendo ela própria um Espírito...
Espírito: Ah, eu?!
Doutrinador:... cujo corpo físico já ficou debaixo da terra há muito tempo...
Espírito: Olha! (espanto e admiração com as palavras do doutrinador)
Doutrinador: Ela desconhece essa situação.
Espírito: Não. Eu estou viva.
Doutrinador: Estás viva, sim, minha irmã.
Espírito: Toco-me e sinto-me. Então não falo?! Então os mortos falam? Olha que tu não estás a dizer coisa com coisa.
Doutrinador: Esse corpo não é teu.
Espírito: Ai não?!...
Doutrinador: Não.
Espírito: É emprestado...
Doutrinador: É ‘emprestado’, sim. Estás a falar através do corpo de uma médium.
Espírito: Ai... vejo espírito e oiço um maluco! Isto são coisas de doido!
Doutrinador: Olha, minha querida amiga, como te chamas?
Espírito: Sabes uma coisa (risos) com essa conversa até me está passando a dor de cabeça.
Doutrinador: Graças a Deus.
Espírito: Já não me dói assim muito. Tu és engraçado. Há anos que isto me anda a perseguir e agora...
Doutrinador: Estás a ver...
Espírito: Parece que está aliviada. Alguma coisa ganhei.
Doutrinador: Já não é mau. Diz-me agora uma coisa: já experimentaste falar com este nosso amigo que está aqui presente?
Espírito: Eu?! Até estou virada de lado para não o ver.
Doutrinador: Não faças isso.
Espírito: Ai, tenho medo.
Doutrinador: É um mensageiro de Jesus e mais hão-de vir.
Espírito: Ai, mas eu nunca vi Espíritos, nunca vi nada.
Doutrinador: Mas estás vendo agora.
Espírito: Ai, mãe, mas eu tenho medo. Olha ele ali! Ai, mãe. É que eu abro os olhos e vejo-o e mesmo de olhos fechados o vejo! Ai que desassossego.
Doutrinador: Mas eu ia informar-te de uma coisa: tu és um Espírito. Todos nós somos Espíritos imortais.
Espírito: Pois somos, mas deixa lá estar ele sossegado, que já morreu. Quero lá agora ver?! É quase transparente. Ai que aflição.
Doutrinador: Nunca ouviste dizer que a alma é imortal?
Espírito: Pois é, mas as alminhas são para estar no céu, quietinhas.
Doutrinador: E tu o que és, não és uma alminha?
Espírito: Eu sou quando morrer.
Doutrinador: Olha que o teu corpo físico já morreu há bastante tempo.
Espírito: Não morreu nada.
Doutrinador: Lembras-te onde vivias?
Espírito: Onde eu vivo. Vivo por aí. Olha lá este está-me a dizer que era ao pé da Escola.
Doutrinador: Ao pé da Escola (o doutrinador diz o nome da Escola)?
Espírito: Sim.
Doutrinador: Agora diz-me uma coisa: como é que vieste ter aqui comigo?
Espírito: Ai, eu tenho andado aqui com esta menina (elemento do grupo).
Doutrinador: Tens andado, muito bem. E achas isso natural?
Espírito: Eu estava lá na casa de um casal que é muito simpático (casal muito católico, amigo da irmã anteriormente citada).
Doutrinador: E vieste de lá.
Espírito: Vim com ela, que é muito boazinha.
Doutrinador: Sim senhor... vieste de lá.
Espírito: E quis vir com ela.
Doutrinador: Sim, mas não te lembras do teu nome.
Espírito: Sílvia.
Doutrinador: Dona Sílvia: acha natural andar na casa dos outros?
Espírito: Então, nós temos que estar acompanhados. Ninguém gosta de viver sozinho.
Doutrinador: Então num dia estás na casa de um, no outro dia estás na casa de outro. Se tivesses corpo físico achavas natural viver um dia na casa de um e outro dia na casa de outro?
Espírito: Ah, era o que eu fazia. O que eu faço.
Doutrinador: Achas natural estar agora aqui?
