quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Na hora da Morte

Hoje, veio-me à lembrança a minha sogra a quem, embora os poucos anos em que convivemos, recordo amiúde com carinho e saudade.

Aproxima-se a época natalícia em que os contactos familiares se estreitam e em que lembramos os que já partiram, sentindo a sua ausência nas nossas vidas.

Que consolação e alegria da alma nos traz, nestes momentos, a CERTEZA de que nos reencontraremos a todos para continuar a conviver na nossa caminhada evolutiva.

E pensei em Ernesto Bozzano, uma das personalidades mais sábias e eruditas do século XIX, e no seu valioso contributo para a pesquisa e confirmação da continuidade da vida.

Bozzano nasceu em 1862, em Génova na Itália. Foi professor na Universidade de Turim. E se, numa dada fase da sua vida, defendeu teses positivistas e materialistas, mais tarde, dedicou-se ao Espiritismo, tendo procedido a profundos estudos espíritas, segundo o método empírico da Ciência.

“Os fundamentos do saber humano passarão da concepção materialista do Universo à concepção espiritualista do ser, com as consequências filosóficas, sociais, morais e religiosas, que dela decorrem...” in Fenómeno de Bilocação

Escreveu mais de trinta e cinco obras, resultantes das suas pesquisas científicas:

“Fenómenos de Transporte”, “A Crise da Morte”, “A Hipótese Espírita e as Teorias Científicas” , “Animismo ou Espiritismo”, “Comunicações Mediúnicas Entre Vivos” “Os Animais têm Alma”, “Cinco Casos de Identificação de Espíritos”…

Algumas destas, aqui mencionadas, existem para download no site: http://www.autoresespiritasclassicos.com/

Mas voltemos ao assunto que aqui me levou a escrever espontaneamente: a minha sogra e a recordação do seu desencarne.

Nos seus «Fenómenos Psíquicos no Momento da Morte» Ernesto Bozzano apresenta inúmeros casos confirmados de pessoas que reconheceram familiares, amigos, já falecidos e que vinham, segundo afirmação dos doentes, buscá-los para os acompanharem na travessia para uma nova etapa da vida.

A minha sogra detestava hospitais e lutou sempre contra a necessidade de ficar internada. Com oitenta anos e cheia de “maleitas”, ficava tão zangada e queixava-se tanto de tudo e de todos, que tinha de regressar rapidamente a casa e era o filho que fazia quilómetros para lhe preparar todos os medicamentos diários (cerca de 26) para que mantivesse o organismo mais ou menos estável. A minha cunhada encarregava-se de lhos ministrar, já que vivia perto, felizmente.

Mas, um dia… há sempre um dia, não é? Perante o agravamento do seu estado físico, surgiu a inevitabilidade do internamento compulsivo. Extremamente preocupados, todos nós a visitávamos com frequência. Passados poucos dias, numa das visitas do filho, este falava com ela, mas a mãe, embora acordada, não lhe respondia nem se virava para o lado da cama, onde ele se encontrava. Dirigia fixamente o olhar em frente, para o alto, e sorria. Este, preocupado, insistia: “Mãe, já não me conhece?”

Até que ela decidiu responder-lhe, sem se virar : “Então, não havia de conhecer? Maluco, maluco.” E continuava a olhar em frente e a sorrir.

“E está contente, mãe?”

"Então, não havia de estar?!”

Passadas poucas horas, desencarnou. O meu marido nunca mais esqueceu o seu sorriso de felicidade e, a nossa convicção de que a vida continua e de que os nossos amores nos esperam, aumentou enormemente, com este caso que a Bondade Divina nos permitiu viver, aportando-nos a consolação, num momento de dor que só quem perdeu alguém compreende.

Para quem sorriria a minha sogra? Para o marido que tanto a amou, para o irmão que perdeu, para a mãe, todos desencarnados há muito? Quem sabe?

Veja aqui:

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Justiça Divina

(continuação)

2º Facto

Meses depois, chega ao Centro um pedido de uma mãe desesperada que já tinha recorrido a todos os meios ao seu alcance para curar o seu filho, que sofria de leucemia.

Ela, que era médica, já o tinha levado aos melhores especialistas a Londres e já não lhe restavam esperanças. Recorreu, pois, por isso, a algo que ela desconhecia, ao sobrenatural... Não percebia porque é que um jovem de 15 anos, bonito e muito inteligente poderia ser submetido ao sofrimento, para depois morrer, na flor da idade.

