terça-feira, 6 de janeiro de 2009

A Desencarnação

Está a terminar uma época que simboliza para o Homem o nascimento de Jesus, independentemente da data exacta em que esse acontecimento se deu. Todavia, os sentimentos mobilizados pelo Natal ultrapassam as próprias crenças religiosas e/ou individuais, impulsionando o Ser humano para o seu semelhante, imbuído que se encontra dos ideais de fraternidade, solidariedade, paz e alegria. E o semelhante mais próximo é a própria família, no seio da qual fomos chamados a desenvolver todo o nosso potencial na senda do aperfeiçoamento como indivíduos.

Anelando ansiosamente pelo convívio com os nossos, num clima de bem-estar, saúde e alegria, os corações se entristecem ao recordar os que partiram e, sobretudo, se um dos elementos da família está em vias de “partir”. A Morte, encarada como um fim, como algo irremediável, de despedida e que quebra para sempre os laços fraternos que nos unem, destroça os lares, conduzindo os que assistem à partida dum ente querido, muitas vezes, ao desespero e à revolta insensata contra os desígnios divinos.

Toda essa negatividade acaba por envolver o próprio ser que parte e que desejaríamos auxiliar, mas que a nossa ignorância acerca do processo de desencarnação que decorre, contra a nossa vontade, muitas vezes, mais prejudica, criando obstáculos ao desligamento do espírito e retardando o minuto final, pela ansiedade e nervosismo com que envolvemos o ente querido. Não fossem os amigos espirituais que acorrem e isolam o paciente e muito sofrimento causaríamos sem nos apercebermos.

Decidimos, assim, neste ano que agora começa, tratar em vários posts do tema da desencarnação, já que, pese embora as nossas resistências em reflectir sobre o fenómeno da morte, todos fatalmente lidamos mais cedo ou mais tarde com ela. Se temos de encará-la, melhor será que estejamos preparados, conhecendo o processo e compreendendo-lhe o alcance. Através das nossas reflexões e contando com as descrições de autores espirituais como André Luiz, esperamos que neste ano as nossas concepções se alterem e que o desespero que nos assola, de quando em vez, dê lugar à resignação e ao renovar da esperança no reencontro com os que provisoriamente nos deixam.

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