Espírito: Eu vim com ela. Mas sabes porque é que eu estou? É que aquilo na casa dela é um desassossego completo. Já não há privacidade nenhuma. São cães, são gatos, são pessoas. Aquela casa está invadida e... não gosto assim muito deles. Não são pessoas cá das minhas relações. Eu estava melhor com ela. Quando ela estava sozinha gostava mais. Então vim-me embora com ela.
Doutrinador: Então deixa-me dar-te uma informação que já te dei há bocado...
Espírito: Ela ia trabalhar e eu ficava lá sozinha.
Doutrinador: Muito bem, mas ficavas com depressão. Mais do que isso: ficavas com dor de cabeça.
Espírito: Olha, sabes que mais? Eu nem forças tinha para falar e agora até estou muito esperta.
Doutrinador: E tu não sabes porquê.
Espírito: Não.
Doutrinador: Deixas-me eu informar-te porquê?
Espírito: Sim...
Doutrinador: É que neste momento médicos e enfermeiros de Jesus estão aqui à tua volta.
Espírito: Não me grites que eu não sou surda.
Doutrinador: Desculpa, desculpa. Médicos e enfermeiros de Jesus estão aqui à tua volta.
Espírito: Não me digas que ainda há mais Espíritos aqui?!
Doutrinador: Há, sim senhora.
Espírito: Ai Jesus, valha-me Deus! Virgem Santíssima me acuda!
Doutrinador: E tu és um deles.
Espírito: Oh homem eu estou viva. Que mania a tua hã! Agora diz que eu estou morta!
Doutrinador: Tu usavas óculos?
Espírito: Usava, sim senhor. Uso, ai que coisa.
Doutrinador: E tu eras grande ou pequenina?
Espírito: Assim, assim.. Ai mas que perguntas!
Doutrinador: É que eu te informo que neste momento estás a falar através de uma médium.
Espírito: O que é isso?
Doutrinador: É uma pessoa que ‘empresta’ o corpo através da qual um Espírito como tu pode falar com pessoas que estão no mundo físico, como é o meu caso.
Espírito: Ai que confusão tão grande!
Doutrinador: Pois é, não percebes. Mas olha: aquela rapariga com quem tens andado e na casa da qual tens estado...
Espírito: Muito boazinha.
Doutrinador:... Exactamente. É uma pessoa que vive no corpo físico, ainda não morreu. Eu, que estou a falar contigo, tenho ainda corpo físico...
Espírito: E eu também.
Doutrinador: E tu tens corpo espiritual.
Espírito: O que é isso?
Doutrinador: O corpo espiritual é uma cópia exacta do corpo físico só que não é tão denso como o corpo físico, estás a perceber?
Espírito: Ai, tu sabes muito.
Doutrinador: É por isso que tu podes atravessar paredes. É por isso que tu podes atravessar portas.
Espírito: Olha lá que eu nunca tinha pensado nisso. E entro e saio, sem chave nem nada.
Doutrinador: E isso sucede porquê?! Porque já te encontras no mundo espiritual.
Espírito: Eu estou viva.
Doutrinador: Pois claro que estás. Então o espírito não é imortal? Tu és Espírito minha querida amiga.
Espírito: A gente pensa no Espírito assim como uma coisa...
Doutrinador: Como uma coisa do outro mundo, não é verdade? Não é nada do outro mundo, é deste mundo.
Espírito: Ah, sim!...
Doutrinador: Nós estivemos há bocado a ler o Evangelho Segundo o Espiritismo.
Espírito: Ai, lá vens tu outra vez com essa expressão. Se o meu padre te ouvisse! Se o meu padre te ouvisse corria contigo.
Doutrinador: Mas será que o teu padre não está também no mundo espiritual?
Espírito: Não!
Doutrinador: De certeza que ainda está aqui a dar missa, na igreja, aqui em (nome da cidade)?
Espírito: Sim!!!
Doutrinador: Bom, mas há padres que estão no mundo espiritual.
Espírito: Ai há?
Doutrinador: Sim.
Espírito: Hás-de apresentar-me um. Eu não sei. Eu ando aqui na Terra, vou aos sítios onde vai toda a gente...
Doutrinador: Permites-me que eu peça a Jesus que possa um senhor padre vir até aqui falar contigo?
Espírito: Sim.
Doutrinador: Então eu vou pedir.