Entregou-nos uma fotografia do jovem, para que fizéssemos uma consulta e rogássemos auxílio.

Dias depois, realizou-se uma reunião mediúnica em que colocámos a questão. Foi entregue a fotografia ao médium, que se encontrava em transe.

Ao pegar na fotografia, suas mãos tremeram e denotou uma expressão de horror e pavor. Recompôs-se logo de seguida e disse:

“Sabem, meus irmãos, na época nazi houve pessoas muito inteligentes que fizeram experiências com corpos humanos vivos... Mas... a Deus nada é impossível”.

E entregou a fotografia de volta.

Não fizemos mais indagações, embora tivéssemos deduzido que este jovem teria sido, eventualmente, um médico, que no tempo do nazismo, na Alemanha, tivesse usado, como cobaias das suas experiências médicas, pessoas vivas.

Algum tempo depois o jovem desencarnou.

Cerca de dois anos mais tarde, encontrei numa casa de electrodomésticos o avô desse rapaz. Eu conhecia-o, mas ele não me conhecia.

Falava com o dono da loja entusiasticamente e com profundo orgulho no neto que havia tido. Dizia ele:

“O meu neto não era inteligente. Era muitíssimo inteligente. Veja bem que, estando ele já doente, disse à mãe que queria aprender alemão.

A mãe arranjou uma professora que lhe foi dar lições de alemão a casa. Em dois meses... em dois meses apenas, ele, que nada sabia dessa língua difícil, sim, porque o alemão é uma língua difícil, aprendeu correctamente o alemão. A professora ficou abismada. Disse que nunca tinha visto nada assim”.

Eu, que sabia da história do rapaz, disse para comigo: ‘pois é... Ele não estava a aprender alemão... Ele estava a recordar’.

Este 2º facto que acabámos de relatar mostra-nos que não foi necessária a intervenção de entidades obsessoras para que a Justiça Divina se começasse a manifestar.

Os crimes cometidos por este espírito ficaram impressos na estrutura subtil do seu perispírito e, no momento próprio, fizeram desencadear a doença que levaram o rapaz ao desencarne.

Uma questão agora se coloca: será que os crimes cometidos por esta entidade, no tempo do nazismo, foram completamente resgatados?

Será que em futura reencarnação virá com a missão de curar, liquidando com o Amor os débitos outrora contraídos? Só Deus o sabe.

Para nós, a principal lição a tirar, é a de que, embora por vezes tal não pareça, dada a curta visão que possuímos da Vida, existe Justiça. Tenhamos isto presente sempre que nos ocorrem adversidades inesperadas.

Mas estas lições são para nós uma consolação, quando observamos tantas injustiças e crimes diariamente cometidos.

Que tremam, pois, todos aqueles que estão fazendo sofrer o seu semelhante. De nada servirão as desculpas. Não poderão argumentar desconhecimento.

Que tremam, porque se não responderem perante os tribunais terrenos, amanhã terão que responder perante os tribunais erigidos pela sua própria consciência, até ficarem quites com a Lei.

E a Lei, a única Lei, é a Lei de Deus: a Lei do Amor e da Caridade!

25 de Novembro de 2007

Mário

domingo, 25 de novembro de 2007

Desobsessão

Justiça Divina

Normalmente temos tendência para ver num espírito obsessor uma entidade execrável, impiedosa, que atormenta uma pessoa. Não vemos nele um irmão infeliz que foi outrora violentado e ultrajado por aquela pessoa que é sua actual vítima.

Nos trabalhos de desobsessão apressamo-nos a consolar a vítima, esquecendo que esta foi outrora carrasco.

Na verdade, os trabalhos de desobsessão, se aliviam o(a) obsidiado(a), não lhe retiram a responsabilidade dos actos censuráveis que cometeu em outras existências e pelos quais terá, tarde ou cedo, que responder.

Quanto ao espírito obsessor, esse é o principal beneficiário dos trabalhos de desobsessão, pois sua consciência fica liberta ao conceder o perdão, renunciando ao exercício da justiça pelas suas próprias mãos e entregando-a a Deus.

Os dois factos que vamos relatar (em 2 posts) ocorreram há mais de vinte anos e confirmam o que acabámos de dizer.

1º Facto

No Centro Espírita onde exercíamos a nossa actividade veio ter connosco uma pessoa que colocou um problema que a todos comoveu: uma criança de 4 anos de idade, morando com a família nos arredores de Lisboa, estava internada, com doença cancerosa, no Instituto Português de Oncologia. Perguntava a pessoa se seria possível fazer alguma coisa no Centro, dado saber que lá se efectuavam tratamentos de cura.