[O doutrinador ora a Deus, Nosso Pai e a Jesus, Nosso Mestre, que permita que um amigo espiritual possa vir ensinar e esclarecer esta nossa querida irmã. Todos os elementos do grupo continuam concentrados emitindo vibrações de Amor sobre esta nossa irmã. Decorrem alguns momentos. Uma entidade com as vestes de padre aparece a esta nossa irmã que estabelece de imediato a conversação de que seguidamente reproduzimos o trecho que segue]

Espírito: Ai, graças a Deus! Ai (suspiro) senhor padre: eu estou muito desassossegada. Nem imagina! Eu tenho ouvido coisas esta noite que é de fazer bradar aos céus!... (...) Pois, isso é o que eu oiço sempre. Claro. Jesus está sempre presente. É isso o que eu oiço na missa, senhor padre. Nem imagina, olhe, desde ver fantasmas, a ver gente invadir-nos o nosso espaço, tenho gente de nariz empinado, aquilo é um desassossego. Chego aqui... estava calminha, estava bem... de repente espiritismo para cá, espiritismo para lá. Fantasmas! Agora dizem que eu não estou viva, quando eu estou viva. Até estou mais viva, pois eu não falava quase, estava sem forças para nada e até a minha dor de cabeça já lá vai, que Deus me ajude e que ela não regresse. Ai, senhor padre, eu estou muito baralhada. Tem que me ajudar, por amor de Deus. (...) Então quer dizer que é tudo verdade?! Ah... olha... oh senhor padre: nunca nos ensinaram nada disso. Olhe que nunca faltava! Eu ia todos os sábados e domingos! Eu nunca faltava a nenhum encontro! Nunca ouvi o senhor padre nem ninguém dizer nada disso! Só falam em alminhas, alminhas, alminhas... Isto é tudo novidade para mim! Eu estou muito baralhada. Ai há pessoas que também... Ah, o senhor padre também diz missa e há pessoas que como eu também vão à missa? Ah... eu não sabia. (...) Ai e ouvem-me e falam comigo? Pois eu realmente não falo com ninguém só oiço as conversas. Ai que bom. Ai senhor padre, mas que grandes novidades! Pois... Ah... Ai mãe, olha que uma destas eu não esperava nada. Mas há coisas muito estranhas! É, é verdade, eu não posso perceber tudo num dia, isso é verdade. Missas onde me informam destas coisas todas? Isso é que eu queria. Ai vou, pois claro que vou.
Tenho andado um bocado perdida, sem vontade para nada. Ainda por cima não consigo falar com ninguém, isto é uma tristeza muito grande. (...) Olhe pois é graças a Jesus, isso já percebi. Tenho que agradecer aqui a este amigo que ainda por cima eu não estava a tratar muito bem. Tenho que rezar uns pai-nossos para me penitenciar, que eu não estava a comportar-me muito bem com ele e, se calhar... pois... talvez... talvez estivesse a fazer mal às pessoas.
Eu não queria fazer mal a ninguém, senhor padre, mas se andar na Terra é passar o nosso sofrimento aos outros, pois realmente não devo andar, pois já basta o que eu sofro. Eu não fazia ideia, senhor padre. Eu peço desculpa a todos. E tu, minha querida menina, perdoa-me, pois, eu gostava de estar ao pé de ti, não sabia que te estava a fazer mal. Não acredites no que tens sentido porque isso são cá as minhas coisas, são os meus sofrimentos, o que eu passei e uma consciência que não está assim muito limpa... todos somos pecadores e.… não acredites que isso não és tu, sou eu. Eu é que não sabia. Se eu soubesse não ficava junto de ti. E tu, meu amigo, desculpa-me também porque... olha, afinal pois já pensei um bocadinho, já mudei um bocadinho de opinião olha que o espiritismo tem a sua razão de ser. Mas olha que os senhores padres não querem que a gente saiba nada disto. Aqui este senhor padre está-me a dizer que eles sabem todos mas não dizem. Mas deviam dizer. A verdade deve-se dizer sempre.

Doutrinador: Olha minha querida amiga, nós te agradecemos.
Espírito: Eu é que vos agradeço a todos.
Doutrinador: Nós agora vamos orar por ti.
Espírito: Muito agradecida. E não vos vou esquecer nas minhas orações e nas missas a que agora vou poder assistir.
[O doutrinador ora o ‘Pai Nosso’, agradecendo a Deus pelas bênçãos recebidas, pela luz recebida por esta nossa querida amiga e todos os sofredores que se encontram presentes]

Retirado do livro: "Falando com os Espíritos", de Eduardo Guerreiro [ainda não publicado]

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O pequeno Portugal


Portugal é um pequeno país, com pouca expressão e influência a nível internacional, dada a dimensão do seu território e a sua situação geográfica num extremo da Europa. Talvez, por isso, os portugueses tenham um certo complexo de inferioridade e relativamente baixa autoestima quando se comparam com povos de outros países. Não valorizam o que possuem e limitam-se a relembrar a época áurea da sua História, quinhentos anos antes, quando, pelo mar, deram novos mundos ao mundo.

Embora o país possua um património cultural e arquitectónico assinalável, associado a uma diversidade geográfica acentuada, o povo português não aprecia suficientemente o que tem. Considera, regra geral, que o que é estrangeiro é melhor.

A história que vamos contar a seguir, mostra-nos que não é bem assim e que, se este rectângulo à beira mar plantado é, de facto, pequeno em área, olhado do ponto de vista espiritual, pelo relato que nos chegou, parece não ser como habitualmente o encaramos.

No dia 26 de maio de 2006, manifestou-se na nossa reunião mediúnica uma entidade espiritual recentemente desencarnada, vinda de Timor, muito apreensiva acerca da situação naquele país.

Este companheiro foi definido, posteriormente, pelo Espírito Orientador dos trabalhos da seguinte forma:

- Acabamos de ouvir um querido irmão, ingénuo, ainda recentemente aportado ao mundo espiritual, muito ligado a todos os entes queridos que acaba de deixar, ainda pouco seguro na sua crença no Poder Divino e na sua compreensão das Leis da Evolução. Toca-nos o coração o seu sofrimento recordando nossas antigas encarnações, nossos amores e as penas pelas quais tanto sofremos, desacompanhados da visão espiritual. (…)

O diálogo antes havido com este amigo timorense foi longo. No essencial, ele vinha pedir auxílio aos portugueses para ajudar a pacificar aquele território, então em convulsão político-social.

Eis um pequeno extracto da nossa conversa:
(…)

Espírito: É preciso rápido. É preciso rápido. É preciso que cada um diga, grite bem alto para irem para lá defender-nos. Nós não somos capazes sozinhos. Somos poucos contra muitos e poderosos. Estamos sozinhos.

Doutrinador: Irá para lá, rápido, uma força, meu irmão.

Espírito: Mas depende do povo. Foi o povo que mandou para lá ajuda. Foi o povo.

Doutrinador: Sim, meu querido amigo. Dentro das nossas limitações no plano físico, prometemos fazer o que está ao nosso alcance. Sabes que Portugal é um país pequeno...

Espírito: Não! Não é, não! E cá em cima eu vi que não é. Não é, não! É pequeno em tamanho, mas não é pequeno. Portugal é o nosso grande irmão. Tem muita força. Tem muito poder. Foi Portugal que conseguiu ajuda para nós. E vai conseguir novamente.

(…)

Espírito: Têm uma arma que é a mais forte, que é a arma do Amor.

Doutrinador: Tens razão, amigo.

Espírito: E somos o mesmo povo. Vocês não sabem, porque é que sentem isso. Têm a força do Amor, que é a arma mais forte, mais poderosa. E só descobrimos, quando chegamos outra vez cá em cima.

(…)

Espírito: E que nunca desaparecerá (Timor). Isso já nos foi prometido pelos Guias. É um cantinho espiritual diferente de toda aquela zona do Planeta.

Este companheiro, observando Portugal de cima, informa-nos que este país não é pequeno e que portugueses e timorenses somos o mesmo povo. E que Timor é um cantinho espiritual diferente que nunca desaparecerá.