Feita a consulta aos nossos guias espirituais, a resposta foi positiva. A criança deveria ser trazida ao Centro para ser tratada.

Assim foi. Devido ao tratamento a criança não tinha cabelo e, além disso, independentemente da doença cancerosa, apresentava deformidades em ambas as pernas ao nível do tornozelo.

Após algumas sessões de tratamento, em semanas consecutivas, a criança foi considerada curada do mal físico (doença cancerosa) e foi-lhe dada alta. Contudo, o guia espiritual que se manifestou referiu que ainda “havia uma questão por resolver” e que a menina deveria ser trazida para desobsessão.

Na semana seguinte, em sessão de desobsessão, manifestou-se uma entidade que sorria de satisfação...

Doutrinador: “Porque sorris, meu irmão?”

Espírito: “Sorrio por a ver sofrer”.

Doutrinador: “Mas o sofrimento dos outros dá-te satisfação?”

Espírito: “Dos outros, não. Dela. É que vocês não sabem o que ela me fez sofrer a mim. A mim e a muitos outros.

Doutrinador: “Então o que é que ela fez?”

Espírito: “Ela acorrentava-nos a todos. E castigava-nos.”

[Lembremos que a criança nasceu deformada nos membros inferiores ao nível dos tornozelos]

Doutrinador: “E quem era ela? Lembras-te do seu nome?”

Espírito: “Chamava-se Flávia. Éramos seus escravos.

[Flávia é um nome romano. As ocorrências de que a entidade nos dá conta devem ter-se passado na época do Império Romano, em que havia escravatura]

Doutrinador: “Mas, amigo, tu insistes em fazer justiça pelas próprias mãos. Não vês que ela já tem sofrimento suficiente?”

Espírito: “Pois é. Eu até já tenho pena dela...”

Dado que este já está pronto a perdoar [‘eu até já tenho pena dela’], rogamos a Deus ajuda para este nosso irmão. Acorrem entidades afins que o acompanharam então no cativeiro e com os quais estabelece diálogo, do qual só ouvimos as intervenções do espírito manifestante:

Espírito: “Vocês aqui?!”

(...)

Espírito: “Então todo este tempo para nada?!”

Doutrinador: “É verdade, meu irmão. Todo este tempo para nada. Não era necessária a tua intervenção para que a Justiça Divina se exercesse. Ela está dentro de cada um de nós, na nossa consciência culpada que faz desencadear o resgate na altura devida, quando surge o arrependimento. E este chega, tarde ou cedo, sucedendo ao remorso que atormenta”.

Espírito: “Vou-me embora. Vou com estes amigos. Obrigado. E ela que me desculpe”.

Manifestou-se, em seguida, o Espírito que dirigiu os trabalhos, esclarecendo que, se nesta existência a menina veio deformada, na próxima existência virá como ‘uma mulher normal’.

O doutrinador encerra a reunião com uma oração, agradecendo ao Pai a oportunidade que a todos foi concedida.

Mário

(continua)

terça-feira, 13 de novembro de 2007

A Importância do Perdão

Há algum tempo, conversando amenamente com um amigo sobre a vida e os desafios que enfrentamos no dia-a-dia e que põem à prova a nossa serenidade e o aprendizado que fizemos (ou não) dos ensinamentos cristãos ele confessou-me:

“Sabes?! Li aquele teu artigo sobre o irmão Jacob”.

“E o que achaste?” - perguntei eu.

“Há lá uma parte que veio mesmo ao encontro de uma situação pela qual tenho vindo a passar nos últimos tempos”.

A minha curiosidade levou-me logo a indagar do que se tratava. Por que situação é que ele tinha estado a passar e o que é que tinha a ver com o artigo intitulado ‘Voltei’?!

Então ele contou-me:

“Olha, nos últimos tempos, lá no meu local de trabalho, o relacionamento com o chefe andou muito, mas mesmo muito tenso. Ao ponto de eu lhe desejar, em pensamento, as coisas mais horríveis. A mentalização desse desejo trazia-me satisfação. Sentia que se lhe sucedesse o que eu lhe desejava seria feita justiça.

E imaginava-me a fazer essa mesma justiça pelas minhas próprias mãos. Ele, por sua vez, parece que me adivinhava os pensamentos e o seu relacionamento comigo estava cada vez mais crispado.