Moral da história:

As dimensões, a material e a espiritual, são duas realidades diferentes. A crer nas palavras deste nosso amigo, Portugal, sendo pequeno na sua dimensão física é, contudo, grande, quando visto da espiritualidade. Além de que um povo não se circunscreve apenas a determinada zona física.

Retirado do livro de Eduardo Guerreiro - "Histórias Verídicas com Pessoas e Espíritos"

sábado, 29 de outubro de 2016

Consciência culpada e autopunição


No dia 21 de Julho de 2005 manifestou-se em nossa reunião de auxílio uma entidade em grande sofrimento. Apenas gemia, sendo impossível estabelecer qualquer diálogo com ela. O doutrinador solicitou a todos os elementos do grupo vibrações de muito Amor e muita Luz sobre este nosso irmão.
Passados alguns minutos em concentração este companheiro, que manifestava ao mesmo tempo muito medo e receio, disse algumas palavras. O diálogo estabelecido entre ele e o doutrinador mostra quanto o orgulho nos pode perder.
Os esclarecimentos prestados no final pelo Espírito Orientador sobre a presente situação permitem-nos tirar importantes ilações.
Interessante, também, a resposta a uma dúvida colocada no final sobre o desprendimento durante o sono experimentado por um dos elementos do grupo mediúnico.

Doutrinador: Nada receies. Nada temas. Estamos aqui numa casa de oração. É uma casa de Jesus, uma casa de Deus. O que sentes, querido amigo?
Espírito: Não sei explicar...
Doutrinador: Tens medo?
Espírito: Eu sofro muito. Sofro muito.
Doutrinador: Onde é que te dói?
Espírito: Aqui.
Doutrinador: No braço?
Espírito: Sim. Feriram-me no braço.
Doutrinador: Então tens receio de que te toquem no braço. Tens aqui médicos e enfermeiros para te ajudarem.
Espírito: Eu fui o culpado.
Doutrinador: Não interessa quem foi o culpado. O que interessa é que estão aqui médicos e enfermeiros para te ajudarem.
Espírito: Perseguem-me.
Doutrinador: Ninguém te vai perseguir.
Espírito: Perseguem-me sempre.
Doutrinador: Mas não aqui. Aqui não está ninguém a perseguir-te.
Espírito: Aqui não está ninguém.
Doutrinador: Nesse aspecto podes estar descansado. Mas está aqui alguém. Estão médicos. Estão enfermeiros, para te ajudarem.
Espírito: Se eles me recompusessem o braço eu não sofria tanto.
Doutrinador: Eles estão a recompor-te o braço. E não vais sofrer tanto, pelo contrário. Aliás, já te estás sentindo mais aliviado.
[A entidade respira fundo, sentindo-se melhor...]
Espírito: Eu não mereço. Eu matei um homem.
Doutrinador: Amigo, todos nós errámos, mais ou menos. Portanto não é isso que deve neste momento preocupar-te. Estás arrependido?
Espírito: Estou muito. Tenho sofrido muito.
Doutrinador: Ora bem... Sabes? Desde que nós nos arrependamos, Deus, que é infinitamente misericordioso concede-nos o perdão e a misericórdia e é isso que está neste momento sucedendo.
Espírito: Só Deus me pode perdoar.
Doutrinador: E Deus perdoa-te. Deixa estar, porque Deus perdoa-te, porque tu, de facto, reconheces que não procedeste bem e Deus perdoa-te, por isso estás sendo auxiliado.
[A entidade continua a respirar fundo, como que para ganhar forças]
Doutrinador: Agora descreve lá o que é que estás vendo aqui à tua volta.
Espírito: Estão-me a ligar o braço. Ai... dói-me tanto. Dão-me picadas. Ai... eu não quero que me toquem. Tenho medo. Eu tenho medo que me toquem.
Doutrinador: Não tenhas medo, querido amigo. Estão a tratar de ti. Pensamento em Deus. Eu vou orar por ti. Se quiseres podes acompanhar-me.
[O doutrinador ora a Deus, pedindo por este nosso companheiro para que ele possa ser auxiliado neste posto de socorro].
Espírito: Eu não quero ser levado para outro sítio. Quero ficar mesmo aqui.
Doutrinador: Porquê, querido amigo?
Espírito: Não. Não quero ir para longe.
Doutrinador: Pergunta lá a estes amigos como é que é o sítio para onde te vão levar.
Espírito: É um sítio onde só há gente em tratamento e eu sou um criminoso... Não posso ver gente... Não quero ver ninguém. Pois, mas é que eu pedi! Eu pedi isto tudo! Tenho que pagar isto tudo! É cedo para me poder perdoar! Eu tenho que pagar! Eu matei para ficar com a mulher do meu inimigo! Eu não posso perdoar! (...) E o meu braço é a marca desse crime que cometi. Perdi a minha honra!
Ele já me perdoou? Não pode ser. Eu roubei-lhe a esposa. Como pode perdoar-me? E tirei-lhe a vida! Como pode perdoar uma coisa assim?! Não posso... Não pode ser! Eu, vê-lo? Eu morro de vergonha de o encarar. Ele quer ver-me?! Como é que ele pode? Como pode? É muito, muitíssimo melhor do que eu! Ainda sinto mais vergonha pelo acto que cometi! Eu... que em vida nunca poria sequer a hipótese! Eu, barão...! Sim... Rotwild. (?) Barão de Rotwild!
Eu jamais baixei a minha cabeça, andei sempre erguido, imponente perante tudo e todos!... Onde isso já vai! Eu vou-me ajoelhar a seus pés e vou pedir perdão. Coisa inadmissível quando vivia essa vida de riqueza e de títulos nobres que nos cegam. O orgulho que mata! Imbecilidade, que destrói e corrói a alma daqueles que caem nessa armadilha. Eu ajoelhar-me-ei, sim. Não vou hesitar um segundo. Se esse homem me perdoa é o mínimo que eu posso fazer! Eu vou! Vou, sim! Chega de sofrer!
Doutrinador: Acabas de tomar uma boa resolução, querido amigo. É a resolução que agrada a Deus.
Espírito: Tenho que reparar as minhas faltas. Começo a reparar após ter pedido perdão de joelhos a quem matei.
Doutrinador: Tu saberás melhor do que ninguém aquilo que deves fazer, com uma certeza: aquilo que fizeres de coração para o Bem agradará ao Pai, que tudo vê e a tudo provê, incluindo a sua infinita misericórdia. Querido amigo: vai, então, porque esse é o maior acto de coragem que tu demonstras e essa coragem vale mil vezes mais do que aquela que se fundamenta no orgulho. Essa é a coragem da Humildade. Sim, porque para ser humilde é necessário ser-se corajoso. Damos-te todos os parabéns, meu amigo, pela boa resolução que acabas de tomar e nós ficámos extraordinariamente contentes com o teu acto.
Espírito: Não me dês assim tantos méritos... Apenas o sofrimento me leva a tomar essa decisão.
Doutrinador: O sofrimento é a mola que nos impulsiona a todos ou a quase todos.
Espírito: Assim o soubéssemos, antecipadamente. Evitaríamos tantos desastres!
Doutrinador: Exactamente, querido amigo.
Espírito: Para a nossa consciência.
Doutrinador: Exactamente, querido amigo.
Espírito: Eu vos agradeço pela ajuda.
Doutrinador: E nós pedimos a Deus por ti, querido amigo.
Espírito: Bem preciso de vossas preces.
Doutrinador: E nós começamos agora mesmo, rogando a Deus por ti.
[O doutrinador ora a Deus por este nosso irmão, pedindo por sua recuperação]
Doutrinador: Que Deus esteja contigo, te abençoe e te acompanhe, querido amigo.
Espírito: Obrigado.

[A entidade ainda permanece alguns instantes ligada à médium; o doutrinador ora, novamente a Deus e a Jesus, agradecendo as bênçãos recebidas. Todos os membros do grupo continuam concentrados. Passados alguns momentos manifesta-se o Guia Espiritual orientador destes trabalhos]

Extraído do livro de Eduardo Guerreiro: "Falando com os Espíritos" (em fase de publicação)