Andei torturado, amargurado, com desejos e pensamentos de vingança a perseguir-me. Ao ponto de se tornar uma obsessão constante”.

- “E não seria mesmo uma obsessão?”, indaguei eu. “É que os nossos pensamentos atraem entidades afins, que fazem coro connosco, na mesma sintonia”. “E quando o mesmo pensamento nos martela a cabeça constantemente é de desconfiar...”. “Nessa altura devemos fazer uma pausa, pensarmos bem no assunto que nos preocupa e qual a verdadeira razão para essa sensibilidade exagerada em relação ao mesmo”. “Orar e vigiar, como dizia o Mestre...”. E continuei:

- “Mas afinal o que é que fizeste e por que é que o artigo sobre o irmão Jacob veio ao teu encontro?”

Então ele contou-me:

“O irmão Jacob, em determinada altura é perseguido por um grupo violento de padres desencarnados que o ameaçavam. Ele, Jacob, lembrou-se de orar por eles, orar com sinceridade, do fundo do coração, considerando-os seres infelizes. Aí, eles se afastaram e ele, Jacob, começou a irradiar luz, pela primeira vez desde que havia chegado ao mundo espiritual.

Ora eu fiz o mesmo por aquele irmão que nesta vida transitória é o meu chefe e que me tem feito a vida negra. Orei por ele. Orei por ele com sinceridade, até às lágrimas, desejando-lhe o melhor possível do mundo. Afastei ódios e desejos de vingança e vi nele, com toda a sinceridade, repito, um irmão muito infeliz e muito necessitado. E lembrei-me de que nesta vida as coisas não nos sucedem por mero acaso. Inclusivamente solicitei aos amigos da espiritualidade, se Deus o permitisse, um encontro entre mim e ele durante o desprendimento nocturno, já que a animosidade parecia ser de parte a parte.

No dia seguinte ele dirigiu-se a mim com uma expressão aberta e simpática, coisa que já não acontecia há bastante tempo...”

O que este meu amigo fez, afinal, foi algo que consideramos muito lógico, racional, mas por vezes bastante difícil de realizar, dada a dose de orgulho que ainda nos cega: ele colocou em prática a lição do perdão.

Do artigo ‘Voltei’, voltamos nós agora, mais uma vez, a reproduzir o trecho que inspirou este meu amigo à oração e... ao perdão.

Depois de ter frequentado por mais de duzentos dias a “escola da iluminação”, certa noite, de volta ao lar espiritual, sozinho, foi “assaltado por furioso grupo de clérigos desencarnados” que se acercaram dele “violentos e sarcásticos”. Fizeram-lhe lembrar os ataques que ele, impensadamente, havia desferido contra os padres. Cobriram-no de insultos e ameaçaram-no.

Isolando a mente e lembrando-se dos conselhos do Senhor de “orar pelos que nos perseguem”, Jacob, “tocado por sincero desejo de auxiliá-los”, entregou-se à prece, “não como de outras vezes, em que emitia palavras de louvor e súplica com bases menos profundas no sentimento”, mas no sentido de procurar, de facto, “ser útil àquela falange de entidades inconscientes.

... Decorridos alguns minutos, observei que, ao me contemplarem em oração, os circunstantes se afastaram um tanto, embora continuassem a criticar-me de doestos e zombarias”.

A entrega de Jacob foi tão sincera que “sobreveio o imprevisto”:

“Tomado de assombro, verifiquei que branda luz de um roxo carregado brilhava em torno de mim”.

Ao princípio pensou tratar-se de um espírito benfeitor que estaria junto dele. Intrigado, “refugiou-se, de novo, na prece, em silêncio”. Foi então que visualizou Bittencourt Sampaio.

"Jacob" – disse ele (...) não te admires da claridade que te rodeia.

Ela pertence a ti mesmo. Nasce das tuas energias internas, orientadas agora para a Bondade Suprema.

A concentração de amor verdadeiro produz bendita claridade na alma”.

E continuou:

“Ama sem paixão, espera sem angústia, trabalha sem expectativa de recompensa, serve a todos sem perguntar, aprende as lições da vida sem revolta, humilha-te sem ruído ante os desígnio superiores, renuncia aos teus próprios desejos, sem lágrimas tempestuosas, e a vontade justa e compassiva do Pai iluminar-te-á constantemente o coração fraterno e o caminho redentor!”

Mário

6/11/07

Leia aqui os artigos completos sobre o "Irmão Jacob": Parte I

Parte II:

Parte III:

Parte IV: